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Desconhecimento da nova diretiva de pagamentos PSD2 faz adiar entrada em vigor

Desconhecimento da nova diretiva de pagamentos PSD2 faz adiar entrada em vigor

O setor dos pagamentos está a assistir a uma profunda transformação digital na Europa e, em certa medida, pelo facto de, já a partir do próximo mês de setembro, entrar em vigor a obrigatoriedade da autenticação forte dos clientes (SCA) nos pagamentos digitais.

Alberto López, responsável da Mastercard pela área de Cibersegurança e Soluções Digitais para a Espanha e Portugal, revelou, hoje (terça-feira), num encontro com jornalistas, as implicações da SCA para o e-commerce e para o ecossistema de pagamentos em loja.

Alberto López salientou que “a autenticação forte será fundamental para o ecossistema de pagamentos, o qual deverá adotar diversas medidas para implementar o novo sistema de segurança estabelecido pela legislação europeia”.

A nova diretiva introduz um conjunto de normas de segurança relativas às últimas tecnologias de pagamentos físicos e online, entre as quais as soluções de autenticação biométricas, e destina-se a garantir a correta identificação do utilizador e da compra que pretende realizar, através de três fatores de autenticação: algo que o utilizador tem (um cartão bancário ou um telemóvel, por exemplo); algo que o utilizador sabe (um PIN ou uma password); e algo que o utilizador é (a sua impressão digital ou o reconhecimento facial, por exemplo).

Numa recente pesquisa desenvolvida pela Mastercard junto de empresas europeias com lojas online, 75% dos inquiridos admitiu desconhecer este novo padrão de segurança e, sobretudo, desconhecer a entrada em vigor no próximo mês setembro, por via da adoção da PSD2, a diretiva para os sistemas de pagamentos.

Ainda no âmbito desta pesquisa feita junto do setor do retalho online na Europa, apenas 14% dos inquiridos referiu já ter implementado a SCA, enquanto 51% afirma que não o fará antes de setembro de 2019 ou não tem ideia de o fazer.

Neste sentido e, tendo em conta o nível de adaptação à nova diretiva, a Autoridade Bancária Europeia (ABE) publicou uma comunicação no passado dia 21 de junho indicando que as autoridades nacionais têm a possibilidade de alargar o prazo de adoção desta norma, para dar tempo a que todo o ecossistema de comércio se possa adaptar às mudanças e às novas exigências de autenticação.

Para obviar este atraso na adoção da autenticação forte por parte dos comerciantes, a Mastercard traçou um roteiro de implementação centrado no consumidor e que permita oferecer, assim que estas alterações entrem em vigor, uma melhor experiência de compra, em total segurança e com o mínimo de incómodos e obstáculos desnecessários no momento do pagamento. Este roteiro tem, também, o objetivo de apoiar os comerciantes e os fornecedores de meios de pagamento a adotarem soluções inovadoras, que estejam à altura das expectativas das empresas e dos consumidores.

Na realidade, 80% dos cidadãos europeus já fazem compras através do smartphone, embora o nível de abandono destas operações, antes da sua conclusão, ainda é elevado, rondando os 20 a 25%. Neste contexto, com o aumento do número de pessoas que compram com regularidade através da Internet, com apenas alguns clicks, é muito importante garantir os melhores padrões de segurança, mas também oferecer ao consumidor uma experiência de pagamento rápida e fácil.

“O comércio eletrónico continua a ganhar terreno às lojas físicas e é fundamental garantir que as transações digitais sejam seguras e cómodas”, referiu Alberto López. “A Mastercard fez um grande esforço de desenvolvimento e de evolução das tecnologias de autenticação, como a biometria e a inteligência artificial, para melhorar a aprovação das transações e a experiência dos utilizadores. O know how e a liderança da Mastercard nas tecnologias de pagamento, permite-nos assegurar aos nossos parceiros uma transição pacífica na adoção da PSD2 em Portugal e no resto da Europa”.

Para a entrada efetiva em vigor da diretiva Alberto López admite que “poderá demorar ainda um ano, após a data definida [setembro de 2019]”, referindo que “cabe agora aos bancos centrais de cada país definirem com os operadores de cada país a data em que a norma será aplicada”, salientando que, neste aspeto, a Dinamarca e a Holanda são os países com os processos mais avançadas.