Retalho

Amazon: do online para o offline

Amazon Go Grocery

A Amazon abriu esta semana a primeira loja Amazon Go Grocery, um conceito de loja próximo do já existente com a Amazon Go, mas que tem como alvo clientes em bairros residenciais, em vez de zonas de escritórios, locais onde as lojas de conveniência menores da Amazon Go têm o seu “território”.

Este novo conceito da companhia de Jeff Bezos – “Just Walk Out Shopping” – tem na tecnologia um dos seus aspetos principais, já que se tratam de lojas sem quaisquer caixas de pagamento, fazendo jus à máxima “No lines, no checkout”.

Ao contrário das lojas Amazon Go, esta primeira loja Amazon Go Grocery, aberta na cidade de Seattle, estado de Washington (EUA), possui um sortido de 5.000 produtos, ao contrário dos 500 a 700 do conceito de maior conveniência no retalhista norte-americano.

Também o tamanho destas novas lojas é diferente, ou melhor, maior, indicando a Amazon que lojas Go Grocery deverão ter o triplo da dimensão das “irmãs” mais pequenas Go.

À imprensa especializada norte-americana, Cameron Janes, vice-presidente de lojas físicas da Amazon, admitiu que, “enquanto a Amazon Go é direcionada para os funcionários de escritórios que tomam café da manhã, compram almoço e lanches, a Amazon Go Grocery tem como alvo os bairros urbanos de alta densidade”.

Com estas novas lojas, “estamos mais perto da casa dos clientes”, disse Janes.

A variedade de produtos das lojas Amazon Go Grocery vai desde os frescos até aos congelados, passando pelas carnes, vinhos, mariscos, “tudo para dar a maior seleção possível para os nossos clientes prepararem o jantar”, referiu Janes.

Mas, como é que se paga, então, as compras terá a perguntar? Bem, o sistema não é muito diferente daquele que a Jerónimo Martins já implementou na sua loja mais tecnológica na Nova SBE, em Carcavelos. Tudo o que é necessário é uma conta na Amazon (claro) e a aplicação Amazon Go (gratuita) e um smartphone de geração recente. Com a devida aplicação disponível na Apple App Store, Google Play e Amazon Appstore, o cliente terá de digitar o QR code à entrada da loja e, a partir daí, efetuar (simplesmente) as suas compras. É retirar da prateleira, colocar no carrinho ou cesto e seguir. Caso o cliente pretenda mudar de ideias, é só recolocar o produto na prateleira e, novamente, seguir o seu caminho.

Depois de efetuadas as compras, basta seguir, sem ter de parar em qualquer caixa ou self-checkout. Esta experiência de compra, refere a Amazon, “é possível pelos mesmos tipos de tecnologias usadas em carros autónomos: visão por computador, fusão de sensores e deep learning. A tecnologia “Just Walk” Out deteta automaticamente, através de câmaras e sensores, quando os produtos são retirados ou devolvidos das prateleiras e acompanha-os num carrinho virtual”. E a companhia de Jeff Bezos conclui que, para terminar as compras, “basta simplesmente sair da loja”, com a loja a enviar, posteriormente, um recibo e a cobrança a ser feita na conta que o cliente possui na Amazon.

Amazon

Uma coisa parece certa, a Amazon Go Grocery é mais um sinal de que o retalhista está determinado em alterar o cenário de um setor que vale mais de 800 mil milhões de dólares (cerca de 740 mil milhões de euros).

E embora, tradicionalmente, a Amazon não seja considerada como um retalhista físico, a companhia de Jeff Bezos já percebeu que a necessidade de locais num setor em que as vendas de comércio eletrónico demoram registar números considerados “interessantes”.

Juntamente com a Whole Foods, que adquiriu em 2017, e uma marca de supermercado tradicional que se prepara para abrir na Califórnia, a Amazon está a adotar uma abordagem de múltiplas frentes para a expansão do seu negócio retalhista.

“O nosso objetivo é deixar a tecnologia para segundo plano e deixar que os nossos clientes comprem da maneira que habitualmente compram”, concluiu o vice-presidente de lojas físicas da Amazon.