Retalho

A febre dos hipers acabou e as MDD “não têm peso excessivo”

A febre dos hipers acabou e as MDD “não têm peso excessivo”

O mais recente Barómetro da APED mostra a inexistência de aberturas de hipermercados ao longo do ano 2018. De facto, depois de anos de expansão, a preferência dos operadores vai, claramente, para os formatos de proximidade, revelando Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), num encontro com a imprensa, que durante o ano passado foram mais de uma centena as aberturas de supermercados e cerca de meia centena as lojas de proximidade e urbanas que abriram.

De resto, o canal super detém uma quota de mercado, em valor, de 49,8%, ganhando 0,2 pontos percentuais (p.p) face a 2017. Os hipers, por sua vez, mantiveram a sua quota de 26,3%, enquanto os discounters viram a sua percentagem cair de 15,4% para 15,2%.

“Estes dados revelam que estamos perante um mercado maduro, com variações residuais”, afirmou o diretor-geral da APED, salientando que esta realidade é demonstrativa da estabilidade que o setor vive”. Ao todo, durante 2018, foram criados entre 5.000 e 7.000 postos de trabalho, empregando o setor do retalho na sua globalidade, cerca de 130.000 trabalhadores, no final de 2018.

Quanto à possibilidade de haver lojas a mais em Portugal, a perceção da APED é que, “se o mercado abre lojas, é porque há estudos que indicam para esta tendência”, afirmou, salientando, igualmente, que “Portugal vive hoje uma realidade completamente diferente de há 10 ou 20 anos atrás. O turismo é algo que o mercado tem em conta e a procura por espaços de proximidade estão, hoje, a conhecer uma nova realidade”. Mas se há aberturas, também pode haver encerramentos, preferindo Gonçalo Lobo Xavier falar em “reajustamentos e não encerramentos”.

Na “velha guerra” entre as Marcas da Distribuição (MDD) e Marcas de Fabricante (MDF), os dados da APED mostram uma ligeira subida (0,2 p.p.) das marcas dos operadores do retalho, atingindo uma quota, no final de 2018, de 33,6%, enquanto as “suas rivais” dos fabricantes caíram 0,2 p.p., detendo uma quota de 66,4% no fim do exercício do ano passado.

“Estes números demonstram que o ‘velho mito’ das MDD não é verdadeiro”, admitiu Gonçalo Lobo Xavier. “De facto, não há um peso excessivo das Marcas da Distribuição no mercado nacional, embora exista a tendência para afirmar o contrário”.

Na questão da atividade promocional, Gonçalo Lobo Xavier salientou que esta simplesmente responde a um gosto demonstrado pelo consumidor português. “O consumidor português gosta, efetivamente, das promoções”, referiu, mostrando que a atividade promocional passou de um peso de 45%, em 2017, para 46,4%, em 2018.

Questionado se estas políticas não “esmagam” a margem dos fabricantes, o diretor-geral da APED voltou a referir-se, novamente, ao “mito urbano” existente em Portugal. “Somos o contacto direto com o consumidor e a margem não está no distribuidor, mas, sobretudo, no produtor e industrial”, disse.

Sobre a atual greve dos motoristas, Gonçalo Lobo Xavier adiantou ter conhecimento de que existem já operadores que tiveram de fechar os seus postos, admitindo, no entanto, que as operações de abastecimento às lojas não estejam a ser afetadas.

“Estamos a trabalhar com o Governo para que haja bom senso”, revelou o diretor-geral da APED, admitindo mesmo que “não temos a certeza que os serviços mínimos estejam a funcionar”.