A administração do grupo Dia (que em Portugal opera a insígnia Minipreço), encabeçada pelo administrador-delegado, Borja de la Cierva, reuniu-se, recentemente, com os seus fornecedores com o objetivo de apresentar o plano de negócios para o grupo, tendo reconhecido que “os erros do passado em quase todos os aspetos do negócio, desde a logística, passando pelo sortido, lojas e pessoal”, revela o site Alimarket.
Apesar de se saber que o plano de negócios depende do aumento de capital proposto – recorde-se que o que está em cima da mesa são 600 milhões de euros – os responsáveis do grupo explicar diversos cenários possíveis para o caso do aumento de capital falhar, admitindo que o “pior que poderia acontecer seria qualquer uma das possibilidades que estão em cima da mesa falharem”. Ou seja, nem aumento de capital proposto pela atual administração, nem a OPA da LetterOne, nem uma possível terceira via, que poderá passar por outra entidade.
Na reunião com os fornecedores, alguns explicaram ao site espanhol que, entre as queixas apresentadas, estão o funcionamento do departamento de qualidade, já que 90% das vezes em que existe revisão de produtos, é para penalizar os fornecedores”, adiantaram, focando, igualmente, as deficiências nos parâmetros de qualidade.
Do lado da administração do Dia reconheceu-se que “perdeu o rumo” em aspetos como a eficácia da loja, com demasiados produtos, assegurando que irão alocar mais recursos aos centros para melhorar a exposição, algo muito importante no que concerne os frescos.
Por isso, anunciaram a renovação de cerca de 2.000 lojas, apostando na proximidade e numa revisão do sistema de franchising. Também ficou assegurado que existirá uma revisão do sortido e forma de trabalho da equipa comercial para, em breve, começar a negociar com os fornecedores numa perspetiva de “ouvir” o que estes têm para dizer.
O investimento no pessoal será outro aspeto importante a rever, bem como a logística e entrega em loja, além da melhoria do controlo de stocks.
Recorde-se que as últimas notícias dão conta que o grupo Dia havia mandata a PwC para procurar um comprador para o maior número de lojas possíveis, entre as quais, os 300 pontos de vendas que prevê encerrar até ao final do ano, incluindo o plano de negócios o encerramento de um total de 600 lojas a médio prazo.
Também o negócio no Brasil foi classificado de “dececionante” pela administração do grupo, negócio esse que sofreu o impacto de vários fatores, tanto internos como externos, e que, segundo a companhia, “serão difíceis de ver de novo nos próximos anos”.

