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Portugueses reduzem orçamento para férias e reforçam controlo dos gastos

Portugueses reduzem orçamento para férias e reforçam controlo dos gastos

O orçamento médio previsto pelos portugueses para as férias de 2026 é de 861 euros, abaixo dos 967 euros registados no verão do último ano e dos 1.353 euros indicados antes da pandemia, no verão de 2019.

Os dados constam do estudo “Férias 2026”, do Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, que revela uma maior prudência no planeamento financeiro das famílias portuguesas.

 

Apesar do contexto económico, 78% dos inquiridos já têm férias marcadas para 2026. Ainda assim, a maioria está a adaptar os planos para manter o controlo do orçamento, com quase três em cada dez portugueses a admitirem cortar gastos.

A maioria dos consumidores continua a financiar as férias através de rendimentos correntes e poupanças. Segundo o estudo, 54% utilizam o salário ou o subsídio de férias e 49% recorrem a poupanças acumuladas. Já 16% utilizam soluções de crédito, incluindo 12% através de cartão de crédito e 2% por crédito pessoal.

 

A inflação é o principal fator a condicionar as decisões sobre as férias, sendo referida por 39% dos inquiridos. Seguem-se a intenção de poupar, com 36%, o aumento dos combustíveis, com 35%, e as limitações do próprio orçamento, com 31%.

Neste contexto, 48% dos portugueses tentarão manter o mesmo nível de consumo do último ano, enquanto 29% admitem cortes efetivos, com maior incidência entre os consumidores dos 35 aos 44 anos. Mais de metade dos inquiridos, 57%, impuseram um limite às despesas, fixando-as abaixo dos 1.000 euros. Apenas 17% tencionam gastar mais de 1.500 euros.

 

Apenas 12% dos consumidores perspetivam gastar mais face ao último ano, sobretudo entre os jovens dos 18 aos 24 anos.

Na distribuição do orçamento, os custos fixos absorvem a maior parte da despesa. O alojamento representa 32% do total previsto, seguido pela alimentação, com 29%. Os transportes pesam 21% no orçamento, ficando 18% disponíveis para lazer, entretenimento e outros extras.

 

Para fazer render o orçamento sem abdicar das férias, 28% dos portugueses reduziram gastos em atividades e restauração, 27% optaram por alojamentos mais económicos e 21% desistiram de viajar para fora do país.

Ainda assim, viajar continua nos planos de 66% dos portugueses. O estudo aponta para um maior peso do turismo nacional, com 44% a optarem exclusivamente por férias em Portugal. Já 30% viajarão apenas para o estrangeiro, sobretudo jovens entre os 18 e os 34 anos, enquanto 21% pretendem combinar férias em Portugal e no estrangeiro.

Quanto à tipologia de alojamento, os hotéis continuam a ser a opção preferida, escolhida por 43% dos inquiridos. Seguem-se o alojamento local, com 24%, os apartamentos ou moradias arrendadas, com 19%, e a casa de familiares, também com 19%.

O verão, entre junho e setembro, mantém-se como o período preferencial para as férias, referido por 64% dos portugueses. Agosto concentra a maior intenção, com 34%, e a duração média prevista é de duas semanas, indicada por 53% dos inquiridos. Os jovens dos 18 aos 34 anos contrariam parcialmente esta tendência, distribuindo mais as férias ao longo do ano.

A tecnologia começa também a ganhar espaço no planeamento das férias. Segundo o estudo, 62% dos portugueses já consideram ferramentas de inteligência artificial (IA) na organização das viagens.

As principais utilizações passam pela pesquisa de destinos, referida por 33%, pela comparação de opções, também com 33%, pelo planeamento de roteiros personalizados, com 32%, e pelo suporte em viagem, com 18%.

Ainda assim, no momento de validar escolhas e decidir onde alocar o orçamento, os consumidores portugueses continuam a valorizar fontes de proximidade. As recomendações de pessoas conhecidas e amigos surgem como as fontes mais fiáveis, seguidas das avaliações e reviews online de outros utilizadores e das agências de viagens. A inteligência artificial ultrapassa, no entanto, os influenciadores digitais, que surgem como a fonte menos valorizada no planeamento das férias.

 

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