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Produção

Renova: Fábrica ganha ‘vida verde’ com novo investimento

D.R.

A Renova construiu uma marca conhecida pela cor, pelo design e pela irreverência, mas a capacidade de competir fora de Portugal depende também do que acontece longe da prateleira. Produção, energia, automação, stocks e expedição, são cada vez mais centrais na operação da marca. Em Torres Novas, a empresa está a reforçar essa base industrial com investimentos em biomassa, eficiência energética e um novo armazém automatizado.

A Renova voltou a colocar a fábrica da Zibreira, em Torres Novas, no centro da sua estratégia industrial. A inauguração do projeto Descarbonizar@Renova, assente numa nova central de biomassa e em várias medidas de eficiência energética, foi apresentada pela empresa como um passo na redução da pegada carbónica, mas também como parte de um ciclo mais amplo de investimento em capacidade produtiva, logística, automação e competitividade.

Para Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova, a empresa deve ser lida antes de tudo como uma marca. Uma marca portuguesa, nascida numa categoria tradicional e pouco diferenciada, mas que procurou afirmar-se pela criatividade, pela relação com os consumidores e pela internacionalização. “A Renova é uma marca”, afirmou o responsável, sublinhando que vender sob marca própria continua a ser uma exceção relevante na indústria portuguesa.

 

O CEO recordou que a internacionalização foi a resposta encontrada pela empresa para crescer para além da dimensão limitada do mercado nacional. A Renova começou por Espanha e França, mas passou a competir em diferentes geografias com algumas das maiores multinacionais mundiais do setor. Segundo Paulo Pereira da Silva, esse percurso exige tempo, coerência e persistência, mas demonstra que é possível construir uma marca portuguesa com presença internacional mesmo numa categoria tão funcional como o papel tissue.

A dimensão dessa operação é hoje visível na escala de consumo. De acordo com o CEO, a Renova contabiliza cerca de 10 milhões de atos de compra por mês em todo o mundo. “Às vezes nós não temos muita noção daquilo que sai daqui da fábrica para o mundo inteiro”, afirmou, referindo-se ao volume de produtos que partem da unidade industrial de Torres Novas para vários mercados.

 

É nesse contexto que a modernização industrial ganha importância. O ciclo de investimento realizado pela Renova em Torres Novas e na região ascende a cerca de 152 milhões de euros nos últimos anos, abrangendo modernização industrial, capacidade produtiva, eficiência energética, digitalização, logística, qualidade ambiental e inovação de processos e produtos. O projeto agora inaugurado representa uma nova etapa nesse caminho, ao reduzir a dependência do gás natural, reforçar a eficiência energética e aumentar a resiliência da operação industrial.

O novo armazém automatizado é uma das peças desse ciclo de investimento. A infraestrutura tem como objetivo tornar a operação mais eficiente, mais integrada e mais preparada para responder à complexidade do negócio. A Renova trabalha com múltiplas referências, diferentes mercados e exigências logísticas crescentes, o que torna a gestão de stocks e a articulação entre produção e expedição cada vez mais relevantes.

 

Segundo a empresa, a automatização permite melhorar a gestão de stocks, reduzir movimentos desnecessários, aumentar a segurança operacional, acelerar tempos de resposta e apoiar de forma mais robusta a exportação. O impacto não se limita, por isso, à armazenagem. Está também na capacidade de ligar melhor produção, transformação, stock e expedição, contribuindo para maior produtividade, melhor planeamento e uma operação globalmente mais eficiente.

No centro do projeto Descarbonizar@Renova está a produção de vapor, uma etapa essencial no fabrico de papel tissue. Durante a visita à central de biomassa, Ricardo Silva, diretor de Manutenção da Renova, explicou que o vapor é necessário para secar a folha durante a formação do papel. Até aqui, essa energia térmica era produzida através de caldeiras alimentadas a gás natural. Com a nova central, a biomassa passa a assumir-se como uma das principais fontes de energia térmica da fábrica, permitindo reduzir para cerca de metade o consumo de gás natural.

 

A central recebe diariamente cerca de 90 toneladas de estilha, usadas para alimentar a câmara de combustão. A partir desse processo, a Renova produz cerca de 18 toneladas de vapor por hora, a uma pressão aproximada de 20 bar, que depois é ajustada às necessidades das máquinas de papel. O processo inclui ainda recuperação de calor, secagem de lamas e sistemas de controlo das emissões gasosas.

Embora o projeto seja apresentado sobretudo como uma medida de descarbonização, a sua leitura industrial vai além da redução de emissões. Filipe Almeida, Strategic Planning and Business Development Director da Renova, enquadrou-o como parte de uma estratégia para tornar a empresa mais resiliente e competitiva. O plano inclui sete medidas de utilização racional de energia: uma ligada à produção de energia a partir de fontes renováveis e seis focadas na eficiência e recuperação de energia dentro da fábrica.

A modernização passa também pela eletrificação parcial da secagem do papel, com a nova hood elétrica da Máquina 6, e pela recuperação de energia térmica das chaminés das máquinas de papel, reutilizada em diferentes áreas do processo produtivo. Estas medidas reduzem perdas, melhoram a eficiência e ajudam a preparar a fábrica para um contexto em que energia, emissões e custos industriais pesam cada vez mais na competitividade.

A produção de papel tissue, apesar de estar associada a produtos de uso quotidiano, é industrialmente exigente. O processo obriga a um controlo rigoroso da fibra, da água, da energia, da qualidade e do desperdício. A Renova tem vindo a trabalhar estas dimensões através da modernização das unidades industriais, da eficiência energética, da otimização do consumo de água, da incorporação de fibras recicladas e da utilização de fibras alternativas, como o cânhamo.

Em paralelo, a empresa tem acelerado a digitalização e a utilização de inteligência artificial para otimizar processos, reforçar o controlo de qualidade e aumentar a eficiência operacional. Para uma marca que compete em vários mercados internacionais, estes investimentos reforçam a base industrial que sustenta a produção, a diferenciação e a capacidade de resposta da Renova.

 

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