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Retalho

Entrevista a Christophe de Pompignan, CEO do Oney Bank Portugal, e Paulo Pinto, CEO da La Redoute Portugal

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“O e-commerce é uma parte importante do futuro da economia”

O crescimento exponencial do comércio digital fez aparecer propostas de pagamentos diferenciados. A associação entre o Oney Bank e a La Redoute, em Portugal, permite ao consumidor online, com residência em Portugal, comprar, independentemente da localização geográfica com a nova solução de crédito 3x 4x Oney. Para o comerciante de e-commerce aderente, neste caso, La Redoute, não há qualquer risco associado, uma vez que o Oney assegura o pagamento no momento da venda. A DISTRIBUIÇÃO HOJE falou com os dois responsáveis máximos por ambas as operações no nosso país que, cada um à sua maneira, admitiu que não se pode mais falar de offline e online, “mas sim de experiência omnicanal, de complementaridade”.

O Oney Bank e a La Redoute iniciaram uma parceria no âmbito da solução de crédito. No que consiste esta parceria e no que se traduz na prática?
Christophe de Pompignan (CdP): Somos uma empresa focada na inovação, e, acompanhando a tendência de crescimento do comércio eletrónico, não apenas ao nível global, mas também em Portugal, no Oney Bank desenvolvemos uma alternativa de financiamento para pagamentos online, que permite fazer compras nos sites de e-commerce, que sabemos serem procurados pelos consumidores.
Está no nosso ADN inovar para melhorar a experiência do cliente e aportar valor aos nossos parceiros na área do retalho. Assim, esta parceria permite aos clientes da La Redoute beneficiar de um crédito pessoal online 3x 4x Oney para aquisição dos seus produtos de uma forma simples, segura e rápida, com pagamento fracionado em 3 ou 4 prestações, sem juros ou quaisquer outros encargos para o consumidor, bastando para tal aceder ao site do Oney Bank, onde são apresentadas as condições de acesso e é assegurado todo o processo de subscrição.
Numa ótica de cliente, é uma opção sem custos adicionais, disponível 24 horas por dia para consumidores online, independentemente da localização geográfica, desde que tenham residência em Portugal.
Na ótica da parceria, pensámos no que seria fundamental para o comerciante e com o 3x 4x Oney, para além da viabilização da compra a crédito, o Oney Bank assegura o pagamento da venda em 48 horas, não havendo, por conseguinte, qualquer risco para o parceiro aderente, ou seja, uma enorme vantagem e tranquilidade para o retalhista.
Paulo Pinto (PP): Com esta parceria pretendemos, acima de tudo, facilitar a vida dos nossos clientes, através de uma solução alternativa para aquisição dos produtos da La Redoute, que se assume simples e eficiente. Sendo a La Redoute uma empresa de e-commerce, era imperativa a associação a um parceiro apto a disponibilizar uma solução imediata, online e adequada à nossa oferta de produtos. Assim os nossos clientes podem pagar as suas encomendas em 3x ou 4x, de acordo com a sua conveniência. A escolha do Oney Bank como parceiro surgiu naturalmente vista a experiência adquirida a nível europeu e a credibilidade que apresenta na área do negócio digital.

3x 4x porquê?
CdP: A nossa experiência no mercado mostra-nos que os consumidores querem ter capacidade para pagar as compras num curto espaço de tempo e de forma simples e – extremamente importante – de forma segura. Foi com base nestas premissas e na adaptação que temos vindo a fazer aos novos hábitos de consumo, que inovámos na forma de financiar as compras e comodamente o cliente pagar em 3 ou 4 prestações, deixando essa escolha do lado do cliente.
Compreendemos que esta possa ser uma ajuda para os clientes que, possivelmente, não avançariam na compra por necessitarem de dispor da verba e neste caso, este produto, que se insere no crédito pessoal, tem um processo de subscrição facilitada e totalmente online, integralmente realizada num ambiente digital Oney Bank, exclusiva para os parceiros Oney mas disponível para todos os clientes, independentemente de serem ou não clientes Oney, tornando a experiência de compra do cliente simplificada e disponível para cartão de débito e de crédito das redes Visa e Mastercard, emitido por uma instituição autorizada a operar em Portugal.
Por outro lado, a nossa preocupação residiu também em ajudar os retalhistas a potenciarem as suas vendas, através do aumento da taxa de conversão e do carrinho de compras, permitindo captação de novos clientes. Sabemos que esta solução inovadora no mercado em Portugal tem enorme potencial e tal prende-se também pelo facto de ser fácil e de rápida integração nas plataformas de e-commerce (online) já existentes nas páginas dos comerciantes.
PP: A oferta de produto da La Redoute tem evoluído muito ao longo dos últimos anos. À tradicional oferta têxtil veio juntar-se a aposta na casa com a venda de mobiliário a liderar fortemente nos últimos tempos. Consequentemente, o valor médio do cabaz cresceu cerca de 15% e acreditamos que ao disponibilizarmos esta solução perfeitamente adaptado ao tempo atual e sem custos para o cliente, este valor continuará a progredir. A solução 3x e 4x Oney é ágil e confere ao mercado português as respostas necessárias ao contexto atual.

