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Supply Chain

Médio Oriente: Transporte marítimo só deverá normalizar em setembro

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A recuperação total das cadeias marítimas globais só deverá acontecer em meados de setembro, mesmo após o acordo entre os Estados Unidos e o Irão que deverá permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. A estimativa é da Xeneta, plataforma de inteligência de frete marítimo e aéreo, que alerta para uma normalização lenta após os efeitos acumulados da interrupção da rota.

Segundo a análise, a reabertura de Ormuz deverá permitir o regresso progressivo do transporte de contentores à passagem, mas a dimensão da disrupção faz com que, mesmo num cenário favorável, a recuperação das redes oceânicas de abastecimento demore pelo menos três meses. A Xeneta prevê ainda que as tarifas spot continuem a subir durante pelo menos mais quatro semanas antes de atingirem o pico.

Os dados da plataforma indicam que cerca de 10% da frota global de transporte de contentores foi afetada pelo bloqueio. A pressão refletiu-se nos preços, com as tarifas spot nas rotas Ásia-EUA a subirem 192% e as tarifas para o Norte da Europa a aumentarem 106%.

O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais sensíveis para o comércio global, sobretudo pela sua importância nos fluxos energéticos. A Drewry sublinha que a reabertura da rota deverá restaurar a circulação de cerca de 20% do petróleo mundial, 20% do gás natural liquefeito e 30% do LPG, reduzindo parte da volatilidade nos mercados de energia.

Apesar do alívio, os riscos permanecem. A Drewry considera que o acordo reduz o risco de disrupção imediata, mas não elimina incertezas geopolíticas e operacionais. Entre os fatores que podem atrasar a normalização estão garantias de segurança para os armadores, custos de seguro, reposicionamento de navios, congestionamento em portos e a necessidade de restabelecer escalas e horários.

Para o retalho e a distribuição, o impacto deverá continuar a sentir-se sobretudo nos custos e prazos de abastecimento. Fretes mais elevados, seguros marítimos mais caros e atrasos na reposição de capacidade podem pressionar margens, calendários promocionais e disponibilidade de categorias dependentes de importações de longa distância.

A recuperação gradual também deverá manter pressão indireta sobre energia, produção industrial e logística terrestre. Ainda que a reabertura de Ormuz reduza o risco de uma crise prolongada, os operadores terão de gerir várias semanas de volatilidade até que os fluxos de transporte marítimo se aproximem da normalidade.

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