É em Celorico da Beira que está o maior número de produtores certificados de Queijo Serra da Estrela. Um facto pouco conhecido do consumidor, por isso, o município da vila ‘agarrou’ uma estrutura já existente – o Solar do Queijo – traçou novos objetivos, mais ativos e dinâmicos, e deu-lhe meios para os cumprir.
“O Solar do Queijo já existia, mas não tinha dinâmica. Hoje é um museu vivo, com atividade e ação comercial e promocional”, explica António Silva, vereador responsável pelas Atividades Económicas e Turismo, e ‘mentor’ deste projeto, com quem falámos à margem do 1º Encontro e Prova Internacional e Vinho, que teve lugar em Celorico da Beira, no passado mês de março.
O Solar representa atualmente os produtores de queijo do concelho, realiza a venda e promoção dos seus queijos e derivados, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente através da presença em feiras, e tem como objetivo “dar a conhecer ao mundo os nossos produtos tradicionais”, refere.
No final de 2005, assim que chegou ao executivo, António Silva dedicou-se a conhecer o território e património do concelho e encontrou cerca de 40 produtores “sem grande apoio e, muitos deles, desmotivados”. Para começar “decidimos criar uma estrutura para implantar regras HACCP, para garantir o produto e poder passar à certificação do maior número possível de produtores”, conta o edil.
Dos 14 produtores certificados de Queijo Serra da Estrela, que existem em toda a região, sete são de Celorico da Beira. Só esses podem vender produto com o selo Denominação de Origem Protegida (DOP), todo o restante queijo produzido é classificado apenas como “Queijo Curado de Ovelha”.
Queijo e… muito mais
Desde o final de 2006, o Solar começou também a apostar em ‘cabazes’ de produtos combinados. António Silva explica como: “começámos com o vinho, que comercializamos com a marca Solar do Queijo, numa parceria com a União Demarcada das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) e depois fomos acrescentando produtos regionais como o mel da Serra da Estrela e o Doce de Abóbora, conhecido pela associação a um outro produto bem tradicional – o Requeijão Serra da Estrela – que também vendemos”.
A empresa municipal vende dez a 12 toneladas de queijo anualmente, comprado aos vários produtores do concelho, e tem sempre consigo a maioria dos queijeiros quando é preciso estar em feiras e outras mostras de produtos tradicionais.
O Solar dinamizou também a Confraria do Queijo e “temos apostado mais na realização da Feira do Queijo, que tem lugar anualmente na vila de Celorico da Beira, na altura do Carnaval”, salienta o vereador.
Outro produto que a autarquia também já dinamizou foi o Borrego Serra da Estrela, tendo conseguido a classificação DOP para produto tradicional da região, no ano passado. O Solar do Queijo promove também a sua venda, mas não diretamente. “Vamos buscar os borregos aos produtores, levamo-los ao matadouro da Guarda e depois, no carro de frio que comprámos de propósito, fazemos o transporte para os talhos do concelho”, explica António Silva. Por agora, só está disponível em talhos do concelho, mas a distribuição irá ser alargada. “Vendemos cerca de 60 mil borregos por ano, um aumento de cerca de 30%”, afirma o responsável, adiantando que “estamos já a tratar com o matadouro para que, a partir do próximo ano, uma parte do produto possa já sair temperado e embalado”.
Na calha está ainda um novo produto, que está a ser criado e testado de raiz pelo Solar do Queijo. “O Iogurte de Leite de Ovelha está em fase de teste. Levamo-lo para feiras e outros eventos e damos a provar às pessoas e os técnicos do Solar estão também a levar a cabo um estudo mais dirigido aos jovens. Queremos ver a aceitação deste produto para depois o podermos lançar no mercado”, explica António Silva.
Depois do iogurte… bem, o vereador da Câmara Municipal de Celorico de Basto ainda não quis levantar a ponta do véu, mas garantiu: “não vamos parar por aqui”.