Esta é uma resposta ao crescimento do comércio eletrónico? Sem esse crescimento, esta iniciativa teria sido lançada?
CdP: O 3x 4x é, de facto, a nossa resposta ao crescimento do comércio eletrónico, embora exista já noutros países e num formato diferente por questões regulatórias de cada país, como em França – onde é líder, na Bélgica, em Espanha e em Itália.
Ou seja, teríamos lançado à mesma esta resposta ao e-commerce, porque, naturalmente, acompanhamos as tendências e os comportamentos dos consumidores.
Sabemos bem que o futuro continuará a passar pela desmaterialização dos processos e por soluções online, ou seja, o e-commerce é uma parte importante do futuro da economia. A toda esta realidade, juntamos a experiência internacional que temos no grupo Oney na área do e-commerce, que é um contributo muito importante.
PP: Esta iniciativa surge em primeiro lugar como uma resposta natural à evolução da oferta de produto da La Redoute, conciliada com as exigências do e-commerce. Em termos processuais, procura-se uma solução simples, online, rápida e segura. As alternativas de pagamento existentes hoje no nosso país são poucas e mais do que uma resposta, esta iniciativa é, para mim, uma solução que irá ajudar à expansão do comércio eletrónico em Portugal.

Do lado do Oney Bank, são vários os retalhistas especializados nesta iniciativa. Haverá lugar a expandir a iniciativa ao retalho alimentar?
CdP: Na perspetiva online, acreditamos que há mercado para todos os retalhistas que pretendam que as suas vendas aumentem. Temos o retalho no nosso ADN, porque somos um banco diferente, com origens no comércio e desde sempre acompanhamos os parceiros no retalho físico e queremos acompanhá-los também no seu percurso online.

Do lado do Oney Bank, porquê a parceria com a La Redoute?
CdP: A La Redoute é líder no seu setor e uma insígnia de referência para todos no comércio eletrónico, pelo que é um privilégio podermos partilhar esta experiência com a marca de confiança La Redoute. Acreditamos que podemos contribuir para a alavancagem do poder de compra dos clientes La Redoute e deste modo sermos um facilitador do dia a dia destes consumidores.
Por outro lado, no Oney Bank identificamo-nos também com as marcas que apostem na sustentabilidade e que estejam alinhadas com os nossos valores. O consumo responsável faz parte da história da marca La Redoute pelo que se reforça também desta forma a força desta parceria.

“Algumas soluções de pagamento online são ainda percecionadas com receio, pelo que o lançamento de uma alternativa adicional tem como principal objetivo facilitar a vida dos nossos clientes e acompanhar a oferta já existente no contexto offline” – Paulo Pinto

Do lado da La Redoute, porquê esta parceria com o Oney Bank?
PP: O 3x e 4x, desenvolvido pelo Oney Bank tem sido um sucesso em diversos países da Europa e apesar das diferenças culturais de cada mercado, a experiência digital rege-se por princípios transversais. Este know-how garante-nos uma vantagem competitiva à altura de uma empresa como a La Redoute que tem sido muitas vezes identificada como um dos motores de desenvolvimento do e-commerce em Portugal, e para quem a satisfação do consumidor é uma prioridade no momento de selecionar os seus parceiros.

