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Supply Chain

“Automação é chave para uma logística mais eficiente, sustentável e competitiva”

D.R.

Na vanguarda da transformação logística, Raúl Sánchez Montesinos, Head of Logistics da ISRG, destaca como a automação, a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes estão a redesenhar os hubs logísticos. Com foco em eficiência, sustentabilidade e capacidade de resposta ao mercado, estas inovações não só otimizam operações como elevam a competitividade global das empresas. Para ele, o investimento tecnológico é já uma exigência estratégica e não mais uma opção.

A modernização do parque logístico é uma tendência crescente entre os grandes operadores. Quais são os principais fatores que estão a impulsionar esta transformação?

 

As principais motivações, sem dúvida, são poder oferecer o melhor serviço possível às nossas lojas e clientes, ser mais eficientes e proporcionar uma melhoria nos prazos.

De que forma a automação tem vindo a transformar os hubs logísticos? Quais são os principais benefícios que os armazéns automatizados têm trazido para a operação logística?

 

A automação tem sido essencial na transformação dos nossos hubs logísticos, permitindo melhorar significativamente os tempos de serviço. Tempos de gestão de stock e de preparação de encomendas foram reduzidos, aumentando a eficiência e a capacidade de resposta, mesmo em períodos de maior procura. Com sistemas automatizados, conseguimos ser mais ágeis face às variações do mercado e responder com eficácia a picos sazonais, garantindo um serviço mais rápido e fiável para lojas e clientes.

O uso de tecnologias como WMS tem sido fundamental na modernização logística. Como estas soluções ajudam a otimizar os processos e aumentar a eficiência?

 

Sim. Sem um WMS seria impossível gerir a logística da ISRG, primeiro devido ao elevado volume de stock que movimentamos e também pelo elevado nível de automação do nosso Centro Logístico.

Como a Inteligência Artificial (IA) tem sido utilizada para melhorar a gestão de inventário, previsão de procura e roteirização de entregas?

A Inteligência Artificial representa um verdadeiro ponto de viragem na previsão da procura, permitindo uma maior precisão na antecipação das necessidades dos consumidores. Esta capacidade tem um impacto muito positivo na gestão de inventário, ao evitar excessos ou ruturas de stock, contribuindo para uma roteirização de entregas mais eficiente e adaptada à realidade de cada momento.

 

Como a automação pode contribuir para reduzir a pegada de carbono e aumentar a eficiência energética?

As soluções tecnológicas têm um papel importante na sustentabilidade logística. A automação permite otimizar consumos e reduzir desperdícios, enquanto infraestruturas como os centros logísticos, com grandes coberturas, são ideais para a instalação de painéis solares — especialmente em regiões como o sul da Europa, onde as muitas horas de sol representam uma vantagem competitiva clara.

Além da automação, que outras tecnologias emergentes estão a ser integradas nos hubs logísticos para melhorar a monitorização e o desempenho das operações?

Além da automação, várias tecnologias emergentes têm vindo a ser integradas nos hubs logísticos para melhorar a monitorização e o desempenho das operações. Na área administrativa, destacam-se a integração via EDI (Electronic Data Interchange) com os fornecedores como a automatização de processos administrativos repetitivos através de bots RPA (Robotic Process Automation), que têm sido fundamentais. Ao nível da gestão de stock, a tecnologia RFID — já conhecida, mas agora mais acessível — começa a ser implementada de forma mais generalizada. Na intralogística, os veículos AGV (Automated Guided Vehicles) são cada vez mais usados para movimentos internos ponto a ponto, tal como as novas máquinas com baterias de hidrogénio. Também têm surgido softwares mais avançados para a gestão de frotas dentro do armazém. Pessoalmente, considero particularmente interessante como tecnologias como a visão artificial, aliada à IA, podem melhorar significativamente muitos processos de controlo e segurança dentro dos armazéns.

Quais são os principais obstáculos que as empresas enfrentam ao tentar implementar estas tecnologias avançadas no setor logístico e como podem ser superados?

Embora a tecnologia esteja cada vez mais acessível, o investimento inicial continua a ser um dos principais desafios. Uma implementação faseada e escalável ajuda a reduzir riscos e a otimizar o investimento ao longo do tempo.

Como é que a digitalização e a integração de tecnologia impactam a competitividade das empresas no mercado global?

A digitalização permite uma adaptação mais rápida e eficiente às mudanças do mercado, tornando as empresas mais ágeis e, consequentemente, mais competitivas a nível global.

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