A Ingka Group, dona do IKEA, vai eliminar cerca de 800 postos de trabalho no âmbito de uma reorganização destinada a simplificar a estrutura da empresa e a reforçar o foco no negócio principal de retalho. Segundo o grupo, o impacto deverá concentrar-se nas funções corporativas, num movimento pensado para acelerar a tomada de decisão, reduzir custos e sustentar a ambição de baixar preços para o consumidor.
Em comunicado, a empresa afirma que quer tornar-se “mais acessível, mais acessível em preço e mais sustentável”, colocando as lojas físicas no centro do seu modelo omnicanal. O CEO da Ingka Group, Juvencio Maeztu, admite que a organização “se tornou demasiado complexa” para um contexto de retalho que exige maior rapidez e agilidade.
“A simplicidade é um dos nossos valores fundamentais e, com este passo, estamos a colocá-la no centro da forma como organizamos, trabalhamos e lideramos a empresa”, afirmou Juvencio Maeztu que sublinhou ainda que esta decisão “não é motivada pela maximização do lucro”, mas sim pela intenção de aproximar o processo de decisão dos clientes e das equipas que asseguram diariamente a operação.
A Ingka garante que vai apoiar os trabalhadores afetados durante a transição e investir em requalificação e desenvolvimento de competências, de forma a preparar a organização para as necessidades futuras. De acordo com a Reuters, os cortes deverão afetar sobretudo funções administrativas na Suécia e na sede do grupo, nos Países Baixos.
A reestruturação surge em paralelo com um plano de investimento contínuo. Nos últimos anos, a Ingka investiu mais de 2,1 mil milhões de euros para reduzir preços e responder à pressão económica sobre os consumidores. Ao mesmo tempo, mantém a aposta na expansão física da rede: desde 2020, passou de cerca de 375 lojas para mais de 640 pontos de contacto com o cliente em 32 mercados, tendo aberto 54 novas localizações apenas no último exercício.
O grupo está também a testar novos formatos de loja, mais pequenos e mais eficientes em custo, dirigidos a cidades de menor dimensão e zonas suburbanas na Europa e na América do Norte. Até setembro, prevê abrir até 20 novas lojas deste tipo, criando cerca de 500 postos de trabalho.

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