A Walmart está a intensificar a aposta em automação, inteligência artificial (IA) e novas fontes de receita para consolidar um futuro orientado por tecnologia. Mais de 50% do volume movimentado nos centros de distribuição da retalhista já é automatizado, sendo que este valor duplicou desde há um ano. Os valores foram confirmados pelo diretor financeiro John David Rainey na apresentação de resultados do terceiro trimestre fiscal da Walmart.
Segundo Rainey, a automação reduziu o custo unitário de entrega e ajudou a empresa a alcançar o terceiro trimestre consecutivo de queda de cerca de 40% nos custos líquidos de entrega por pedido nos EUA. Ao mesmo tempo, o Net Promoter Score (NPS) atingiu níveis recorde para os serviços de entrega.
A expansão tecnológica surge num contexto de debate sobre o impacto da automação no emprego. Rainey defende que o movimento cria novas funções e caminhos de carreira. A empresa está a converter tarefas pesadas em ocupações que exigem operação e manutenção de sistemas avançados. Entre os novos postos estão operadores de equipamentos de automação, apoiados por programas de capacitação internos para funções de alta procura.
Esta transformação integra o plano de renovação dos 42 centros de distribuição regionais do Walmart, que passam a operar como instalações de alta tecnologia. A empresa afirma que o objetivo é aumentar velocidade e capacidade de envio, ao mesmo tempo que reposiciona funções manuais para oportunidades em robótica e tecnologia.
No trimestre encerrado em 31 de outubro, o Walmart registou receita de 169,59 mil milhões de dólares, um aumento de 5,5% face ao ano anterior e acima das expectativas do mercado. As vendas comparáveis nos EUA cresceram 5,3%. Globalmente, o e-commerce avançou 27%, concretamente 22% no mercado norte-americano.
Por seu lado, o comércio eletrónico já representa 18% do total do negócio da Walmart. O CEO Doug McMillon afirmou que o novo mix de receita, que inclui fidelização, publicidade, logística, monetização de dados e outros serviços, apresenta margens superiores às da estrutura tradicional do retalho físico. A expectativa é ampliar lucros mais depressa do que vendas, com a estratégia omnicanal sustentada por tecnologia avançada.
Entre as inovações destacadas está o Wallaby, um conjunto de modelos de IA generativa proprietários, específicos para o setor, treinados com décadas de dados do Walmart e orientados para melhorar experiências do cliente.
Os preços baixos continuam centrais para a proposta de valor da empresa. Ainda assim, consumidores norte-americanos com rendimentos superiores a 100 mil dólares por ano representaram 75% dos ganhos no trimestre. Rainey afirmou que o Walmart trabalhará para manter preços competitivos diante de um potencial aumento de tarifas em 2025.
A estratégia mostra uma empresa que prepara escala, eficiência e novas receitas para um cenário de retalho cada vez mais impulsionado por dados, automação e AI — e que pretende transformar essa evolução em vantagem operacional e competitiva.
Walmart aposta em IA com novo modelo unificado de “super agentes”

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