A Jones Lang LaSalle Portugal divulgou este semana as conclusões do estudo «O Mercado de Retalho sob Diferentes Prismas», onde se destaca a reorganização do sector, em resultado quer dos novos posicionamento da procura e da oferta.
«Em traços gerais, os promotores repensam o lançamento de novos projectos, os lojistas tendem a ponderar a expansão e racionalizam as redes existentes, os fundos mostram menos interesse em colocar recursos num sector com yields crescentes e o próprio consumidor é cada vez menos impulsivo e efectua as suas compras, cada vez mais, obedecendo a uma estratégia. O mercado do retalho está, portanto, a reajustar-se a estas novas tendências observadas em todas as forças que o constituem. Esta é a altura de nos consciencializarmos da nossa realidade e da nossa dimensão, corrigindo alguns erros do passado e apostando em definitivo no que de melhor este sector criou e inovou», anuncia Manuel Puig, director-geral da Jones Lang LaSalle, em comunicado.
Uma das principais tendências registadas no mercado é a alteração da estratégia dos promotores imobiliários, que são bastante mais cautelosos no lançamento de novos projectos.
No que diz respeito à procura, o relatório refere que os operadores de retalho adoptaram também estratégias diferenciadas, com uma análise mais restritiva no âmbito da expansão das redes e maior necessidade de racionalização das lojas já em operação. Ou seja, os lojistas mostram menos disponibilidade para assumir riscos, tendo em conta a redução do volume das vendas e a baixa confiança dos consumidores.
Apesar desta tendência de racionalização vamos continuar a assistir à expansão das marcas e os operadores com maior solidez financeira. Estes têm potenciado a actual conjuntura para entrar em novos países, ganhando quota de mercado através de operações de fusão e aquisição. Em Portugal destaca-se, nos últimos dois anos, a aquisição da Carrefour pela Sonae e do PLUS pelo Pingo Doce. No panorama internacional uma das maiores operações registadas aconteceu na Polónia, com a compra do grupo Ahold pela Carrefour por 2.000 milhões de euros.
As alterações nos hábitos de consumo dos portugueses são apontadas como um dos factores na base da reestruturação do mercado nacional de retalho. Os portugueses têm vindo a alterar os seus hábitos de compra nos últimos meses, um processo influenciado pela redução da confiança, pelo agravamento da situação financeira das famílias e pelo desemprego. Ao acto da compra é cada vez mais planeado e menos impulsivo.

