A ALDI, enquanto discounter, consegue oferecer preços mais baixos porque constrói todo o seu modelo de negócio na procura constante pela eficiência. Isso inclui um sortido otimizado, operações simplificadas, margens controladas e uma disciplina rigorosa na gestão de custos. Cada decisão é tomada com o objetivo de reduzir ou eliminar desperdícios, permitindo que quanto menor for o custo operacional, maior é a capacidade de oferecer essa poupança no preço final ao cliente.
A Supply Chain da ALDI Portugal é um dos maiores motores dessa vantagem. A nossa missão é garantir que cada produto chega às lojas de forma simples, rápida e sem desperdício, assegurando a máxima disponibilidade ao menor custo possível. Esta eficiência gera poupanças reais que não ficam na organização: são reinvestidas diretamente nos preços, permitindo-nos cumprir a promessa fundamental de um discounter — oferecer ao cliente a melhor qualidade ao preço mais baixo do mercado.
Para garantirmos que esta eficiência seja contínua e alcance resultados constantes e sustentáveis, definimos uma estratégia clara nos últimos anos: reforçámos a nossa infraestrutura logística, investimos na inteligência artificial como ferramenta de alavancagem de eficiência e produtividade e apostámos na colaboração e desenvolvimento dos recursos humanos. A combinação destes três fatores foi chave para a ALDI ser hoje uma insígnia capaz de oferecer aos portugueses produtos frescos e de qualidade a preços baixos, através de uma compra prática e descomplicada.
O crescimento acelerado da ALDI – que abriu mais de metade das suas lojas atuais nos últimos cinco anos -, exigiu uma transformação radical da nossa rede logística. A abertura do nosso centro de distribuição na Moita, em 2022, um dos maiores do Grupo ALDI Nord, foi fundamental para centralizar o abastecimento de todo o território nacional. Antes de termos este centro, a operação estava dispersa por diferentes locais na Grande Lisboa e, parte da gestão, era realizada por um operador logístico externo. A abertura da Moita foi decisiva para modernizar a nossa operação, permitindo-nos gerir e controlar de forma integral e centralizada todas as nossas operações logísticas, o que trouxe uma maior eficácia na gestão de abastecimento das lojas.
Em 2025, com a abertura do centro de distribuição de Valongo, reforçámos a capacidade logística no Norte do país, garantindo um abastecimento ainda mais eficiente dessa região. A partir desse momento, a Moita passou a assegurar o abastecimento do Centro e Sul, enquanto Valongo ficou responsável pelas lojas do Norte. Esta reorganização permitiu reduzir custos de transporte e diminuir de forma expressiva o impacto ambiental da operação, com uma poupança anual estimada em cerca de duas toneladas de CO₂.
Contudo, a transformação física do mapa logístico da ALDI não acontece isoladamente; ela trabalha em paralelo com um investimento profundo em tecnologia e informação. Em 2025, avançámos com um dos projetos mais relevantes dos últimos anos: implementámos um novo sistema de aprovisionamento que, pela primeira vez, permitiu concentrar o planeamento das lojas e dos centros de distribuição numa única plataforma. Este passo possibilitou a criação de um forecast único para toda a organização, eliminando silos tanto nos sistemas de informação, como na organização interna — garantindo que o abastecimento e aprovisionamento das lojas e entrepostos trabalhassem com a mesma visão.
Para além do planeamento unificado, a previsão da procura passou a utilizar modelos avançados de machine learning e inteligência artificial, o que aumentou, de forma significativa, a precisão das previsões. Como resultado, conseguimos uma reposição mais fluida eficaz e uma clara redução das ruturas, reforçando a eficiência e fiabilidade da nossa cadeia de abastecimento.
A integração destes processos num ecossistema inteligente e automatizado trouxe uma agilidade operacional que até agora não era possível. Os modelos ajustam-se continuamente aos padrões reais de consumo, antecipam variações e libertam as equipas de tarefas manuais, permitindo-lhes concentrar-se em decisões de maior valor. Esta harmonização end-to-end, suportada por dados consistentes e inteligência artificial, tornou a cadeia de abastecimento mais eficiente, resiliente e eficaz, traduzindo-se numa vantagem competitiva evidente para a ALDI.
A inteligência artificial passou a desempenhar igualmente um papel determinante no planeamento das rotas dos nossos camiões. Com esta inovação, migrámos de um planeamento manual e altamente dependente da capacidade humana para um sistema automático, onde algoritmos analisam milhares de cenários para definir percursos mais eficientes, considerando tráfego, janelas horárias, restrições operacionais e necessidades específicas das lojas. Esta alteração resultou na redução significativa dos quilómetros percorridos, aumentou a produtividade da frota e tornou a operação mais estável e previsível, reforçando a nossa eficiência logística.
No entanto, a verdadeira força da cadeia de abastecimento da ALDI não está apenas na tecnologia ou na expansão das infraestruturas. A combinação entre processos sólidos, equipas altamente competentes e inovação tecnológica cria um ecossistema capaz de responder a aumentos de produtividade sem perder simplicidade e disciplina, que são essenciais ao nosso modelo.
Esta evolução não se traduz meramente na implementação de projetos, mas também numa transformação cultural, assim como estrutural, que garante que a ALDI está preparada para escalar com eficiência, manter a competitividade e continuar a cumprir a promessa de oferecer produtos de qualidade ao preço mais baixo possível. A Supply Chain é o motor silencioso desta missão, e a inovação é o combustível que nos permite avançar com confiança rumo ao futuro.

André Fradinho, Managing Director Supply Chain Management da ALDI Portugal

D.R.
