As vendas em e-commerce do retalho alimentar estão a aumentar no Reino Unido, mas o mesmo não se passa no resto da Europa. Como prevê que o retalho alimentar evolua na Europa?
Sinceramente não sei como irão evoluir as vendas online dos retalhistas alimentares no resto da Europa. Mas o crescimento no Reino Unido tem a ver, sobretudo, com as vantagens de sermos um país pequeno com muita população, com muito tráfico nas estradas e em que todos trabalhamos muito.
Isso cria boas condições para o e-commerce crescer. O que temos visto é que depois de termos lançado o Tesco.com em outros países da Europa, como a República Checa, Hungria, Polónia e Turquia, a aceitação foi muito maior do que aquilo que esperávamos. A Polónia, por exemplo, tem tido um grande crescimento no e-commerce. Mas como será no resto da Europa, não sabemos.
Qual o conselho que dá ao retalho alimentar em Portugal na sua abordagem ao e-commerce?
O meu conselho aos retalhistas em Portugal é que experimentem e tentem algo no e-commerce. Ou copiava o que a concorrência está a fazer ou inovava. Mas experimentava, sem dúvida. No retalho alimentar, e se pensarmos que em cada ato de compra adquire-se cerca de 15 itens em média por visita ao hipermercado, para o fazer passamos por cerca de 20 mil referências para encontrar esses 15. Não será a Internet uma melhor maneira de o fazer, e mais rápida? Os sites sabem o que comprámos anteriormente e podemos simplesmente comprar todos de novo. É inevitável que irá acontecer e acho que todos os retalhistas devem apostar no e-commerce.
Mas com diferentes modelos, ou optar apenas por um?
Eu tentaria vários modelos para várias lojas. O Click & Collect faz sentido em locais com vias rápidas onde passam muitos automóveis, mas não faz sentido no centro da cidade. Penso que nesse caso, e penso como consumidor, numa loja de centro de cidade prefiro deslocar-me à loja, fazer as minhas compras, e que estas sejam entregues em minha casa.
Fala-se muito das futuras gerações, muito habituadas à tecnologia, aos smartphones e aos tablets. Tendo isso em conta, há quem ponha em questão o futuro da loja, qual a sua opinião?
Alguém que pense que as lojas físicas não vão existir no futuro está errado. E também se alguém achar que o futuro não passa pelo e-commerce, também está. Dou o exemplo do meu filho, que tem agora 18 anos e que pesquisa as coisas online e compra-as online. Mas há alturas em que vai a uma loja para fazer as suas compras. Acho que o modelo será misto. E veremos modelos de retalho a serem inventados no futuro. Alguém que venha a uma loja para aprender a cozinhar, ou para ter um conselho de um especialista. Posso, por exemplo, vir a uma loja buscar as minhas compras que alguém já preparou anteriormente. Penso que será sempre um misto de coisas e não apenas um único modelo a vingar no retalho do futuro.

