A Unilever chegou a acordo para combinar o seu negócio de alimentos com a norte-americana McCormick, numa operação avaliada em cerca de 44,8 mil milhões de dólares, que cria um novo grupo global no segmento de condimentos e produtos alimentares.
A transação, estruturada em dinheiro e ações, prevê que os acionistas da Unilever detenham aproximadamente 65% da nova entidade, ficando o restante nas mãos da McCormick. O acordo inclui ainda um pagamento em numerário de cerca de 15,7 mil milhões de dólares à Unilever.
A empresa resultante deverá gerar cerca de 20 mil milhões de dólares em receitas anuais, combinando marcas como Hellmann’s, Knorr e Marmite com o portefólio da McCormick, que inclui French’s, Cholula e Old Bay.
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Apesar de a Unilever manter uma posição maioritária, a nova entidade será liderada pela equipa de gestão da McCormick, manterá sede nos Estados Unidos e deverá continuar cotada na bolsa de Nova Iorque, com planos para uma listagem adicional na Europa.
A operação insere-se na estratégia da Unilever de simplificação do portefólio e de reforço do foco em categorias de maior crescimento, nomeadamente beleza, cuidados pessoais e bem-estar. A empresa já tinha avançado com a separação do negócio de gelados e tem vindo a reduzir a exposição ao segmento alimentar.
Segundo o CEO da Unilever, Fernando Fernández, a operação visa “libertar valor” através da separação da área alimentar, criando simultaneamente “um líder global em sabores”.
O acordo deverá também gerar sinergias operacionais, com estimativas de poupanças anuais na ordem dos 600 milhões de dólares até ao terceiro ano, resultantes de otimizações em produção, distribuição e compras.
Ainda assim, o anúncio foi recebido com alguma cautela pelos investidores, com quedas nas ações de ambas as empresas, refletindo preocupações com a complexidade da integração e o calendário de conclusão da operação, previsto apenas para 2027.
Para o setor, a criação desta nova entidade representa um movimento relevante de consolidação, combinando portefólios complementares e reforçando a escala global num mercado de bens alimentares marcado por pressão sobre o consumo e crescente concorrência de marcas próprias.
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