Produção

APROLEP desafia distribuição e indústria “a darem as mãos para salvar a produção nacional”

A crise vivida no setor da produção de leite em Portugal está a levar os produtores a acumularem perdas de dia para dia: o preço médio pago ao produtor ronda agora os 28 cêntimos por litro, quando o custo estimado é de 34 cêntimos. Para fazer face a esta crise, a APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal emitiu esta semana um comunicado em que desafia a distribuição e a indústria “a darem as mãos para salvar a produção nacional e em particular os produtores que se encontram em situação de desespero” através do escoamento da produção a um “preço justo”.

“Essa atuação poderia ter a chancela do Estado Português, com a atribuição do rótulo de ‘Produto lácteo sustentável’, que garanta ao consumidor não apenas a qualidade e a origem nacional do produto, mas também um preço ao produtor que permita a sua permanência na atividade, remunerando o seu trabalho e os custos de produção”, refere a associação.

Na nota enviada às redações, a APROLEP desafia também o Governo “a defender a produção nacional da mesma forma que o fazem os governos nacionais e regionais de países vizinhos, no apoio aos produtores, na fiscalização intensiva dos produtos importados e na identificação da origem dos produtos. Os consumidores que estão solidários com a produção nacional têm o direito de encontrar a origem dos produtos devidamente identificada nos pontos de venda.”

A associação está preocupada com a situação dos produtores que recebem abaixo da média e diz que existem alguns em “situação desesperante” que recebem “menos de 20 cêntimos por litro produzido”.

A isso acresce o facto de o fim das quotas leiteiras ter obrigado os produtores nacionais a “limitar a quantidade [de leite] que podiam entregar à indústria transformadora”. “A dificuldade de escoar o leite produzido e o baixo preço praticado, sistematicamente abaixo da média comunitária, é inaceitável num país que importa quase 500 milhões de euros em produtos lácteos, dos quais 300 milhões em queijos e iogurtes. As exportações que também ocorrem, em produtos com menor valor acrescentado, não evitam um défice anual de 200 milhões de euros em leite e produtos lácteos. É evidente que a solução mais lógica, do ponto de vista económico, social e ambiental, é a substituição das importações de sobras de leite da Europa por leite e produtos lácteos nacionais, mais frescos, mais próximos do produtor ao consumidor, de qualidade comprovada e com mais-valias para a economia nacional.”