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Retalho

Discounters liderarão crescimento do retalho alimentar até 2030, diz estudo

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Os operadores discount deverão manter-se como o canal físico de mercearia com crescimento mais rápido a nível mundial até 2030, segundo o relatório “Global discount trends 2026” da IGD.

Na página de apresentação do estudo, a consultora refere que identificou quatro tendências com potencial para criar oportunidades duradouras neste canal, num contexto em que a evolução do comportamento do consumidor, a pressão macroeconómica e o peso crescente da marca própria estão a redefinir o retalho discount.

De acordo com os dados avançados pela Retail Gazette com base no relatório da IGD, o canal discount deverá crescer a uma taxa média anual de 4,8% até 2030, acima dos 4,0% esperados para o mercado global de mercearia no seu conjunto. A mesma análise aponta para que os discounters passem a representar 9,7% das vendas mundiais de grocery até ao final da década, acrescentando 209 mil milhões de dólares em novas receitas.

A Europa deverá continuar a ser o principal bastião deste formato. Segundo a IGD, o canal discount deverá atingir uma quota de 23,6% do mercado europeu de mercearia até 2030, mantendo a região como o centro de gravidade deste modelo de negócio. A análise aponta ainda para novos focos de crescimento nos Estados Unidos, Rússia e Polónia.

O relatório destaca também o papel de grandes operadores como Aldi e Lidl, que, em conjunto, poderão gerar 334 mil milhões de dólares em vendas até 2030, impulsionados pela aposta contínua em marca própria, pela expansão da Aldi Süd nos Estados Unidos e por estratégias de preço e fidelização mais assentes em dados no caso da Lidl na Europa.

Outro dado relevante é o desempenho esperado dos chamados variety discounters, como a Action na Europa e a Dollar Tree nos Estados Unidos e no Canadá. Segundo a IGD, este segmento poderá crescer ainda mais depressa do que os formatos discount focados em alimentação, com uma taxa média anual de 6,3% até 2030, sustentada pela procura de propostas de valor em não alimentar, pela compra por impulso e pelo reforço da marca própria.

Entre as tendências destacadas pela IGD está a ideia de “valor sem compromisso”, com os discounters a alargarem a sua proposta para lá do preço, através de melhorias na qualidade, no desenvolvimento da marca própria e na experiência de compra. O relatório sublinha também a crescente atenção à saúde acessível, à sustentabilidade visível no ponto de venda e ao recurso a tecnologia para acelerar a inovação operacional.

Dan Butler, analista sénior da IGD, defende que os discounters deixaram de ser vistos apenas como operadores de baixo custo e passaram a ocupar uma posição de vanguarda no retalho, com lojas mais tecnológicas, maior foco em saúde e sustentabilidade e maior resiliência às oscilações do poder de compra. A leitura da consultora é clara: o estigma associado à compra em discount está a desaparecer e o canal entra na próxima fase do mercado com uma imagem mais forte e um posicionamento mais sólido.

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