64% dos portugueses apresenta um baixo conhecimento a nível financeiro, sendo este inferior ao dos alemães há 15 anos. É a conclusão do estudo “Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma perspetiva Comportamental”, desenvolvido pelo Doutor Finanças, em parceria com a Laicos – Behavioural Change.
A análise pretendeu compreender o estado atual do bem-estar financeiro dos portugueses, analisando os comportamentos financeiros e as componentes psicológicas de uma amostra demograficamente representativa da população portuguesa.
“A importância do bem-estar financeiro é sublinhada pela sua influência profunda na nossa qualidade de vida, na saúde mental e na capacidade de participar na sociedade com dignidade e confiança. Como tal, este estudo aborda as dimensões psicológica, social e económica que contribuem para o estado financeiro de um indivíduo”, esclareceu Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças.
E continua: “o objetivo final desta investigação é fornecer insights acionáveis que possam informar o desenvolvimento de políticas, o planeamento financeiro e os processos de tomada de decisão individuais. Ao aprofundarmos a nossa compreensão do bem-estar financeiro, podemos abrir caminho para sociedades mais inclusivas e prósperas”.
Foram colocadas três grandes questões relacionadas com taxas de juro, inflação e diversificação/risco para verificar o nível de conhecimento financeiro dos inquiridos e apenas 36% respondeu corretamente às três questões.
A importância do bem-estar financeiro é sublinhada pela sua influência profunda na nossa qualidade de vida, na saúde mental e na capacidade de participar na sociedade com dignidade e confiança.
O estudo comparou o conhecimento financeiro dos portugueses com outros países europeus com PIB per capita e literacia financeira acima da média europeia, concluindo que Portugal está atrás dos níveis da Alemanha (62%) e dos Países Baixos (45%) de há 15 anos.
“Estes números reforçam a necessidade de uma investigação profunda e a definição de planos de ação capazes de dar resposta a este cenário”, lê-se no estudo.
 O estudo, que conta com a chancela da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FPUL) e da NOVA Information Management School (Nova IMS), revelou ainda que metade dos portugueses sentem-se ansiosos com as suas finanças pessoais.
“Os inquiridos revelam que as questões financeiras contribuem para os seus níveis de ansiedade, existindo uma percentagem significativa que apresenta sentimentos de culpa quando pensa sobre as suas finanças pessoais”, enfatiza o relatório.
A investigação mostrou também que 1 em cada 4 portugueses tem dificuldades em pagar contas e cumprir as suas obrigações financeiras, com 67% dos inquiridos a assumir ter demasiadas dívidas, com valores muito altos face aos seus rendimentos.
“O sobreendividamento está associado a comportamentos de consumo descuidados e imprudência financeira, sendo também uma fonte frequente de estigma social e preconceito, o que coloca mais pressão sobre as condições de vida das pessoas”, explicam os responsáveis pela análise.
Ao aprofundarmos a nossa compreensão do bem-estar financeiro, podemos abrir caminho para sociedades mais inclusivas e prósperas.
No que toca a poupanças, quase metade dos portugueses adiantou não ter um fundo de emergência e, embora a maioria dos portugueses tenha alguma poupança reservada, quase metade não tem o suficiente para cobrir despesas durante três meses em caso de emergência.
“Significa isto que em caso de perda de rendimento, as famílias portuguesas têm desafios adicionais”, adianta a análise.
Dos 45% dos portugueses que nunca investiram, apenas 38% refere que já considerou fazê-lo. Sendo que, dos portugueses que já investiram dinheiro, a fatia mais considerável das poupanças foi direcionada para produtos com menor risco, como Certificados de Aforro e Planos Poupança Reforma.
1 em cada 4 portugueses tem dificuldades em pagar contas e cumprir as suas obrigações financeiras, com 67% dos inquiridos a assumir ter demasiadas dívidas, com valores muito altos face aos seus rendimentos.
Quais a quatro principais conclusões?
A investigação concluiu que o bem-estar financeiro assume um “papel central” no bem-estar geral das pessoas. Desta forma, os portugueses com menor bem-estar financeiro têm também uma probabilidade três vezes maior de experienciar “tristeza”, assim como “stress” e “preocupação”.
Em Portugal, pessoas que sejam do sexo feminino e que apresentem rendimentos baixos ou tenham um nível de escolaridade até ao ensino secundário têm mais probabilidade de experienciar um nível de bem-estar financeiro baixo, ter reduzidos níveis de conhecimento financeiro, bem como sentir mais ansiedade financeira.
O bem-estar financeiro assume um papel central no bem-estar geral das pessoas.
Outra das conclusões do estudo revelou que quem tem mais rendimentos, sabe mais, adota melhores comportamentos e sente-se melhor com a sua vida financeira.
Por último, o relatório enfatiza que o conhecimento é uma condição necessária, mas não suficiente para alcançar um maior bem-estar financeiro, explicando que “é o ecossistema de comportamentos, atitudes, conhecimento e rendimento que levam ao nível de bem-estar experienciado pelas pessoas”.
Desta forma, os responsáveis pela investigação avançam que os comportamentos mais conducentes a levar a um bem-estar financeiro são os que passam pelo não-endividamento e pela poupança.
“O bem-estar financeiro não se limita apenas à medida do rendimento ou da riqueza de cada um; abrange, antes, um espetro mais amplo de segurança financeira, liberdade de escolha e capacidade de cumprir obrigações financeiras atuais e futuras. Está intrinsecamente ligado à paz mental, satisfação e resiliência face a adversidades económicas”, explicou Sérgio Cardoso.
Os comportamentos mais conducentes a levar a um bem-estar financeiro são os que passam pelo não-endividamento e pela poupança.
O estudo utilizou o método de recolha de amostragem por quotas, comummente utilizado em sondagens de opinião em Portugal, utilizando os seguintes parâmetros para definir as quotas amostrais: sexo, idade, zona geográfica e nível de rendimento por adulto equivalente.
53,4% dos inquiridos eram do sexo feminino e 46,6% do sexo masculino. Já 48,6% das respostas foram recolhidas de pessoas com uma idade compreendida entre os 35 e os 59 anos. Já 58,7% apresentavam um nível de escolaridade até ao secundário e 41,4% até ao ensino superior. A principal fonte de rendimento (57,6%) é o trabalho por conta de outrem.

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