Retalho

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED)

Gonçalo Lobo Xavier_ APED

Quais foram os maiores desafios que o setor da distribuição moderna enfrentou no ano 2019?
O setor da distribuição está em mudança permanente e o mercado está cada vez mais competitivo e imprevisível.

Estas particularidades sempre caracterizaram a atividade, mas de facto, em 2019, intensificaram-se e muito! Os desafios resultaram, maioritariamente, das alterações de comportamento e preferências do consumidor, da inovação tecnológica e digital que conduziu ao desenvolvimento de novos modelos e processos, do aumento da concorrência e de diferentes abordagens políticas e sociais, de que a sustentabilidade será a maior referência, e por isso, um dos desafios prioritários.

Em 2019, ganharam especial relevo a melhoria contínua do desempenho ambiental, o debate sobre o desperdício alimentar, a aposta nas pessoas, o acompanhamento e o debate de temas críticos para o setor, nomeadamente no âmbito das obrigações fiscais. Face a estes desafios, estiveram bem presentes a rápida adaptabilidade e flexibilidade, a simplificação, o diálogo com os diferentes parceiros de toda a cadeia de valor e a permanente inovação para ir ao encontro das expectativas do consumidor.

Foi, claramente, um ano de amplificação do empenho e dos compromissos do setor com toda a sua cadeia de parceiros e, acima de tudo, com o consumidor. Daí a APED ter terminado o ano com a definição de eixos e objetivos estratégicos para os próximos três anos. A ambição é fazer mais e melhor e aumentar a representatividade e abrangência da associação.

E que soluções foram encontradas para resolver esses mesmos desafios?
Foi um ano intenso, com várias iniciativas que promoveram mais informação e conhecimento, maior representação, participação e partilha com foco no consumidor.

Destaco, por exemplo, a campanha de informação da APED sobre as datas de validade dos produtos alimentares, intitulada “Saber a diferença, faz a diferença”, que foi lançada com o objetivo de ajudar o consumidor a evitar o desperdício alimentar; a campanha de promoção de produtos nacionais, como foi o caso da batata; o desafio em paralelo com a indústria alimentar para estabelecer compromissos de reformulação nutricional para bem da saúde de todos; o estudo que promovemos sobre Obrigações Fiscais que alerta para o volume de obrigações fiscais que pesam sobre as empresas no sector da distribuição e que apresenta potenciais soluções ou alternativas a algumas das obrigações acessórias mais onerosas.

Os exemplos são inúmeros por parte dos associados do retalho alimentar e não alimentar, mas gostaria de destacar que terminámos o ano com a apresentação dos 4 eixos e objetivos estratégicos que vão reger a nossa atuação nos próximos três anos: Pessoas, Economia do Futuro, Sustentabilidade e Competitividade e Ética. Com base nestes eixos, é nossa missão promover o desenvolvimento de um setor de extrema importância e relevância para o país, ao representar 11% do PIB, 130 mil empregos diretos – 20 mil criados nos últimos quatro anos – e mais de 4 mil lojas.

Como antecipa o ano de 2020 para o setor e que novos desafios poderão ser lançados?
Estaremos focados nos quatro eixos definidos na estratégia da APED: nas Pessoas, na Economia do Futuro, na Sustentabilidade e na Competitividade e Ética.

Os desafios lançados estão relacionados com uma maior proximidade com o consumidor, com a atração e retenção de talento dos colaboradores, com a defesa da sustentabilidade em toda a cadeia de valor, tendo sempre presente o princípio da ética. Passam ainda pela inovação contínua de maneira a acelerar a transformação digital e a tornar o setor mais humano e próximo das pessoas. Tudo isto num ambiente altamente concorrencial, que tem presente as melhores práticas comerciais. Um dos novos desafios que ganhará relevo este ano é adaptação ao novo modelo de crescimento da União Europeia definido através do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal) apresentado, em dezembro, pela presidente da Comissão Europeia.

Uma cada vez maior representatividade do setor será, seguramente, mais um dos passos a dar. Esta é uma forma de tornar ainda mais visível todo o trabalho que é feito e de contribuir ainda mais para o desenvolvimento económico nacional.

Outro dos caminhos a explorar é uma maior divulgação ações desenvolvidas, maior partilha de conhecimento sobre o uso eficiente dos recursos, maior promoção do diálogo e de estratégias colaborativas.

E não podemos esquecer o desafio das pessoas, em todas as suas dimensões. Acreditamos que vai ser um ano marcante para a atividade do sector com área de carreira para jovens e menos jovens.

É assim que pretendemos continuar a ser uma voz cada vez mais abrangente e interventiva, num mercado justo, sustentável e ético, para fazer mais e melhor para todos. Temos um compromisso com o futuro e estamos extremamente empenhados em ser cada vez mais ativos.