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Retalho

“Os próximos meses afetarão a racionalidade do consumidor”, diz líder da Jerónimo Martins

Jerónimo Martins

Depois da apresentação dos resultados do grupo – que revelaram um recorde de vendas em todas as frentes – Pedro Soares dos Santos, Presidente do Conselho de Administração e Administrador-Delegado da Jerónimo Martins, levantou um pouco mais do véu relativamente às operações da JM.

Destacando os bons resultados obtidos, em 2018, tendo ultrapassado os 17,3 mil milhões de euros em vendas (+ 6,5% face a 2017) e atingindo lucros de 401 milhões de euros (+ 4,1% que em 2017), o Presidente do Conselho de Administração e Administrador-Delegado da Jerónimo Martins, informou que a companhia irá distribuir 204,2 milhões de euros em dividendos, destacando ainda o facto de “poder decidir o que fazer com o valor de caixa é a grande mais-valia da Jerónimo Martins”.

 

Relativamente ao futuro da operação, Pedro Soares dos Santos revelou que a companhia irá investir entre 700 e 750 milhões de euros, em 2019, com o grande objetivo na Polónia a ser a abertura da 3.000.ª loja Biedronka e mais 50 lojas Hebe.

No que diz respeito à situação económica e política, tanto em Portugal como na Europa, as dúvidas são várias. Reforçando o que já tinha afirmado – em finais de janeiro tinha antecipado “seis meses muito difíceis” – Pedro Soares dos Santos colocou a tónica na incerteza que Portugal e a Europa irão atravessar. ”Já se pensou no que vai sair das eleições europeias? Já se pensou se sai uma maioria contra a União Europeia? Como será o futuro da Europa?”, equacionou. Juntando às eleições europeias as eleições legislativas em Portugal, “temo que os próximos seis meses sejam de muita incerteza, o que afeta a racionalidade do consumidor, logo do consumo e das vendas”, salientou.

 

“Vamos passar por um período em que vamos discutir tudo menos o que interessa”, reforçando que ““já sabemos que vêm aí semanas, senão meses, de troca de insultos e que serão raras as vezes que ouviremos decisões concretas dos diversos lados políticos”.

Quanto a investimentos, ou melhor, possíveis compras, o Presidente do Conselho de Administração e Administrador-Delegado da Jerónimo Martins, também foi claro: “as aquisições estão sempre no radar da Jerónimo Martins, desde que façam sentido no seu portfólio”. Por isso, futuras expansões poderão abranger mercados “vizinhos” dos atuais como, por exemplo, Roménia, Peru, Chile, México ou Equador.

 

Operação lusa
Em Portugal, o responsável máximo do maior retalhista português destacou o facto da operação do Pingo Doce ser praticamente toda gerida por mulheres, no que apelidou ser um caso único no retalho em Portugal”.

De resto, a maior operação de retalho em Portugal da JM foi confrontada, em território nacional, com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% – contrastando com os 5,1% na Polónia – e um crescimento do consumo privado na ordem dos 2,2%. “São crescimentos moderados a cair para o menos do que para o mais”, admitiu Pedro Soares dos Santos. Uma das operações destacadas pelo responsável foi o Take Away, onde o Pingo Doce vendeu mais de 5 milhões de refeições, com as cozinhas centrais a produzir mais de 10 mil toneladas de comida, revelando Soares dos Santos que esta será uma operação “onde iremos apostar fortemente”.

 

Forte continuará a ser a aposta na marca própria (MP), com o ano 2018 a registar mais de 250 novos lançamentos, com a MP a representar já 34% das vendas globais da insígnia (sem perecíveis).

Fazendo referência ao facto do Pingo Doce ser “a marca de retalho mais valiosa em Portugal e a terceira marca mais valiosa a nível global”, as 432 lojas são visitadas diariamente por mais de 700 mil consumidores.

Ainda em Portugal, a operação do Recheio encaminha-se a passos largos para atingir os mil milhões em faturação (em 2018 chegou aos 980 milhões de euros), no que Pedro Soares dos Santos apelida de “relógio suíço e cumpre o que promete”.

