Paulo Jorge Monteiro, Diretor de Nutrição, Saúde & Bem-Estar do Grupo Auchan, apresentou a “nova realidade” do universo da saúde desde a altura em que as parafarmácias passaram a coexistir com o conceito de farmácia tradicional. Nas primeiras, o shopper tornou-se “mais autónomo”, beneficiando de uma oferta diferente, em livre serviço, com preços visíveis, num ambiente agradável e mais facilmente associado a “um espaço de saúde e bem-estar”, ao contrário das farmácias.“Dessacralizou-se a compra de medicamentos e hoje começa a ser possível atuar numa lógica de promoções, tal como no universo do FMCG – Fast Moving Consumer Goods”, afirmou.
Nuno Lima Santos, Diretor de Unidade de Negócio de Desportos Coletivos da Sport Zone – Sonae SR, afirmou ser “um desafio diário” conjugar um universo de marcas próprias, que já representam cerca de metade das vendas da Sport Zone, com as marcas que fazem parte do “subconsciente de todos os que praticam desporto”. E defendeu que já existe “construção das marcas próprias”, inclusive com novos lançamentos e divulgação específica, dando o exemplo da Berg.
A experiência de compra é “fundamental” para a fidelização dos clientes e está a ser trabalhada pela insígnia. Sem querer avançar com pormenores, Nuno Lima Santos adiantou que o objetivo, no futuro, é o de “criar um ambiente de loja onde as pessoas saibam orientar-se e gostem de comprar”.
Para Eloy Barros, Sócio Gerente da Unibrands, “80% da venda resulta da promoção”. Aliás, se não sentir um valor acrescentado, o consumidor opta pelo preço, considerou. “A inovação é a palavra-chave para a defesa das marcas”. Marcas que podem ser construídas pelos fabricantes, mas também pelos distribuidores, e Eloy Barros deu o exemplo da Mercadona: “Consegue criar inovação e trazer novos produtos ao consumidor”.
Questionado por José António Rousseau sobre a eficácia das diferentes estratégias de diferenciação adotadas pelas insígnias – promoções versus low price, Eloy Barros considerou que não há uma melhor solução: “Ambas são estratégias vencedoras, porque vão ao encontro de necessidades de consumidores diferentes”.
Luís Lança, responsável pelo Design Store e Visual Merchandising do El Corte Inglés, defendeu que o equilíbrio é a melhor forma de articular duas questões aparentemente contraditórias: proporcionar os melhores preços ao mesmo tempo que se oferecem boas experiências de compra. A questão, defendeu, é que o consumidor está disposto a passar por alguns inconvenientes – e citou o “desconforto de subir pisos” – se o prémio for suficientemente válido. “Encontrar uma grande oferta e o produto que se deseja a um preço baixo é visto como estímulo suficiente”, considerou.
Por sua vez, Marta Brito, Consumer Insight Manager da Sociedade Central de Cervejas, defendeu como prioridade “conhecer o shopper para ir ao encontro das suas necessidades. Atualmente não podemos dar tiros no escuro e por isso fazemos regularmente estudos aprofundados sobre os shoppers”. O recurso às redes sociais é crescente, para fidelizar, mais do que para vender.
As Conferências Dh são uma iniciativa da revista DISTRIBUIÇÃO HOJE organizadas pela IFE.

