FMCG

Portugueses compram menos, mas gastam mais

Jerónimo Martins e Sonae estão entre as empresas com maior valor reputacional

O mercado FMCG nacional registou uma quebra de 1% em volume e um crescimento de 2,1% no último trimestre de 2016, números que, segundo o estudo ‘Marcas + Consumidores’ da Centromarca, vêm confirmar a tendência dos consumidores nacionais para comprar menos quantidade, mas gastar mais. De acordo com o relatório apresentado esta quinta-feira (2 de março), os consumidores portugueses estão cada vez mais atentos à inovação e procuram também cada vez mais conveniência na hora de ir às compras.

“Verificou-se uma evolução positiva do comportamento do consumidor ao longo de 2016. Essa evolução resulta essencialmente do aumento do valor dos produtos que leva para casa, sendo de notar que esse incremento supera amplamente a inflação alimentar. Há categorias de produto em que essa nova escolha é mais significativa e parece consolidar-se alguma diferenciação do comportamento do consumidor entre os centros urbanos mais populosos e as restantes regiões do país”, revela Pedro Pimentel, Diretor-geral da Centromarca.

Os dados agora divulgados mostram que os portugueses compram menos produtos nas idas ao hipermercado, o que justifica esta queda em volume e tem impedido o crescimento do setor, muito por força das categorias Alimentação (-1,4%), Higiene Pessoal & Beleza (-0,6%) e Bebidas (-0,1%). Em contra ciclo está o segmento de Limpeza do Lar, que cresceu 1,2% e que “é o grande impulsionador do aumento do volume da cesta”, nomeadamente por força de produtos como detergentes para a roupa.

Shopper português está mais atento à inovação

Por outro lado, o estudo revela que os consumidores estão cada vez mais atentos à inovação em FMCG, sobretudo os consumidores até aos 34 anos de idade, os mesmos que exigem “mais conveniência quando se deslocam aos hipermercados”. De acordo com o estudo da Centromarca, estes shoppers “experimentam cada vez mais novos produtos”, uma tendência que poderá estar a ser impulsionada pelo crescimento promocional, “que tem levado à experimentação de novas marcas e ao aumento das compras exclusivas em promoção.” Os novos produtos representam, inclusive, 14% do sortido em Portugal, um valor acima da média europeia de 10%.

“A inovação introduzida no mercado é fundamental, mas no caso concreto português os novos produtos são mais renovação (novo sabor, tamanho ou variante) do que inovação (nova marca ou sub-marca). Portugal está acima da média europeia no que diz respeito ao total das vendas de novos produtos (13,5% vs 16%), o que o posiciona como um dos países mais inovadores quando comparado, por exemplo, com a Espanha, Polónia, Alemanha ou Bélgica”, acrescenta Pedro Pimentel.

Alimentação saudável ganha terreno

Outro dado agora revelado pelo estudo e que vem confirmar uma tendência já com alguns anos, é que os shoppers nacionais optam cada vez mais por produtos mais saudáveis, independentemente do preço que tenham que pagar. Segundo o estudo da Centromarca, os consumidores portugueses “não se importam de pagar mais por alimentos sem aditivos e sem conservantes, mas também com menos teor de sal e menos gorduras”.

Esta tendência tem sido, aliás, acompanhada pela Distribuição Moderna, já que os produtos saudáveis sofreram um aumento de 2,4% em volume face ao período homólogo.

“O valor Saúde está cada vez mais presente nas opções de compra dos portugueses. Isso reflete-se, por exemplo, na retoma de produtos frescos, bem como nas características e posicionamento de muitos produtos inovadores lançados em Portugal e nos restantes mercados europeus. Também do lado dos retalhistas esta preocupação parece ser clara quer na renovação do layout das suas lojas, quer noutros investimentos que têm realizado”, justifica Pedro Miguel Silva, Associate Partner de Retail & Consumer  Products da Deloitte.

Marcas de distribuição perdem terreno

Destaque ainda para os dados que indicam que entre 2012 e 2015, na Europa, e ao contrário do que ocorre em Portugal, tem-se verificado uma tendência de crescimento da marca de distribuição (MDD). Em Portugal, desde o ano de 2012 que se tem verificado uma tendência negativa, com um decréscimo regular na quota de mercado das MDD na ordem dos 12%, ao contrário, por exemplo, dos mercados alemão (+9%) e espanhol (+2%) que representam um maior peso do sortido das MDD.

Em Portugal, as marcas de distribuição representam mais de 50% do sortido, mas valem apenas um terço do valor do FMCG. “Apesar disso, os dados revelam que Portugal oferece a MDD mais atrativa da Europa, apresentando o melhor índice de preço face à marca de fabricantes, ultrapassando países como França ou Espanha”, refere o estudo da Centromarca.

Blandine Meyer, da Kantar Worldpanel, empresa responsável pela elaboração do ‘Marcas+ Consumidores’ para a Centromarca, sublinha que “num estudo comparativo engobando 11 dos mais relevantes mercados europeus, Portugal apresenta o mais elevado percentual de sortido de marcas do distribuidor nos lineares (mais de 50%) e, de longe, o maior diferencial de preços face às marcas de fabricante, mas – apesar disso – a parcela das vendas em valor das marcas dos retalhistas vem diminuindo e representa atualmente cerca de um terço do total do mercado”.