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Retalho

InRetail debateu durante 2 dias transformação no retalho e distribuição

Organizado pela Abilways Portugal e pela DISTRIBUIÇÃO HOJE, o InRetail Congress proporcionou dois dias de debate sobre os principais temas do setor e premiou a inovação e a excelência nos Masters DH. A digitalização crescente, a omnicanalidade, as novas exigências dos consumidores, a sustentabilidade e a ética foram alguns dos temas em destaque numa edição que contou com uma plateia de mais de 250 pessoas.

“Retalho e distribuição em transformação” foi o tema escolhido para o InRetail Congress realizado nos dias 9 e 10 de novembro no Lagoas Park Hotel, evento que contou com a presença de mais de 250 participantes. O Congresso foi dividido em duas grandes áreas: O “Know your client”, onde se procuraram dar resposta ao que mudou com a aceleração do retalho e em quem é que confiam os consumidores e, no segundo dia, “Master your market”, dedicado aos temas do supply chain, da sustentabilidade e do “retalho de causas”.

 

No arranque do primeiro dia do evento, Nuno Afonso, vice president Sales & Operations EMEASIA Region da Daymon apresentou o tema: “O novo consumidor: oportunidades de retalho”. “A mistura entre gerações está cada vez maior, o que nos obriga a monitorizar o comportamento e a análise do consumidor de uma forma constante para podermos perceber todas as mudanças”, explicou. São necessários sistemas que avaliem as movimentações dos consumidores permitindo dar-lhes melhores respostas. Para tal, existem várias tendências que promovem novas soluções e produtos, como por exemplo, a identidade, a preocupação com as comunidades, a união entre as pessoas e o valor.

“As marcas próprias estão cada vez mais a controlar estas tendências e a dar resposta aos consumidores”, adiantou o orador, referindo alguns números. 50% do consumidor português atual afirma que compra marca de distribuidor e ¼ do total dos consumidores afirmam que estão disponíveis para fazer esta escolha. Com um claro posicionamento no mercado e a recetividade que o consumidor está a ter, a conjuntura económica atual favorece a procura de produtos destas marcas. A Daymon acompanha três fatores de forma muito próxima, como “a convivência com a digitalização pelo lado físico, a experiência e o relacionamento com os produtos e as marcas e, finalmente, a sustentabilidade, a ética e o valor”.

 

O orador concluiu a sua apresentação com alguns exemplos práticos de lojas e espaços que correspondem às tendências referidas na sua apresentação. “É preciso estarmos prontos para acompanhar a evolução dos consumidores de forma constante para podermos responder mais rápido. E, para isso, é preciso ter sistemas e métricas de análise.”

“Sabemos que, provavelmente, num par de anos vão surgir soluções que vão permitir fazer transferências para qualquer parte do mundo e a um preço muito atrativo” – Sebastião Lancastre, EasyPay
 

O poder do pagamento

Sebastião Lancastre, CEO da EasyPay começou por analisar o que se está a passar no mercado neste momento. “Há aspetos que já sentimos no dia a dia: há coisas novas no momento de pagar e sentimos esta tendência de transformação enquanto consumidores.” Antes da pandemia, era difícil tentar perceber como seria possível mudar o comportamento dos consumidores. Mas quando existe a obrigatoriedade de mudar tendências, “a adesão é gigantesca”. E foi isso que aconteceu na pandemia, no que respeita ao contactless, por exemplo.

 

O orador confessou ter iniciado uma jornada há mais de dois meses que implicou deixar de usar a sua carteira e os seus papeis. “Hoje uso relógio e o meu telemóvel, mas foi com algum receio que larguei tudo para iniciar uma nova etapa e mudar.” A nossa vida está cada vez mais concentrada em “dinheiro e wallets digitais (Apple Pay, Google Pay e MB Way)”. Confessando-se um early adopter das bitcoins, adiantou que existem tecnologias excecionais. “Sabemos que, em 2025, 80% da população mundial terá um smartphone.” Por outro lado, num futuro próximo, o QR Code vai ajudar cada vez mais a acelerar o pagamento. “Vamos também ver wallets digitais em B2B a aparecer e, também, o open banking.”

