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Tecnologia

Pagamentos eletrónicos não param de crescer… mesmo com pandemia controlada

O período pandémico trouxe consigo diversas alterações. Face ao desconhecido, muitos dos setores tradicionais da economia tiveram de se adaptar e, nesse movimento, acabaram por acelerar algumas tendências que vinham a ser postas em prática a ritmo moderado. A digitalização dos processos de compra foi um dos elementos da jornada de consumo que mais se alterou, com os consumidores a mostrarem-se disponíveis para alterarem significativamente a forma como pagavam as suas compras.

Nos diversos relatórios que foram surgindo durante os períodos mais graves da pandemia Covid-19, quase sempre associadas a questões de segurança ou de conveniência por troca para plataformas de compra online, os pagamentos passaram a realizar-se por meios digitais, abandonando-se, sobretudo durante as fases mais graves da pandemia, os pagamentos em numerário.

 

Ora, durante a semana passada, contudo, ficou demonstrado num relatório da portuguesa Feedzai que, nem com um maior controlo da pandemia por parte das autoridades sanitárias de cada país, esta tendência abrandou, com os pagamentos por meios online a continuarem em trajetória de crescimento.

Segundo o documento divulgado por esta empresa, entre abril e julho os pagamentos peer-to-peer (transferências diretas) cresceram 146%, valor que é acompanhado também por um crescimento nas transações online, que avançaram 109%, mas também pelos valores das transações com cartões de débito, que cresceram 26%.

Em sentido oposto, nas transações em dinheiro, registou uma quebra de 44% no mesmo período, valor que ganha relevância se tivermos em atenção que a comparação é feita com o segundo quadrimestre de 2020, altura em que o mundo, em grande medida, passava por nova fase confinamento, com muitos estabelecimentos encerrados e com impossibilidade de transações em dinheiro.

“Milhões de pessoas juntaram-se aos que já experimentaram quão convenientes são os pagamentos digitais e a banca digital quando não podiam ir a uma agência bancária ou a um restaurante ou mercearia. As transações sem dinheiro já não são o futuro, são o presente”, nota Jaime Ferreira. “Mas a conveniência veio com um custo. As instituições financeiras e os retalhistas têm de enfrentar o risco financeiro e os ataques de maior complexidade que surgem com a evolução digital”, considera o senior director of Global Data Science da Feedzai.