A Distribuição Hoje esteve durante três dias num dos maiores certames para marcas, retalhistas e responsáveis do canal HoReCa e da hospitalidade. Realizado na capital Catalã, ‘alojado’ na Gran Via, mergulhámos na dinâmica de um evento que atrai a atenção de responsáveis de empresas de centanas de geografias.
E o que mais nos marcou? Quem passa pela Alimentaria & Hostelco percebe rapidamente a dimensão do certame, mas também a sua capacidade de antecipar tendências, reunindo num só espaço muitos dos sinais que apontam o caminho que os vários setores representados poderão seguir nos próximos anos. Por isso, resumir um evento que se estende por sete enormes pavilhões, acolhe dezenas de nacionalidades e tem expressão à escala global é uma missão complexa. Ainda assim, ao eleger os temas-chave do evento, talvez se consiga partilhar um pouco da dinâmica deste ‘show’.

Inovação foi, sem dúvida, uma das palavras mais ouvidas em todas as intervenções. Com uma grande área pensada exclusivamente para o tema, a Innoval, nem por isso a inovação ficou circunscrita a essa zona do evento. Todas as bancas e marcas presentes procuraram trazer para a Alimentaria aquilo que melhor fazem e este foi, sem dúvida, um dos temas mais marcantes.
De ‘enchidos’ de pescado a braços robotizados que tiravam cafés durante o evento, a inovação esteve patente em quase todos os cenários que visitámos. O foco, contudo, é sempre o mesmo: eficiência. E a inovação serve precisamente para isso, para libertar recursos e colocar o foco na experiência do consumidor.

Outro dos temas várias vezes presente nas dezenas de conversas que mantivemos foi a sustentabilidade. Como bem sabemos, este é um trabalho inacabado e permanente. Da embalagem às formas de conceção, passando, novamente, pela eficiência produtiva, a sustentabilidade surge como ponto central de qualquer modelo de negócio. O equilíbrio entre aposta sustentável e sustentabilidade do negócio é uma das preocupações mais latentes, mas isso não impede a maioria das marcas presentes de continuar a trilhar esse caminho.

A produção foi outro dos temas-chave. A economia espanhola tem vindo a apostar em produtos biológicos, ajudando estes produtos a dar o salto e a transformar uma tendência de nicho num modelo de negócio diferenciador. Sendo hoje o maior produtor de produtos biológicos a nível europeu, o tema esteve bem presente em todo o programa, na maioria das conversas e nos debates paralelos ao que acontecia no evento.
Se tivéssemos de resumir o ‘resumo’, passando o pleonasmo, diríamos que estes três eixos se conciliam numa estratégia clara: premiumização. Todos os esforços das diversas indústrias representadas parecem apontar para um reforço da qualidade dos bens oferecidos, aliando três vetores centrais: inovação com impacto, sustentabilidade com critério e produção com foco na qualidade e na excelência.

Por fim, numa edição celebrativa de 50 anos de existência, em que o país convidado foi a Polónia, que esteve em destaque central em termos geográficos, nota também para a crescente presença de empresas e produtos do mercado asiático. Numa postura atenta e de penetração no mercado europeu, era nítida, ao percorrer a feira, a presença de empresas desta região.
E, claro, houve um tema — ou melhor, um país — incontornável, ainda que muitas vezes nos bastidores: os Estados Unidos. Sendo um dos mercados mais relevantes em termos de valor para a economia europeia, e tendo em conta as dificuldades políticas conhecidas no estabelecimento da relação entre os dois continentes, nas conversas que tivemos oportunidade de manter, quer com responsáveis do evento, quer com marcas presentes no certame, ficou clara a ideia de que a diversificação de mercados é hoje estrategicamente decisiva para todos.

D.R. Alimentaria 


































