A Salsa Jeans quer fazer da portugalidade mais do que uma origem: quer transformá-la num fator de diferenciação global. Com a Proudtuguese Series, a marca portuguesa reforça a ligação entre moda, identidade e criatividade contemporânea, agora através de uma colaboração com AKACORLEONE que, segundo Daniela Neto, brand manager da Salsa, afirma um Portugal “fresco, inventivo e criativo” dentro e fora de portas.
Em entrevista à Distribuição Hoje, a gestora mostra que a Salsa está empenhada em usar as colaborações não apenas como exercício de imagem, mas como ferramenta de posicionamento, inovação e relevância cultural. Ao sublinhar a identidade portuguesa como um ativo raro num mercado globalizado, Daniela Neto defende que a Salsa quer ocupar um lugar ativo na valorização da criatividade nacional, ao mesmo tempo que adapta estas iniciativas aos diferentes mercados e prepara novas parcerias para consolidar a Proudtuguese Series como eixo estratégico da marca.
Confira aqui a entrevista com Daniela Neto:
De que forma esta colaboração com AKACORLEONE reforça o posicionamento da Salsa Jeans enquanto marca portuguesa com ambição internacional?
Quando criámos as Proudtuguese Series – uma série de colaborações com marcas, entidades ou personalidades portuguesas que inspiram as nossas equipas, que estão no radar do nosso processo criativo – o objetivo sempre foi que fossem uma representação da portugalidade de hoje: fresca, inventiva, criativa. Esta abordagem é, naturalmente, válida para o mercado português, mas é, também, uma afirmação junto do mercado internacional. É uma forma de mostrarmos, orgulhosamente, o que nos diferencia e de divulgarmos o melhor que se faz no nosso país.

Daniela Neto, Brand Manager da Salsa Jeans
A Proudtuguese Series parece assumir-se como uma plataforma de afirmação cultural para a marca. Que papel quer a Salsa ocupar hoje na valorização da criatividade portuguesa?
Um dos nossos valores de marca é uma combinação das palavras inglesas proud e portuguese: Proudtuguese. É um valor que pauta a nossa forma de trabalhar, o que criamos, como interagimos com os nossos clientes, fornecedores e até mesmo a dinâmica das nossas equipas. As Proudtuguese Series são uma extensão, uma materialização em produto deste sentimento e desta inspiração que nunca perde de vista as nossas raízes e costumes. Queremos ser uma marca que honra esse legado também na forma como interpreta a criatividade e como promove o diálogo com diferentes áreas culturais e artísticas.
Num mercado de moda cada vez mais globalizado, porque é importante para a Salsa sublinhar a sua identidade portuguesa de forma tão clara?
Nem setor cada vez mais competitivo e globalizado, onde a competição é dura e feroz, acredito que as marcas têm de se individualizar e destacar por algo que seja tão único e ‘seu’ quanto possível. Há fatores de destaque mais ou menos distintivos, mas quanto menos replicável, mais poderosa é a diferenciação. A nossa identidade portuguesa e tudo o que lhe é inerente é um exemplo de algo que poucas marcas, além de nós, podem oferecer no mercado internacional. É essa consciência da oportunidade que nos dá clareza de objetivos e de qual o caminho a seguir.
O conceito desta coleção gira em torno de identidade, diversidade e pertença. Como é que estes valores dialogam com a visão que a Salsa tem do Portugal contemporâneo?
Quando começámos a trabalhar com o Pedro (AKACORLEONE), pedimos-lhe a sua própria interpretação de Proudtuguese: o que significava, para ele, este conceito de portugalidade? A resposta foi, ao mesmo tempo, simples e espetacular: como alguém que viveu fora de Portugal e cuja família foi, também, emigrante, a diversidade do encontro de culturas tinha de ser o ponto de partida. ‘Identidade’ surge depois como a palavra que encerra esta ideia: decidimos que seria o nome da coleção, usado em português em todos os países onde comunicámos. Queríamos que tivesse o peso do idioma, mas que, adicionalmente, intuísse também que a identidade, ainda que portuguesa, pode assumir muitas configurações.
Depois de Álvaro Siza Vieira, a escolha de AKACORLEONE mostra uma abertura a linguagens criativas muito distintas. Que critérios orientam a seleção dos nomes convidados para a Proudtuguese Series?
Um dos pontos de partida para a eleição de convidados para a Proudtuguese Series é, muitas vezes, a partilha interna das nossas equipas: que nomes os inspiram, que marcas sentem que estão a fazer algo que marca a diferença. Há sempre este ponto transversal de inspiração interna que acaba por ditar muitas das nossas escolhas. Adicionalmente, tentamos manter uma amostra ampla de estilos, marcas e personalidades, diria até mesmo procurar o inesperado, aquilo que ninguém imaginou.
Até que ponto estas colaborações são pensadas apenas como projetos de imagem ou também como motores de inovação criativa dentro da própria marca?
Estas colaborações permitem-nos dar asas à imaginação, algo que qualquer equipa criativa sonha ouvir: é uma oportunidade de ouro para executar algumas ideias que nunca conseguimos fazer, até mesmo colocar à prova algo que gostávamos de ter nas coleções recorrentes, mas que nunca se proporcionou. São, sem dúvida, projetos que promovem o melhor das nossas equipas no que à criatividade diz respeito.
As coleções cápsula têm um efeito mensurável no tráfego para loja, no canal online ou mesmo na perceção de valor da marca? Como o medem?
É difícil medir efeitos globais, que se prendem, sobretudo, com posicionamento e notoriedade de marca. No entanto, sentimos um claro interesse neste tipo de iniciativas, no que diz respeito às interações com os conteúdos, na web e comunicações digitais – estes com métricas objetivas e fáceis de medir – e muita curiosidade em loja, sobretudo nos mercados internacionais, onde há mais enquadramento a fazer sobre as partes intervenientes nas coleções.
Que tipo de resposta esperam dos mercados onde a coleção está disponível (Portugal, Espanha e França)? Há diferenças na forma como cada mercado lê este tipo de colaboração?
Sim, a experiência diz-nos que as respostas são diferentes de país para país, naturalmente influenciadas pelos mais variados fatores: o conhecimento do artista, a predisposição a um tipo de estética e até a familiaridade com Portugal ou com este sentimento de orgulho português. Sabemos que, por exemplo, em França, temos uma certa propensão a ter clientes portugueses ou lusodescendentes, o que acaba por criar um laço com a marca, logo à partida. Já em Portugal ou Espanha, optamos, conscientemente, por ter a coleção disponível em lojas de grandes centros urbanos, em detrimento de outras possíveis localizações, para chegar a uma base de clientes que se possa identificar com a abordagem mais urbana de AKACORLEONE.
Temos em conta muitos fatores quando apostamos numa cápsula e numa determinada distribuição, o objetivo é que exista um impacto, não só em termos de vendas, como é expectável, mas um cultural também. Isso implica adaptarmos a comunicação em loja, a formação das equipas e até a forma de exposição de produto.
A Proudtuguese Series deverá continuar a crescer como eixo estratégico da Salsa? Podemos esperar novas colaborações com criadores portugueses de outras áreas?
Sim, sem dúvida, é um projeto de aposta para a Salsa Jeans. É como fosse uma forma de autoexpressão da própria marca, a sua forma de materializar o seu lado português, presente em muitos outros aspetos da operação, seja na comunicação, no conteúdo ou no desenvolvimento de produto. As Proudtuguese Series continuarão a crescer, com novas colaborações já no segundo semestre do ano.
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D.R. 
















