Produção

Ludovic Reysset, Country Manager da Danone Portugal: “Este surto veio trazer desafios à normal produção e abastecimento dos nossos clientes”

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Depois de ter sido conhecida a decisão de não rescisão de todos os contratos de trabalho a nível global, a DISTRIBUIÇÃO HOJE falou com o country manager da Danone Portugal. Ludovic Reysset destacou o papel que a companhia tem, “não só junto dos seus”, mas com a comunidade geral.

A Danone revelou, recentemente, a não rescisão de todos os contratos de trabalho devido à crise sanitária provocada pela pandemia de COVID-19, a nível internacional, garantindo os rendimentos durante os próximos 3 meses. Já contabilizaram o custo desta medida ou esta é uma decisão independente de qualquer custo que possa ter?
Não é uma questão de custo. Quisemos dar esse suporte e tranquilidade aos nossos colaboradores nesta fase difícil. Queremos todos focados nas suas famílias, bem-estar e função e para que assim possamos continuar a concretizar a nossa missão – levar saúde através da alimentação ao maior número de pessoas possível – todos os dias.

Qual a percentagem de colaboradores em teletrabalho a nível mundial?
A realidade muda um pouco dependendo dos países e contexto local específico, mas em Portugal todos os nossos colaboradores estão em regime de teletrabalho desde 14 de março. Quisemos proteger os nossos colaboradores e por isso tomámos esta decisão ainda antes de implementado o estado de emergência nacional.

Há, no entanto, colaboradores que não podem entrar em teletrabalho, já que isso significaria a paragem na produção. Como é que a Danone está, globalmente, a enfrentar esta situação ao nível da produção?
Apesar de não existirem quaisquer evidências por parte das autoridades competentes quanto à possibilidade de produtos alimentares poderem efetivamente constituir um veículo de transmissão do vírus COVID-19, a Danone pôs já em marcha diferentes medidas preventivas para garantir o mais alto grau de higiene e qualidade dos seus processos produtivos.

Nas fábricas do grupo Danone é feito um acompanhamento permanente dos seus colaboradores que obedecem a rígidas práticas de higiene, sendo a monitorização de quaisquer casos suspeitos seguida de perto.

Todos os colaboradores de fábrica estão devidamente equipados com vestuário e equipamentos de proteção individual próprios, são insistentemente informados sobre os riscos de contágio e procedem a medidas adicionais de distanciamento físico, de higiene e desinfeção por forma a minimizar quaisquer riscos de contaminação.

É igualmente relevante relembrar que o processo produtivo dos nossos produtos é essencialmente um processo fechado onde o contacto do operador com o produto e suas matérias primas é inexistente.

Como medida de segurança adicional, quaisquer visitas à fábrica por parte de pessoas externas encontram-se de momento suspensas.

A nível internacional, qual o impacto do COVID-19 na produção total da Danone?
A nível internacional, naturalmente, que este surto veio trazer desafios à normal produção e abastecimento dos nossos clientes. No entanto, a visão e a missão são a mesma em todos os países e, em todo o mundo, estamos focados em continuar a produzir e fornecer os nossos clientes. Somos os líderes mundiais na produção de iogurtes e leites fermentados e por isso temos o compromisso de continuar a apoiar os nossos consumidores para que estes continuem a encontrar os nossos produtos nas superfícies comerciais.

É possível identificar regiões mais afetadas do que outras?
Naturalmente que há variações de país para país e de continente para continente, mas de um modo geral, o impacto do COVID-19 lá fora não é muito diferente do impacto em Portugal.

E qual ou quais as gamas de produtos mais afetadas?
De um modo geral, diria que os produtos mais impactados são os produtos unitários para um consumo mais individual.

A vertente social
Além das medidas internacionais, em Portugal a Danone decidiu contribuir com ajuda financeira e a doação de produto e bens a várias associações e entidades, nomeadamente, Banco Alimentar Contra a Fome, Comunidade Vida e Paz, CASA – Centro de Apoio ao Sem Abrigo, Crescer, ou a Noor’Fatima, entre outros. Que bens têm sido doados a essas instituições?
Compreendemos que temos um papel a desempenhar e quisemos naturalmente dar o nosso contributo.

Por isso, reforçámos as nossas ajudas ao Banco Alimentar a quem demos, só no último mês, mais de 20.000 quilos de produto (ou seja, 150.000 iogurtes). Apoiámos ainda com produto outras instituições carenciadas como a Casa, a Crescer, a Comunidade Vida e Paz e Noor Fátima.