Com o lançamento de 182 produtos de marca própria, esta já representa 21,6% nas vendas da operação grossista, tendo fechado o ano 2018 com 42 lojas e mais de 60 mil clientes mensais.

Além disso, o Recheio exporta para mais de 42%, ou seja, +14% que em 2017. Neste particular, questionado se a parceria técnica em Angola com o grupo Score Distribuição se mantém, Pedro Soares dos Santos foi lacónico: “mantém-se, tal como se mantêm as outras parcerias nos outros países. Vendemos para Angola como vendemos para outros mercados”, reforçando que “temos uma marca forte, de qualidade, é natural que queiram comprar os nossos produtos e marcas”.

O sucesso polaco
A operação da “joaninha” tem uma definição simples para os responsáveis da JM: “um sucesso”. Aliás, para Pedro Soares dos Santos, “não há ninguém mais capaz na Polónia”. Neste mercado, a marca própria atinge um peso ainda maior nas vendas da insígnia, representando 41% do total.

Com mais de 4 milhões de visitas diárias, as 2.900 lojas Biedronka fazem com que sejam expedidas diariamente cerca de 4,3 milhões de caixas dos centros de distribuição.

O mercado polaco foi, aliás, considerado sem comparação com Portugal, já que “não podemos comprar um país que vê o PIB crescer 5,1% e o consumo privado aumentar 4,5%”, segundo o Presidente do Conselho de Administração e Administrador-Delegado da Jerónimo Martins.

Por isso mesmo, o mercado de Leste recebeu a maior fatia do investimento da JM – 372 milhões de euros – “e assim irá continuar”.

“Num mercado onde deixámos de ser portugueses, é importante realçar que 51% dos polacos consideram a Biedronka a loja principal para as suas compras e 80% compram regularmente nas nossas lojas”, salientou Soares dos Santos, reforçando que “já somos a 4.ª maior empresa na Europa Central”.

Ainda na Polónia, a Hebe “vai tornar-se numa grande marca e ter um impacto mais positivo”, admitiu o responsável da JM.

Sem marca própria, mas com mais de 150 marcas exclusivas, as 68 mil visitas diárias nas 110 cidades e localidades fazem os responsáveis da JM acreditar que poderão replicar a receita de sucesso que tão bem funcionou na Biedronka.

Nova vida para os colombianos
Na Colômbia, a operação Ara cresce com base nas marcas próprias apresentadas aos colombianos, representando já 44% do total das vendas, com o ano de 2018 a registar 196 novos lançamentos.

Pedro Soares dos Santos destacou, aliás, a importância da marca “be beauty”, a primeira marca transversal ao universo JM e o facto da indústria colombiana ter recebido com agrado esta aposta na produção no país, constatando Pedro Soares dos Santos que “onde a Ara está, a vida dos consumidores colombianos mudou … para melhor”.

Os outros projetos
No que toca aos projetos paralelos, ou seja, não retalho, a fábrica de lacticínios, em Portalegre assenta num forte compromisso com a região. Com uma capacidade instalada de 150 milhões de litros /ano, as cinco linhas de enchimento podem produzir 48 mil embalagens por hora, referindo Soares dos Santos que “esta fábrica vai fazer a diferença na oferta que temos para Portugal”.

Ainda no agro-alimentar, a exploração do Cartaxo já é responsável por 40% do total das vendas de carne Angus nas lojas Pingo Doce.

Mas o grande projeto da Jerónimo Martins é o salmão. Segundo avançou o responsável da JM, o salmão é um dos peixes mais vendidos nas lojas do grupo na Polónia e em Portugal, aparecendo no top 3 das vendas no nosso país.

Assim, a aposta passa por um projeto piloto, desenvolvido a 11 milhas da costa portuguesa, na região de Aveiro, onde a 70 metros de profundidade a parceria com especialista noruegueses “pretende substituir o salmão proveniente dos fiordes”, prevendo-se que já no mês de março ou abril sejam provados (internamente) os primeiros salmões de águas lusas.