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Retalho

Vendas no online ‘travam’ no primeiro trimestre do ano

Vendas no online ‘travam’ no primeiro trimestre do ano iStock

O primeiro trimestre do ano demonstrou “uma evolução lenta das vendas devido à inflação”, indicando que os consumidores estão a aguardar por momentos de compra no segundo semestre. É a conclusão do “Shopping Index”, da Salesforce, que analisou os dados de consumo online e do retalho a nível global nos primeiros três meses de 2023.

“O primeiro trimestre do ano já demonstra dados de consumo com algumas reviravoltas inesperadas. Enquanto se antecipavam cortes nas taxas de juro, era esperado um impacto positivo no retalho, mas agora que a inflação está mais rígida, este cenário parece improvável”, explica o estudo.

 

O relatório indica que a instabilidade geopolítica vai continuar a impactar a economia e a colocar pressão sobre a inflação, “levando o retalho a antever um ano de 2024 muito semelhante aos passados 2022 e 2023”.

O primeiro trimestre do ano já demonstra dados de consumo com algumas reviravoltas inesperadas.

 

O que nos diz a análise sobre vendas online?
As vendas online a nível global cresceram cerca de 2%, face a igual período no ano passado, com o tráfego online e o gasto médio por pedido a aumentar apenas 1%. “Mas apesar do aumento do tráfego e do consumo, os volumes de encomendas globais continuaram a diminuir, caindo 2% em relação ao ano passado”, salienta a análise da Salesforce.

Nos Estados Unidos da América (EUA), tanto as vendas online como o crescimento do tráfego permaneceram estagnados ​​nos primeiros três meses do ano, e os volumes de encomendas caíram ainda mais rapidamente, avança o relatório.

 

As vendas online a nível global cresceram cerca de 2%, face a igual período no ano passado, com o tráfego online e o gasto médio por pedido a aumentar apenas 1%.

Já a Europa impulsionou o crescimento global, com as vendas online a subirem 3% face ao ano anterior. O Reino Unido foi o mercado entre os três principais do continente (que inclui o da Alemanha e França) a registar um maior crescimento, “embora provavelmente atribuível ao atraso das tendências em relação ao resto da Europa, devido à recessão económica em 2023”, enfatiza o “Shopping Index”.

 

O que os consumidores mais compraram?
As categorias de ‘Saúde e Beleza’ (+12%) e ‘Malas/bolsas em geral’ (+7%) foram os segmentos que registaram um maior crescimento nas vendas online. No entanto, ‘Produtos Eletrónicos e acessórios’, assim como ‘Brinquedos e Aprendizagem’, registaram as quedas online mais acentuadas (-13% e -12%, respetivamente).

“Estes dados fazem parte de uma tendência mais ampla que se tem vindo a observar nos últimos anos, segundo a qual os consumidores têm vindo comprar menos frequentemente bens não essenciais e, muitas vezes, aproveitam baixas de preço quando fazem uma compra”, explica a Salesforce.

A Europa impulsionou o crescimento global, com as vendas online a subirem 3% face ao ano anterior.

Consumidores aguardam por grandes momentos de compra
De acordo com o estudo da Salesforce, um dos sinais que demonstra que os consumidores estão a comprar menos bens não essenciais passa pela diminuição das compras de produtos de luxo. Desta forma, as vendas de vestuário e malas/carteiras de luxo “diminuíram significativamente” no primeiro trimestre (-2% e -10%, respetivamente), assim como os brinquedos (-12%) e os produtos eletrónicos (-12%).

“O comportamento de consumo no primeiro trimestre faz recordar assim a abordagem às compras de fim de ano em 2023: os consumidores esperaram pacientemente por descontos atraentes, como os oferecidos no Prime Day no verão, durante a temporada de regresso às aulas e na Black Friday e Cyber ​​​​Monday”, enfatiza o relatório.

As categorias de ‘Saúde e Beleza’ (+12%) e ‘Malas/bolsas em geral’ (+7%) foram os segmentos que registaram um maior crescimento nas vendas online.

A análise indica que os retalhistas e as marcas estão a ser levadas a planear promoções e oferecer descontos mais atrativos em grandes momentos de compra para impulsionar as vendas. Além disso, a Salesforce também refere que estão “a concentrar esforços em estratégias que envolvem os clientes ao longo do ano — como programas de fidelização e recomendações personalizadas — para manter a relevância da marca além dos principais eventos de compras”.

Clientes mantêm-se fiéis às marcas favoritas
Segundo a análise, após uma tendência contínua, ao longo dos anos, marcada pela troca de marca devido ao preço, entre outras características, a tendência está a inverter.

As retalhistas e as marcas estão a ser levadas a planear promoções e oferecer descontos mais atrativos em grandes momentos de compra para impulsionar as vendas.

Assim, a percentagem de clientes recorrentes a nível global no primeiro trimestre foi de 43%, representando um aumento de 8% desde 2022.Esta tendência pode ser explicada, em parte, pelo compromisso das marcas com programas de fidelização nos últimos anos”, explica a Salesforce.

Compras em mobile mantêm domínio
As compras através de dispositivos móveis continuaram a crescer, concluiu a análise.

A quantidade de tráfego e pedidos que os dispositivos móveis geram em sites de e-commerce no primeiro trimestre do ano demonstram que o tráfego móvel global e os pedidos cresceram 4% em relação ao ano passado, atingindo uma quota de 78% e 66%, respetivamente.

As compras através de dispositivos móveis continuaram a crescer.

 “Grande parte do crescimento pode ser atribuído à experiência de checkout mais suave, facilitada pelo uso de carteiras digitais, que aumentou 46% face ao ano anterior. À medida que as experiências de pagamento móvel se tornam mais fáceis e os consumidores ficam mais confiantes na utilização destas opções de pagamento compatíveis com dispositivos móveis, é esperada que a migração móvel continue a atingir taxas de crescimento sem precedentes”, salienta a Salesforce.

O “Shopping Index” analisou a atividade e as estatísticas de compras online de mais de 1,5 mil milhões de consumidores globais únicos de mais de 67 países.

 

 

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