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Produção

Funcionalidade passa de nicho para padrão de mercado, aponta estudo

iStock

A incorporação de benefícios funcionais em produtos alimentares do dia a dia está a ganhar escala no retalho e no foodservice, com os consumidores a valorizarem cada vez mais o impacto nutricional das suas escolhas, segundo um estudo da GlobalData.

De acordo com a consultora, a inovação orientada para a funcionalidade, como adição de proteína, suporte à saúde digestiva ou energia sustentada, está a passar de nicho para padrão de mercado. Um inquérito global realizado no quarto trimestre de 2025 indica que 66% dos consumidores afirmam que as suas decisões de compra são influenciadas pelo impacto percebido na saúde.

Inovação: Consumidores querem soluções práticas, sustentáveis e (a preços) acessíveis

Esta evolução reflete mudanças nos hábitos de consumo, com maior procura por soluções práticas que se integrem em rotinas alimentares fragmentadas e em movimento, sem comprometer objetivos de bem-estar. Nesse contexto, produtos como bebidas prontas a consumir, lacticínios e snacks estão a ser reformulados para incorporar valor nutricional adicional.

Savitha Kruttiventi, Consumer Analyst da GlobalData, refere que “a relevância comercial da alimentação funcional é reforçada pelo sentimento dos consumidores”, acrescentando que 61% dos inquiridos priorizam produtos que se adequem às suas restrições de tempo e orçamento. “Isto destaca a necessidade de benefícios funcionais serem disponibilizados em formatos convenientes e acessíveis”, afirma.

A proteína surge como um dos principais vetores desta transformação, sendo cada vez mais integrada em alimentos e bebidas familiares. Esta estratégia permite aumentar a ingestão sem alterar rotinas, alargando o consumo para além do segmento desportivo e posicionando estes produtos como alternativas de saciedade, energia e substituição de refeições.

A tendência é visível em vários lançamentos recentes. Em fevereiro de 2026, a Doritos anunciou uma reformulação com foco em proteína, com novas variantes que oferecem 10 gramas por dose e o lançamento previsto de embalagens com 17 gramas. No mesmo período, a Twirtles Super Puffs introduziu no mercado indiano snacks com proteína, vitaminas e minerais, posicionados como opções de baixo teor calórico.

Também em fevereiro, a Starbucks expandiu a sua gama de café com proteína nos Estados Unidos e reforçou a presença no retalho com bebidas prontas a consumir que combinam café com 22 gramas de proteína, fibra prebiótica e baixo teor de açúcar. Já em março, a PepsiCo alargou o portefólio com produtos ricos em fibra, como SunChips Fiber e Smartfood FiberPop.

Segundo Kruttiventi, “os benefícios funcionais deixaram de ser um elemento diferenciador para se tornarem uma expectativa base”, com as marcas a integrarem atributos como proteína e saúde digestiva em formatos familiares. A analista acrescenta que esta abordagem permite aos consumidores “melhorar rotinas quotidianas sem comprometer sabor, conveniência ou acessibilidade”.

O inquérito GlobalData 2025 Q4 abrangeu 22.613 consumidores em 42 países.

 

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