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Sustentabilidade

Ceticismo ambiental trava intenção de consumo sustentável, revela estudo

Ceticismo ambiental reduz intenção de consumo sustentável, indica estudo iStock

O ceticismo dos consumidores em relação a alegações ambientais está a reduzir a intenção de compra de produtos sustentáveis, segundo um estudo da Universidade de Hiroshima publicado na revista Sustainability.

A investigação conclui que, em vez de promover decisões mais informadas, a desconfiança, frequentemente associada à perceção de greenwashing, tem um efeito indireto negativo no consumo sustentável, ao diminuir o envolvimento dos consumidores com este tipo de produtos.

 

De acordo com os investigadores, “o ceticismo ‘verde’ não exerce um efeito direto significativo” na intenção de compra. No entanto, “mina indiretamente a intenção de compra verde ao reduzir a motivação dos consumidores para procurar informações sobre produtos verdes e enfraquecer a culpa antecipada”.

O estudo baseou-se num inquérito a mais de 500 consumidores e analisou fatores cognitivos e emocionais associados ao comportamento de compra. Os resultados indicam que consumidores mais céticos tendem a procurar menos informação sobre a sustentabilidade dos produtos e a sentir menor pressão moral para optar por alternativas mais responsáveis.

 

Esta combinação é descrita pelos autores como um padrão de “evasão de informações e interação moral”, em contraste com um maior envolvimento crítico e informado.

Segundo Eunji Seo, coautora do estudo, “o ceticismo ‘verde’ não faz com que os consumidores simplesmente rejeitem produtos verdes”. Em vez disso, “funciona de forma mais sutil ao enfraquecer dois fatores importantes do consumo ‘verde’: a disposição das pessoas em procurar informações ambientais confiáveis e a culpa antecipada por fazer escolhas menos sustentáveis”.

 

Os resultados sugerem também que estratégias tradicionais de promoção do consumo sustentável, baseadas em mensagens persuasivas ou apelos à responsabilidade ambiental, podem ser menos eficazes em contextos de baixa confiança.

Neste cenário, os investigadores apontam para a necessidade de reforçar a transparência e a verificação das alegações ambientais, nomeadamente através de informação clara e certificação independente, como forma de recuperar a confiança dos consumidores e apoiar decisões de consumo mais sustentáveis.

 

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