Uma oferta segura
Porquê o limite de 2.000€?
CdP: O 3x 4x Oney permite compras desde 75 euros até 2 mil euros por questões práticas para consumidores e retalhistas, para simplificação dos processos, no âmbito da tipologia de crédito para compras online com fracionamento, sem juros ou quaisquer outros encargos. Estamos a falar de um procedimento totalmente digital, sendo apenas necessário a utilização do documento de identificação.
Deste modo, com este limite de valores, acreditamos também que é possível promover um crédito responsável para o consumidor final.

Numa altura em que, em termos económicos, os consumidores passarão por dificuldades, propor estas facilidades de pagamento não poderão ser vistas de forma negativa. Ou seja, incentivar o consumo, numa altura em que o rendimento disponível ficará mais reduzido?
CdP: É precisamente nestes momentos que devemos estar ao lado das pessoas. Porque se estamos nas fases em que a economia cresce, temos também de estar nos momentos desafiantes e quando surgem novas necessidades, em que as famílias precisam de liquidez para avançar, oferecendo soluções flexíveis que permitam manter os hábitos da vida quotidiana. É importante lembrar que deste modo podemos contribuir para a flexibilização dos orçamentos das famílias.
PP: O peso das compras online em Portugal é muito reduzido quando comparado com os outros países europeus. A experiência digital que inúmeras famílias viveram neste período de pandemia vai levar a uma evolução dos hábitos de compra. Algumas soluções de pagamento online são ainda percecionadas com receio, pelo que o lançamento de uma alternativa adicional tem como principal objetivo facilitar a vida dos nossos clientes e acompanhar a oferta já existente no contexto offline.
Desta forma, o leque de soluções do consumidor é mais abrangente e não fica dependente apenas das ofertas offline, o que se traduzirá numa grande vantagem para ultrapassar eventuais dificuldades no atual contexto económico.

Em termos de operação, qual o incremento que a La Redoute registou nas vendas neste período de pandemia?
PP: Após um mês de março em que as famílias sentiram muitas dúvidas e receios em relação ao futuro, concentrando a maioria dos seus gastos em bens de primeira necessidade e em equipamentos eletrónicos que lhes permitissem responder aos desafios imediatos do teletrabalho e das aulas à distância, os meses de abril e maio revelaram-se muito diferentes. Na La Redoute as vendas cresceram a dois dígitos, fruto de um significativo fluxo de entrada de novos clientes que descobriram as facilidades do e-commerce e a qualidade e a abrangência da nossa oferta de produto.

O facto de só ter operação online foi um fator facilitador?
PP: Com certeza. Em Portugal, para além da atividade online a La Redoute tem uma loja Outlet, em Leiria, que esteve fechada durante dois meses. A nossa loja online nunca ‘fechou’ e as nossas operações logísticas e de distribuição foram muito ativas durante o pico da pandemia.

No futuro, é possível surgirem mais iniciativas e parcerias deste tipo?
CdP: Sim, o e-commerce tem muito potencial e queremos continuar a acompanhar esta tendência, pelo que estamos sempre atentos a novas parcerias.
Queremos poder trabalhar com vários setores de atividade, desde a educação, os serviços de catering, de bem-estar, as energias, o turismo, o Marketplace. Queremos trabalhar com a maior amplitude de marcas e a maior diversidade de setores.
Estamos a falar de uma solução win-win por ser simples e segura para o consumidor, que lhe dá a oportunidade de financiar os seus projetos; bem como de uma oportunidade para os comerciantes de aumentarem as suas vendas. E aproveito para sublinhar que colocamos a segurança online como prioritária, pelo que o 3x 4x Oney é 100% seguro graças ao inovador sistema anti-fraude da empresa do grupo, o Oney Trust.
PP: A nossa estratégia comercial assenta no slogan “Trazemos mais brilho à vida das famílias” e numa orientação customer centric. Nesse sentido, todas as iniciativas que enriqueçam a experiência de compra dos nossos clientes serão analisadas e poderão vir a traduzir-se em parcerias semelhantes a esta.

