A Target anunciou a saída do seu diretor-executivo, Brian Cornell, à frente da empresa desde 2014. Cornell será substituído já durante este ano por Michael Fiddelke, atual diretor de operações.
A mudança surge num momento de forte pressão sobre o retalhista norte-americano, que enfrenta vendas em queda e um boicote prolongado por parte dos clientes após o anúncio da redução das iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
Brian Cornell foi responsável por revitalizar a Target na década passada, no entanto, não conseguiu recuperar o dinamismo das vendas após a pandemia. A empresa, que opera quase 2.000 lojas nos Estados Unidos da América (EUA), registou no primeiro trimestre, uma quebra superior ao antecipado, tendo inclusive alertado que a tendência de queda se prolongará até ao final do ano.
A direção da empresa atribuiu o fraco consumo às preocupações com as tarifas de Donald Trump e ao estado da economia, mas reconheceu também o impacto direto dos boicotes dos seus clientes.
Em janeiro, a Target reduziu significativamente as suas políticas de DEI após críticas de ativistas conservadores e da Casa Branca. A decisão gerou uma reação contrária junto dos consumidores, levando-os a abandonar as compras nas lojas da marca.
Um inquérito realizado em fevereiro mostrou que muitos consumidores alteraram hábitos de compra em protesto contra empresas que alinharam políticas com a administração de Trump. Em julho, o The Guardian noticiou que as comunidades negras estavam entre as mais ativas nos boicotes, incluindo contra a Target e a Amazon.
Esta polémica junta-se assim à controvérsia de 2024, quando a empresa reduziu a oferta de produtos temáticos do Mês do Orgulho LGBTI+ (em inglês: Pride Month), em resposta a críticas oriundas da Casa Branca.
No segundo trimestre, a Target reportou uma queda de 21% no lucro líquido, com as vendas a recuarem ligeiramente, com um decréscimo de 1,9% nas vendas comparáveis — tanto em lojas físicas como no comércio online. A empresa registou estagnação ou descidas neste indicador em oito dos últimos dez trimestres.

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