Associámo-nos à Centromarca e contribuímos financeiramente para a compra de material hospitalar. Para além disso, facilitámos à Cruz Vermelha uma unidade de refrigeração para acondicionamento de material médico que requer frio.

Internamente lançámos junto dos nossos colaboradores uma plataforma de crowd funding, que tem como objetivo recolher donativos em dinheiro dos colaboradores Danone, valor que no final a empresa duplicará e oferecerá à iniciativa #euajudoquemajuda da Cruz Vermelha Portuguesa – um fundo de combate ao COVID 19, que visa a aquisição de material médico e hospitalar para combater o surto.

Finalmente, doámos milhares de unidades de produtos de nutrição específica (Fortimel), a IPO’s – Institutos de Oncologia – Hospitais e Centros de Reabilitação.

Têm recebido alguns pedidos específicos de doação de produtos alimentares?
Sim, vamos recebendo pedidos de apoio. Somos sensíveis a todos eles, mas temos de saber focar os nossos esforços. Queremos e estamos a ajudar, mas temos também de continuar a abastecer o mercado; essa é uma contribuição à sociedade que pura e simplesmente não poderemos descurar.

A Danone também lançou junto dos seus colaboradores uma plataforma de crowd funding, que tem como objetivo recolher donativos em dinheiro dos colaboradores Danone, valor que no final a empresa duplicará. Quais as expetativas quanto ao valor final a ser recolhido
A iniciativa está a decorrer e por isso ainda não temos um valor final, mas queremos que seja uma ação com bastante adesão e para que assim tenhamos um valor interessante e que venha a fazer a diferença na iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa.

De que forma é que empresas como a Danone podem ajudar numa fase complicada para todos?
Temos consciência da nossa responsabilidade para com a comunidade onde nos inserimos e por isso mesmo tentamos contribuir e ajudar diferentes entidades como é o caso do Banco Alimentar, Comunidade Vida e Paz, Cruz Vermelha Portuguesa, etc.

Continuaremos a procurar formas de ajudar e de dar o nosso contributo nesta fase difícil.

Em paralelo, não podemos esquecer aquele que é o nosso maior contributo e que é o de continuar a fornecer os nossos clientes e para que assim o consumidor continue a encontrar os nossos produtos nas superfícies comerciais. Como líderes da indústria agroalimentar temos essa responsabilidade e compromisso; não vamos abandonar as famílias portuguesas neste momento difícil e por isso temos de nos manter focados na nossa missão e em manter uma cadeia de abastecimento saudável.

Que impacto está a ter esta pandemia de COVID-19 na operação em Portugal?
É um período desafiante, claro, mas, mesmo neste período complexo, todos os dias trabalhamos para colocar nas lojas produtos que os consumidores possam levar para suas casas e com os quais poderão alimentar as suas famílias. O iogurte tem um papel fundamental enquanto parte integrante de uma alimentação saudável e não aceitamos que a população seja privada disso num momento como este. Estamos completamente focados em cumprir a nossa missão – levar saúde através da alimentação ao maior número de pessoas possível – todos os dias.

Queremos continuar a fornecer os nossos clientes para que nada falte aos nossos consumidores. Temos esse compromisso e essa obrigação

Com que regularidade é que a Danone irá rever a decisão agora tomada de não rescisão de todos os contratos de trabalho?
Temos um compromisso para com os nossos colaboradores até final de junho e de forma a dar-lhes alguma tranquilidade num momento difícil para o país. Estamos atentos e seguimos a situação de perto e vamos decidindo o futuro com base no desenrolar dos acontecimentos. Para já assumimos o compromisso de salvaguardar os postos de trabalho e salários de todos os nossos colaboradores a nível mundial, nos próximos 3 meses.

Que diretrizes foram enviadas da casa-mãe para serem seguida em Portugal?
Para garantir a proteção social dos seus funcionários, a Danone desenvolveu um conjunto de medidas internas – aplicadas a todos os mercados internacionais – com um compromisso específico durante este período, que passa por salvaguardar a não rescisão de todos os contratos de trabalho devido à crise sanitária, garantindo os rendimentos durante os próximos 3 meses, seguro de saúde a 100% no caso de licença médica, quarentena ou assistência à infância e prémios salariais para as equipas de produção e distribuição a serem definidos e implementados localmente.

Queremos tranquilizar as nossas pessoas neste momento difícil e por isso assumimos este compromisso, também em Portugal.