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Estado de Emergência faz diminuir consumo de BGC

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A semana 12 de 2020 (16 a 22 de março de 2020) ficou marcada pela declaração do Estado de Emergência por parte do Presidência da República, fazendo com que as famílias permanecem em casa e a uma consequente desaceleração das compras.

Efetivamente, a terceira edição do Barómetro semanal da Nielsen sobre o impacto da pandemia COVID-19 no consumo, tem além da declaração do Estado de Emergência por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, o encerramento das escola em Portugal, fazendo com que as vendas de Bens de Grande Consumo (BGC) registassem um crescimento de 7% face à mesma semana 12 de 2019, uma desaceleração considerável comparativamente à semana anterior em que foi possível identificar uma subida de 65% face a período homólogo de 2019.

Portugal não foi caso único a registar este desacelerar das compras de BGC, sendo esta uma tendência uma tendência visível noutros países, nomeadamente em Espanha.

Em Portugal, este período, além da informação dramática da primeira morte por COVID-19, é também marcado pela imposição de restrições à movimentação – através do controlo das fronteiras terrestres e ligações aéreas – e pelo encerramento de estabelecimentos comerciais considerados não essenciais.

Produtos de longa duração são resposta à quarentena
Na alimentação, são os produtos de longa conservação que registam os maiores crescimentos, na semana 12. Destaque para as Conservas (+79%) e os Produtos Básicos (+68%). Lisboa e Setúbal destacam-se com crescimentos muito elevados nestas categorias, com valores de +89% e +74% para Conservas e +75% e +65% para Produtos Básicos, respetivamente.

Na semana em que os portugueses se prepararam para viver em quarentena a Nielsen registou, igualmente, uma preocupação acrescida com os animais de estimação, com os Produtos para Animais (alimentação e acessórios) a crescerem 15% face ao período homólogo.

Os Produtos de Papel continuaram no top do ranking de Higiene Pessoal e do Lar, com crescimentos mais notórios para o Papel Higiénico (+75%), seguido dos Lenços, Rolos e Guardanapos e dos Acessórios de Limpeza.

Entre os produtos de Higiene Pessoal e do Lar, as maiores quebras foram registadas em segmentos que demonstram de forma evidente o facto de os portugueses estarem agora em casa: Maquilhagem (-54%), Perfumes (-53%), Produtos para Calçado (-47%), Ambientadores (-38%), Cremes para Pele (-33%) e Produtos para Barba (-22%).

Poucos distritos crescem abaixo da média
Nesta semana 12, o crescimento das vendas face ao período homólogo foi sentido na generalidade do território nacional, com a exceção de alguns distritos. No topo dos crescimentos face à média nacional, destaque para Guarda (+16%), Évora (+14%) e Santarém (+13%), enquanto no campo oposto aparecem Coimbra (+2%), Viseu (+3%), Lisboa (+3%), Viana do Castelo (+4%) e Faro (+6%) que se registaram incrementos abaixo da média de crescimento em valor de 7% assinalada neste período.

Racional, mas também emotiva
A cesta de compras dos consumidores portugueses adquiriu moldes de sobrevivência, reforçada para tudo o que possa acontecer nesta situação. Mas esta é uma cesta em evolução, que começou com alguns primeiros sintomas e foi sendo rapidamente adaptada a todas as mudanças que vivemos.

Com a declaração do Estado de Emergência em Portugal, impondo saídas restritas à rua, o consumo dos portugueses tornou-se mais económico e racional. Marta Teotónio Pereira, Client Consultant Senior da Nielsen, explica esta é uma realidade “que poderá também vir a ser impactada pela evolução das condições financeiras dos portugueses. Depois de passada esta fase em que os portugueses prepararam a vida para a quarentena, é natural que procurem agora tornar a vida em casa mais suportável. Haverá por isso alguns produtos menos essenciais que podem vir a apresentar crescimentos, como por exemplo algumas categorias de bebidas. Até mesmo alguns produtos de beleza poderão ter também um lugar de maior destaque em casa, nesta fase em que não podemos sair” como, por exemplo, idas ao cabeleireiro, identifica a Nielsen.

“A evolução da composição da cesta de quarentena tem, portanto, uma parte experiencial e outra emocional e há aqui uma oportunidade para fabricantes e retalhistas atingirem vendas incrementais”, refere a responsável da Nielsen.

Neste contexto, os consumidores procuram soluções que facilitem a permanência em casa, motivo pelo qual o número de ocasiões de compra online registou um crescimento de 34% na semana 12 versus o período homólogo, com +41% de lares a eleger este canal, revela o Nielsen Homescan Consumer Panel Rawdata.