Quantcast
 

IV Congresso da APED: “Encontrar caminhos para o futuro”

IV Congresso da APED: "Encontrar caminhos para o futuro"

É já na próxima semana, mais concretamente nos dias 17 e 18 que se realiza o IV Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) com o tema: “Ganhar o Futuro”. O encontro realiza-se em Lisboa no Museu do Oriente. Sobre as expectativas, o programa e ainda a previsão do setor da distribuição para 2012 a DISTRIBUIÇÃO HOJE entrevistou Ana Isabel Trigo de Morais, diretora-geral da APED.

Quais as expectativas da APED para este 4.º Congresso?

Queremos que este Congresso seja um momento de análise e reflexão para o setor e, mais do que isso, gostaríamos de perceber qual o rumo que o país e o espaço europeu irá seguir. Achamos que o país está a sofrer de muitas vicissitudes da crise nacional e da crise internacional, mas também achamos que é necessário ter um discurso positivo e encontrar soluções para os problemas reais que atualmente vivemos. E como se pode verificar pelo perfil dos convidados, aquilo que queremos saber, e perceber, é como o negócio do retalho e da moderna distribuição se vai ajustar ao futuro.

 

A escolha de oradores não diretamente ligados ao setor é com certeza uma estratégia do Congresso, o que já sucedeu anteriores Congressos da APED. Este figurino, mais abertos ao exterior, não é possível de ser criticado pelas empresas do setor?

Nenhum setor existe isoladamente. Um dos passos que tem de ser dado, e que já foi feito no caso da distribuição moderna, é o de que todos fazermos parte de um todo, e é esse todo que tem vários planos. Há um plano do setor e há um plano nacional, do país em que nos inserimos, e nada do que acontece ao país é alheio ao setor. Para além disso, não nos podemos esquecer que fazemos parte do espaço europeu. Por isso, necessitamos de conhecer bem as perspetivas mundiais e europeias e discutir a tendência do negócio. Nenhum setor beneficia em fechar-se. Nesse aspeto decidimos colocar em vários níveis de discussão as possíveis reflexões para encontrar caminhos para o futuro. Pareceu-nos ser uma coisa natural. E um dos pontos muito interessantes do Congresso é o nosso convidado especial, o Nobel da Economia, Professor Joseph Stiglitz, que é um reputado pensador da macroeconomia e uma pessoa que emite opiniões pouco consensuais, aliás gosta de ser agitador e pôr as pessoas a pensar. Assim, pedimos ao Professor Joseph Stiglitz que olhasse para a situação europeia e portuguesa. Gostávamos que ele refletisse sobre o que está a acontecer nestes países periféricos.

 

Qual o número de visitantes esperados? E qual o investimento financeiro?

Esperemos que passem pelo Congresso, nos dois dias, entre 400 a 500 pessoas. Em relação ao investimento é muito significativo para APED, tal como foram os anteriores congressos, contudo achamos que trará um retorno útil aos nossos associados e ao nosso setor, bem como para as autoridades que se interessam pelo setor. O Congresso serve, também, para mostrar que somos um setor preocupado com um conjunto de temas que vão para lá da gestão do dia-a-dia do negócio e das estratégias das empresas

 

Esse retorno útil é também retorno financeiro?

Há algum retorno financeiro, mas o que motiva a APED na organização deste congresso não é o de obter retorno financeiro, mas sim de partilha de conhecimento porque achamos que estamos a contribuir para ficarmos todos mais ricos no conhecimento.

 

Já passou um ano desde que assumiu o cargo na APED, que balanço faz deste período?

Tenho a sorte de fazer um balanço extremamente positivo. O meu discurso pode parecer um pouco desalinhado do contexto atual, mas acho que temos de saber olhar para as coisas que correm bem, para o lado positivo e para as coisas que vamos conquistando. Este é um balanço curioso, pois é também um balanço de mudança na orgânica da APED, na sua maneira de funcionar e de estar. Este balanço positivo é baseado no facto de, na APED, acreditarmos que é com o diálogo, a proximidade e a colaboração institucional que podemos contribuir para resolver os problemas que os nossos associados sentem e desse ponto de vista faço um balanço muito positivo.

Quais as perspetivas da APED para o setor neste novo ano?

Encaramos com preocupação o ano de 2012 porque há circunstâncias que são inevitáveis, Estamos preocupados com a quebra do poder de compra dos consumidores. Aliás, já sentimos esses efeitos no período do Natal. Portanto é com muita preocupação e apreensão que olhamos para 2012. E como já foi referido pelo Presidente da APED (Luís Reis), há muitos anos que não se via um decréscimo do volume de negócios no setor alimentar, e quando o setor alimentar começa a transmitir estes indicadores é porque vivemos um período de crise profunda.

Por outro lado, tenho que dizer que o setor da distribuição é dos setores que se caracteriza pelo sua capacidade de ajustamento e de procura de soluções que permitam viabilizar os seus projetos empresariais sempre numa ligação muito estreita entre aquilo que se pode criar, em termos de valor, para o consumidor. E em 2012 a distribuição moderna terá que encontrar essas soluções, mas vai ser um ano difícil. Compreendemos e concordamos com o Executivo na direção de um conjunto de medida com a Troika, e com o severo programa de consolidação das contas públicas que é necessário, no entanto, esse é um processo doloroso e vivemos com grande preocupação aquilo que vai acontecer no futuro próximo.

Não perca informação: Subscreva as nossas Newsletters

Subscrever