“É fundamental compreendermos de que forma os novos hábitos se enraizaram e se podem trazer oportunidades a novos retalhistas digitais” – Christophe de Pompignan

Como olham para o consumo em Portugal para este ano?
CdP: Os hábitos de consumo sofreram profundas transformações nos últimos meses. Sabemos que o retalho online ganhou uma nova força e estamos muito curiosos em ver o real comportamento dos consumidores nos meses que se seguem. É fundamental compreendermos de que forma os novos hábitos se enraizaram e se podem trazer oportunidades a novos retalhistas digitais.
Por outro lado, sabemos que algumas famílias vivem momentos mais difíceis, pelo que queremos acreditar que vamos todos fazer um esforço para que a economia possa crescer e as pessoas possam sentir-se novamente seguras e confiantes.
PP: Inevitavelmente, esta pandemia veio favorecer uma realidade pautada pela incerteza e pelo abrandamento do consumo de bens não essenciais. O aumento do desemprego vem reforçar ainda mais esse receio. 

O potencial digital
Os analistas referem que Portugal pode ter dado um salto tecnológico que, sem esta situação de pandemia, teria demorado uma década. Esta transformação digital é benéfica para o digital, mas prejudicial para o físico. Como equilibrar esta realidade?
CdP: Acreditamos sobretudo nas experiências integradas, que sabem e conseguem conciliar o online e o offline, porque, afinal, as pessoas são quem realmente conta e o consumidor é quem tem sempre a decisão final, seja na realidade digital como na física.
Estamos totalmente conscientes do papel da transformação digital e da sua importância para uma empresa se manter competitiva e o 3x 4x é, na verdade, uma das respostas do Oney à transformação digital, porque, veja, damos resposta imediata ao cliente, financiamos também de modo rápido, como se quer online, e temos um processo sem qualquer recurso ao papel, totalmente digital. Acreditamos que há sempre novos caminhos por fazer, pelo que vamos continuar a apostar no online, bem como continuar a cuidar do espaço físico.
PP: A pandemia veio, de facto, acelerar a penetração digital, mas o nosso gap em relação a outros países da Europa permanece o mesmo. Em países onde a maturidade digital é maior já não se fala de online ou offline, mas sim de experiência omnicanal, de complementaridade. A digitalização dos processos permite uma melhoria da gestão e impõe uma estratégia focada no cliente. Ambos os canais são necessários e quanto mais digital é uma organização mais o offline sairá reforçado visto existir uma estratégia integrada onde o objetivo final é a satisfação do consumidor e o proporcionar de uma experiência de compra de exceção.

A penetração do comércio digital em Portugal ainda é muito reduzida, quando comparado com realidades de países europeus mais para Norte. Quais serão os setores que mais beneficiarão desta transição para o digital?
CdP: Acreditamos que talvez os setores do retalho, da eletrónica e o alimentar possam ser os mais beneficiados, não obstante, parecer-nos importante apostar também em setores fulcrais para a economia do país, como o do turismo, por exemplo.
Uma das lições que podemos retirar desta fase de pandemia é que, de facto, o confinamento veio mostrar a necessidade de reinventarmos os negócios, bem como revelar que todos eles, independentemente do setor, têm potencial e apresentam mais valias para a experiência de compra do consumidor.
PP: Como já referido, a nossa quota de mercado digital é muito reduzida. Honestamente, não sei quais os setores que irão sair mais beneficiados com esta transição, mas acredito que um dos setores que registava uma quota muito reduzida face à europa era o alimentar. Este setor é primordial pois tratando-se de bens de primeira necessidade induz a uma repetição de compra que permite ao internauta a familiarização com os processos de compras digitais, acabando por beneficiar toda a cadeia digital. Todos os setores têm de entender que o canal digital é uma ferramenta de gestão incontornável no mundo atual, permitindo um conjunto de benefícios quando aplicado através de uma estratégia bem definida e onde a satisfação do consumidor é o principal objetivo.

 

 

Destaque

 

“Algumas soluções de pagamento online são ainda percecionadas com receio, pelo que o lançamento de uma alternativa adicional tem como principal objetivo facilitar a vida dos nossos clientes e acompanhar a oferta já existente no contexto offline” – Paulo Pinto

 

“É fundamental compreendermos de que forma os novos hábitos se enraizaram e se podem trazer oportunidades a novos retalhistas digitais” – Christophe de Pompignan