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Alimentária&Horexpo 2015

Opinião: “A Alimentária morreu. Viva a Alimentária!”

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Por Filipe Gil, Diretor Editorial da Distribuição Hoje

Um dia depois de terminar a edição deste ano da Alimentária&Horexpo é possível fazer uma reflexão sobre o evento.

 

Durante estes últimos três dias ouvi variadíssimas empresas expositores e ainda interlocutores do setor alimentar.  À pergunta: foi uma boa ou má feira? Não é possível responder taxativamente mas  é possível fazer uma reflexão com uma premissa absoluta: uma nova Alimentária tem de nascer na próxima edição.  Existem vários caminhos que podem ser escolhidos e que irei apontar no final destas linhas. Para já, aquilo que, no meu entender, correu bem e correu mal.

O BOM:

 

– Para as PME’s que lançaram produtos, que participaram pela primeira vez existiram contatos, muitos. Se se transformaram em negócio, já é com cada um, mas que serviu para muitas empresas terem um local privilegiado de contacto com exportadores, retalhistas, etc., a feira cumpriu a sua promessa.

– Havia gente na feira. O dia de segunda-feira foi um bom dia mesmo para os mais exigentes.

 

– Muitos espanhóis a visitarem a feira, muitas empresas espanholas que quiseram marcar presença no evento.

– As Conferências paralelas organizadas durante a Alimentária. Sobretudo a do Fórum do Consumo e da Kantar Worldpanel.

 

– A realização da Alimentaria é sempre uma data importante e de salutar no setor alimentar em Portugal. Só por si é muito positivo.

– As iniciativas paralelas do Portugal Agro (Concurso de Chef’s, Concurso de Baristas), que apesar de ser uma feira à parte da Alimentaria este ano esteve muito ligada a esta última.

O MAU:

– Ausências de peso. Podia enumerar aqui duas dezenas de empresas nacionais e multinacionais que causa muita estranheza não estarem na Alimentária. Há duas reflexões a fazer. Da parte da organização, por que razão essas empresas não se revêem na Alimentária atual, urge perceberem isso! Da parte das empresas, não caberá o papel de, mesmo com uma feira vem minguando de tamanho de edição para edição, estar presentes? Não lhes caberá uma percentagem do sucesso ou insucesso das Alimentarias?

– Feira pequena. Espera-se, de uma Alimentaria, um mínimo de dois pavilhões dedicados ao setor alimentar e 1, no mínimo, para a Horexpo. Obviamente, que a organização não pode inventar quando não há expositores, mas há esta barreira psicológica do espaço que nas feiras organizadas em Portugal começa a ser evidente – independente do setor.

– Muitas empresas, não todas, me indicaram que as feiras não são para fazer negócio. Quase que pergunto: então servem para quê? Será que essa abordagem não é errada? Não deverá ser feito um esforço de, efetivamente, fechar ou quase negócios na feira?

– Preços. Não houve uma só empresa que indicasse que os preços praticados pela organização não são demasiado altos. Sem dados concretos para opinar sobre o assunto, é notório que a organização tem de fazer uma reflexão neste assunto para as próximas edições.
O FUTURO:

Há duas escolhas a fazer para o futuro da Alimentária: ou reformula-se tudo, e parte-se do papel em branco, reinventado uma feira  para voltar a ser um grande momento do setor alimentar português. Novas temáticas, novas tipologias de exposição, novas conferências (que não sejam tão longas, o que pode retirar gente da área da exposição), digitalização dos serviços aos expositores, interatividade com os visitantes, um mood “trendy” e menos institucional. Porque não usar parte da experiência de Barcelona para a colocar em Portugal? Um trabalho que deve começar já hoje para que daqui a dois anos todos os visitantes e expositores o sintam.

Há outra opção, e que ficou por demais evidente nesta edição, é que a Alimentária se pode tornar uma feira de PME’s e empresas inovadoras do setor alimentar que têm ali um palco privilegiado para investidores, exportadores, interlocutores conhecerem os seus produtos. Sem grandes empresas, e centrando-se nas médias e pequenas, que tantas boas surpresas nos têm trazido ultimamente.

E há ainda uma terceira escolha. Esquecer as comparações com a Anuga, e SIAL e mesmo Barcelona. Esquecer as edições de há 10 anos atrás. Nem o país é o mesmo nem a Economia o permitirá.E realizar uma feira de média/pequena dimensão, diferenciadora onde os grandes players de mercado estão presentes em qualidade em vez de tamanho, onde a interatividade destes com os visitantes (nuns dias profissionais e noutros para o consumidor) passe por ser mais dinâmica. Ir buscar os países da faixa atlântica, os PALOP, os EUA e o Canadá e o Brasil para expor e trazer compradores desses mesmos locais.  Ah, e em jeito de dica: trazer jornalistas internacionais desses mesmos países, e de outros, para criar buzz internacional à volta do certame.

É urgente esta reflexão, escolher um caminho e planear – algo que nós portugueses temos uma dificuldade tremenda em fazer. Acredito sinceramente que a FIL e a Alimentária Exhivitions têm profissionais de grande qualidade que vão trabalhar para conseguir escolher o melhor caminho para a feira. Por isso escrevo, tal como se fazia aquando das sucessões monárquicas, a Alimentária morreu. Viva a Alimentária!!! Que venha a próxima edição.

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