Há uma grande mudança de paradigma a que ninguém pode ficar indiferente, assinalou Sebastião Lancastre: “O dinheiro e o plástico vão acabar”. Existe hoje, no entanto, o grande desafio da indústria que se prende com os pagamentos globais, mas as coisas estão a evoluir. “No final do mês de outubro, a Comunidade Europeia veio obrigar os bancos a tornarem o preço das transferências instantâneas igual ao preço das transferências normais”, explicou. Este é um avanço e já se sabe que isto talvez venha a acontecer na prática daqui a cerca de um ano. “Sabemos que, provavelmente, num par de anos vão surgir soluções que vão permitir fazer transferências para qualquer parte do mundo e a um preço muito atrativo”, afirmou.

Sabe-se que “88% das pesquisas realizadas através do smartphone significam efetivamente uma visita ou um contacto para a loja em menos de 24 horas. E 72% dos consumidores que fizeram pesquisas por um negócio local deslocaram-se a determinada loja física num raio de até oito quilómetros” Liliana Santos, Partoo

A jornada do consumidor no digital

Liliana Santos, account executive iberia e Fabio Salvador, sales manager Iberia da empresa tecnológica Partoo abordaram o tema da digitalização das empresas enquanto oportunidade de negócio numa apresentação partilhada entre ambos. O que faz afinal um consumidor visitar uma loja física ou optar pelo e-commerce? Esta foi a pergunta de partida que Fabio Salvador dirigiu à plateia e apresentou alguns casos práticos sobre o impacto do Google vs o website de uma empresa. A jornada do cliente está a mudar e “a compra inicia-se muito antes”. Um estudo enunciado pelo orador indica que “91% das compras realizadas numa loja física foram precedidas de uma pesquisa online”.

A colega Liliana Santos indicou que “nos últimos dois anos, houve um aumento dos termos de pesquisa ‘onde comprar’, ‘perto de mim’ ou ‘aberto agora’, o que pode ajudar a perceber se as marcas estão visíveis. Neste período, o crescimento no número de pesquisas foi de 400%. Outros dados indicam que 60% das pesquisas feitas à data do InRetail no Google eram pesquisas locais. Por exemplo, uma loja na localidade onde os consumidores estão presentes. “Além disso, 88% das pesquisas realizadas através do smartphone significam efetivamente uma visita ou um contacto para a loja em menos de 24 horas. E 72% dos consumidores que fizeram pesquisas por um negócio local deslocaram-se a determinada loja física num raio de até oito quilómetros”, adiantou a oradora. Estes números reforçam a importância de ter uma estratégia de marketing local e existem diferentes formas de fazer pesquisas online. “Existem três tipos de pesquisas locais: as diretas, por marcas e indiretas.”

Fabio Salvador abordou ainda a relevância das plataformas como as redes sociais a nível reputacional e transacional.

Com o arranque do projeto de marketplace em final de 2018, a Worten tinha 40 mil ofertas e tem hoje mais de oito milhões. “Outro número muito significativo é a quantidade de sellers que temos e a necessidade que sentimos em aumentar as vendas” – Nuno Natário, da Worten

Avançar para o próximo nível de crescimento do marketplace

Ricardo López Helguera, marketplaces&drop-shipping | SaaS eCommerce for B2C da Mirakl e Nuno Natário, Iberian head of comercial da Worten Portugal fizeram uma apresentação conjunta sobre a forma como o marketplace pode ajudar a alavancar os negócios no retalho.

Nuno Natário começou por explicar o processo que a Worten tem realizado e a jornada ao longo do tempo. “Somos líderes de mercado na eletrónica de consumo e somos uma empresa omnicanal. O marketplace representa para nós um conceito de ter tudo numa só plataforma onde somos mais um vendedor e a Mirakl é a tecnologia que nos permite implementar esta estratégia.” Assumindo-se como o “maior e-commerce em Portugal”, com um tráfego muito significativo, fruto de um investimento muito grande que foi feito ao longo do tempo, afirmou que “desde que temos o marketplace foi possível triplicar o tráfego devido a um conjunto de fatores, nomeadamente, a pandemia.”

