A inteligência artificial (IA) está a reforçar a eficiência operacional na banca, mas a sua tradução em valor estratégico e crescimento de receita continua limitada, segundo um estudo global da KPMG.
De acordo com o relatório Intelligent Banking: A blueprint for creating value through AI-driven transformation, cerca de 70% dos bancos planeiam aumentar o investimento em IA. No entanto, apenas cerca de 20% das instituições conseguem converter esse investimento em valor estratégico e crescimento de receita.
O estudo indica ainda que 51% dos executivos bancários consideram que a IA está a reconfigurar estruturalmente o negócio, enquanto 80% acreditam que a adoção desta tecnologia poderá gerar vantagem competitiva significativa no futuro.
“A banca está claramente num ponto de inflexão. Este estudo mostra-nos que a maioria das instituições já investe, já testa e já obtém ganhos de eficiência, mas ainda não consegue transformar a IA num verdadeiro motor de crescimento e diferenciação”, afirma Rodrigo Lourenço, Partner Head of Financial Services da KPMG em Portugal.
Segundo o responsável, o desafio passa por evoluir de iniciativas isoladas para uma integração transversal da IA no negócio, com impacto em processos, modelos operativos e proposta de valor ao cliente. “A situação do sector em Portugal é em tudo idêntica ao panorama global”, acrescenta.
Apesar do aumento do investimento, a adoção em escala enfrenta vários constrangimentos, nomeadamente questões de segurança e privacidade dos dados, dificuldade em medir o retorno do investimento, existência de sistemas legados e silos de dados, bem como limitações de recursos. A estes fatores junta-se o enquadramento regulatório, que condiciona a velocidade de implementação.
Atualmente, a utilização da IA concentra-se sobretudo em funções de back-office, como deteção de fraude, compliance, análise de dados e automação documental, com algumas aplicações no atendimento ao cliente. Ainda assim, a KPMG sublinha que o maior potencial reside em áreas de maior impacto estratégico, como a personalização da experiência do cliente, a otimização das jornadas e o desenvolvimento de novos modelos de negócio baseados em ecossistemas digitais.
O estudo identifica três fases de maturidade na adoção da IA: “Enable”, centrada na definição de estratégia e testes iniciais; “Embed”, focada na integração da tecnologia nos processos e operações; e “Evolve”, associada à transformação contínua do modelo de negócio. Segundo a KPMG, a maioria dos bancos encontra-se ainda entre as duas primeiras fases.
 Entre os fatores críticos para o sucesso destacam-se a qualidade e governação dos dados, a confiança nos sistemas, assegurada por práticas de ética, segurança e compliance, assim como a capacitação das equipas, com investimento em formação e redefinição de funções.
De acordo com o estudo, a IA surge, assim, como um elemento central na transformação do setor bancário, com impacto na organização, nos modelos operativos e na relação com o cliente.

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