O comércio mundial poderá cair entre 13 a 32%, em 2020, como consequência da interrupção da atividade económica causada pela pandemia de COVID-19 em todo o mundo.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) alerta para o facto do comércio já se encontrar numa trajetória de queda, em 2019, muito devido às tensões comerciais e pela desaceleração do crescimento económico. O volume do comércio mundial de mercadorias registou uma ligeira queda no ano 2019, de -0,1%, após ter aumentado 2,9% no ano anterior. Ao mesmo tempo, o valor em dólar das exportações mundiais de mercadorias caiu, em 2019, em 3%, para 18,89 biliões de dólares.
Em contraste, o comércio mundial de serviços comerciais aumentou em 2019, com as exportações a aumentar 2%, para 6,03 biliões de dólares. O ritmo de expansão foi mais lento que em 2018, ano em que o comércio de serviços aumentou 9%.
De acordo com a OMC, “é inevitável que o choque económico causado pela pandemia do COVID-19 convide comparações com a crise financeira global de 2008-2009”. A organização salienta, contudo, que “essas crises são semelhantes em certos aspetos, mas diferem bastante em outras”.
Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC, admite na comunicação que faz no site da organização que, “o comércio, em 2020, cairá abruptamente em todas as regiões do mundo e em todos os setores da economia”.
À luz da incerteza sobre a duração precisa e o impacto económico da pandemia, as previsões são inevitavelmente baseadas em fortes suposições. Como resultado, os economistas da OMC desenvolveram dois cenários plausíveis em vez de um conjunto único de números usual.
Num cenário otimista, os economistas veem o volume do comércio global de mercadorias a cair 13% este ano, em comparação a 2019.
Se a pandemia não for controlada, e os governos não implementarem e coordenarem respostas políticas eficazes, a quebra poderá ser de 32%, ou mais, advertem.
O diretor-geral brasileiro salienta que dois fatores determinarão a força da recuperação: “primeiro, a rapidez com que a pandemia é controlada; e, segundo, as escolhas políticas que os governos fazem”.
Uma recuperação forte é mais provável se os decisores políticos “mostrarem às empresas e às famílias razões para acreditar que a pandemia foi um choque económico temporário único”, refere Azevêdo. “Para fazer isso, a política fiscal, a política monetária e a política comercial devem seguir na mesma direção”, admitindo, também, que “uma virada para o protecionismo introduziria novos choques em cima daqueles que estamos enfrentando atualmente. Manter os mercados abertos ao comércio e investimento internacionais ajudaria as economias a se recuperarem mais rapidamente”.
O responsável da OMC termina, referindo que “governos de todo o mundo podem e devem estabelecer as bases para uma recuperação forte e socialmente inclusiva. O comércio – e a coordenação internacional em geral – serão ingredientes importantes. Se os países trabalharem juntos, veremos uma recuperação muito mais rápida do que se cada país fizer isso sozinho”.