Com o arranque deste projeto em final de 2018, com 40 mil ofertas, a Worten tem hoje mais de oito milhões. “Outro número muito significativo é a quantidade de sellers que temos e a necessidade que sentimos em aumentar as vendas. É mais fácil hoje vender para qualquer lado e a Mirakl foi a ferramenta que permitiu à Worten realizar este caminho.”

Nuno Natário explicou que a Worten sentiu necessidade de diversificar negócio e de procurar outras oportunidades através de dois eixos. “Por um lado, uma hiperespecialização daquilo que tínhamos [procurar o que o consumidor procura e que o mercado nem sempre consegue dar em primeira mão] e, por outro, crescer naquilo que chamamos de new business, ou seja, novas categorias.” Em cada novo processo, há uma nova aprendizagem. “Nesta lógica de gestão, existem duas óticas: a ótica do angariador de sellers para o nosso marketplace e quem dinamiza e faz o key accounting dos principais sellers dentro do nosso website”, concluiu.

InRetail

Descarbonização, competitividade, sustentabilidade

No segundo dia do InRetail, algumas das apresentações foram dedicadas aos temas da sustentabilidade, ao supply chain e ao retalho de causas. Exemplo disso foi o tema “Como a descarbonização torna o setor do retalho mais competitivo” com a participação de Pedro Alves, diretor comercial da Helexia. “Os consumidores querem produtos mais sustentáveis e com menor pegada de carbono”, afirmou. A redução de custos é importante e as medidas de descarbonização têm um impacto principalmente na componente ambiental e social.

Pedro Alves convidou a plateia a acompanhar o roteiro e a jornada de descarbonização de uma loja de retalho. Partindo de um exemplo de uma loja real com uma área de 12 mil m2, com um parque de estacionamento de cerca de 10 mil m2, localizada na região de Lisboa com um consumo de eletricidade na ordem de 2100 MHw/ ano e inserida numa zona comercial e perto de uma zona industrial, o orador apresentou algumas opções de descarbonização. Por exemplo, recorrendo a uma central fotovoltaica, à instalação de uma estrutura de mobilidade elétrica e à gestão ativa de energia. Como resultado, esta loja descarbonizada conseguiu reduzir 1800 toneladas de CO2 e gerar energia localmente.

Pedro Henriques, diretor comercial corporate&state Portugal da EDP Comercial teve a seu cargo a apresentação “Os desafios e soluções da neutralidade carbónica para o retalho” e afirmou que os preços de energia nos mercados grossistas são elevados, existindo hoje “uma maior pressão nos custos das empresas mais expostas a estes preços, mas também uma enorme volatilidade nos preços da energia, o que provoca uma incerteza na gestão orçamental a curto e médio prazo”.

A EDP está presente em 29 países neste momento e tem cada vez mais o foco da produção de energias renováveis. “Temos objetivos bastante ambiciosos para os próximos anos. A EDP quer seguir à frente da caminhada da sustentabilidade”, avançou, acrescentando que este tema é uma prioridade desde há alguns anos. “Ter uma estratégia ESG é hoje sinónimo de boa performance para as empresas”, referiu Pedro Henriques. “Sobretudo na Europa e no mundo ocidental é cada vez mais difícil captar pessoas no mercado de trabalho, recrutar e reter talento. As empresas que são mais apelativas para os jovens e os estudantes são as que estão mais bem cotadas com o cumprimento da agenda ESG.”

O futuro do setor do retalho será verde, indicou o orador. “O mercado deve, por isso, acelerar a transição energética. A EDP vê esta transição assente em três pilares: solar autoconsumo, bairros solares e a mobilidade elétrica”, salientou. Pedro Henriques partilhou ainda alguns casos práticos do setor de retalho em parceria com soluções da EDP.

Este é apenas um resumo de alguns dos momentos da edição deste ano do InRetail que além de ser um espaço de networking, deu lugar a várias mesas redondas, casos práticos e intervenções com a participação de cerca de 45 oradores. Não perca a reportagem alargada sobre o evento na próxima edição em papel da revista DISTRIBUIÇÃO HOJE.