A APED anunciou, na semana passada, que alguns produtores de leite ameaçam desencadear acções de protesto contra a grande distribuição, apontando as empresas deste sector como sendo a origem dos seus problemas e uma ameaça à produção de leite em Portugal.
Segundo a APED o verdadeiro problema do sector do leite reside no grau de concentração muito elevado, dominado por um operador praticamente único, com dimensão e interesses ao nível do mercado ibérico. A Lactogal assume uma posição dominante e monopolista no sector, com uma quota de compras superior a 70% aos produtores portugueses.
A moderna distribuição não obtém, há vários anos, qualquer lucro directo resultante da venda de leite nas suas lojas, acomodando a degradação das condições de fornecimento do leite e impedindo maiores prejuízos para as famílias portuguesas. Esta situação tem vindo mesmo a agravar-se nos últimos dois anos.
Segundo o INE, o preço pago pela Lactogal aos produtores baixou cerca de 30% desde o final de 2008. Enquanto que, para os retalhistas e consequentemente para o consumidor, se limitou a baixar 10% do preço.
A distribuição portuguesa no mercado do leite, mais que orientada por motivações assentes no mero critério preço, preocupa-se em garantir a todos os seus clientes o acesso permanente ao produto, no âmbito de uma oferta de valor que proporcione a melhor relação qualidade/preço.
Em 2008, a Lactogal processou e transformou cerca de 900 milhões de litros de leite, o que representa cerca de 50% da produção nacional. O grupo Lactogal fechou 2008 com um volume de negócios de 1.075,7 milhões de euros, face aos 1.002 milhões do ano anterior, o que representa um crescimento de 7,4%.

