Num contexto de pressão financeira persistente para muitas famílias nos Estados Unidos da América (EUA), os serviços de conveniência, tais como entregas ao domicílio, manutenção doméstica ou cuidados pessoais, estão a tornar-se um ponto central na gestão do orçamento familiar.
Apesar de serem vistos como formar de poupar tempo, o seu custo adicional está a levar muitos consumidores a repensar a sua utilização, segundo um novo relatório da PYMNTS, intitulado “How Do Consumers Weigh Convenience Services Against Financial Pressure? It’s About Buying Time”.
O estudo, baseado numa sondagem a 2.878 consumidores norte-americanos, realizada em janeiro, revelou que a principal barreira à adoção generalizada destes serviços é o seu preço, superando até preocupações com a qualidade. Embora os consumidores reconheçam os benefícios de poupar tempo, é a realidade económica que dita as escolhas. Para muitos, o custo simplesmente não compensa a conveniência.
Segundo o relatório, a acessibilidade financeira e geográfica são fatores determinantes no recurso a este tipo de serviços. Os consumidores urbanos, com maior oferta disponível, são os que mais os utilizam, com 79% a dizerem tê-los usado no último ano, gastando em média 234 dólares por mês. Já nas zonas rurais, apenas 51% recorreram a estes serviços, com um gasto mensal médio de 186 dólares.
A disparidade entre rendimentos também se reflete nos hábitos de consumo: 75% dos inquiridos com rendimentos mais elevados utilizam serviços de conveniência, contra 59% dos que têm rendimentos mais baixos. O estudo sugere que este tipo de despesa pode mesmo explicar porque é que algumas pessoas com rendimentos elevados continuam a viver “de salário em salário”, privilegiando a poupança de tempo em detrimento da liquidez financeira.
Entre os serviços mais populares estão as entregas de supermercado e de refeições, ambos com uma taxa de adoção de 55%. No entanto, serviços como manutenção da casa, jardinagem e limpeza doméstica revelam uma divisão clara: são usados sobretudo por quem tem maior estabilidade financeira. Por exemplo, entre os consumidores que não vivem “de salário em salário”, 34% recorrem à manutenção doméstica e 28% à limpeza da casa, ao passo que entre os que têm dificuldades em pagar contas, esses números descem para 25% e 14%, respetivamente.
67% dos consumidores norte-americanos vivem atualmente de salário em salário, um aumento face aos 65% registados em dezembro. Esta realidade molda grande parte das decisões de consumo, principalmente quando se trata de serviços não essenciais.
Para os fornecedores, o estudo deixa uma mensagem clara: baixar preços ou oferecer soluções mais flexíveis, como modelos de subscrição ou descontos direcionados, pode ser mais eficaz do que investir apenas na melhoria da qualidade do serviço.
 Além disso, a investigação também demonstrou que a redução no uso de serviços de conveniência nem sempre está ligada a dificuldades financeiras, pois alguns consumidores com maior estabilidade optam por cortar nestes gastos por mudanças no estilo de vida que lhes permitem gerir melhor o seu tempo.

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