Produção

Cosmética: setor pretende melhorar a saúde e a autoestima dos consumidores

Cosmética: setor pretende melhorar a saúde e a autoestima dos consumidores
Já não é um mercado apenas feminino e também não se cinge apenas a maquilhagem. Os cosméticos andam de mão dada com a saúde, no que aos cuidados com a pele dizem respeito. E se a crise económica abalou alguns negócios, também deu maior margem ao aparecimento de novas marcas e canais, dotando o setor de, ainda, maior dinamismo.

Não há sazonalidade no que toca aos produtos cosméticos. Durante todo o ano, a tendência do mercado é crescente, à exceção dos protetores solares, que ganham expansão nos meses de verão, com pico de vendas entre maio e setembro. Existem, no entanto, alguns produtos especiais lançados em épocas específicas. «Temos produtos que lançamos de acordo com a sazonalidade, tendo também novidades que seguem as tendências de beleza», explica Susana Pereira, commercial head da Avon Portugal.

No caso da Estée Lauder Portugal, a sazonalidade nota-se, apenas, em coleções de maquilhagem de edição limitada, bases de maquilhagem mediante o seu acabamento e em alguns cuidados específicos, como, por exemplo, máscaras para o rosto. «Os nossos best-sellers, desde séruns de reparação a cremes hidratantes, são vendidos uniformemente ao longo do ano. Estes produtos combinam altos benefícios de reparação e hidratação relevantes para a pele e proporcionam resultados visíveis em todos os momentos do ano», explica Carolina Korth‑Brandão, marketing manager da marca. O crescimento mantém-se, assim, estável no segmento de cuidados da pele, com especial destaque «nos séruns e cremes hidratantes anti-envelhecimento. Na vertente de maquilhagem, tem-se observado um crescimento em produtos, como bases, corretores e batons», adianta a responsável.

Em Portugal, a tendência do mercado de beleza é positiva, com crescimento em vários segmentos na área de skin care. «Há um crescente interesse por produtos que valorizem os ingredientes naturais e que facilitem a vida do dia a dia, nomeadamente a procura de formatos viagem ou produtos para situações de SOS. Além disso, diversificam-se os circuitos de distribuição, oferecendo mais opções de compra aos consumidores», explica Margarida Condado, diretora de marketing da L’Oréal Paris e Garnier. E o interesse não é maioritariamente feminino, pois também os homens se preocupam com a beleza. «Este setor está empenhado em contribuir para o bem-estar e aumento da autoestima de todos os consumidores», sublinha Carolina Korth‑Brandão.

Recusamo-nos a fazer produtos banais, similares a qualquer outro que se encontre na prateleira. Os nossos produtos são sempre únicos e inovadores, têm sempre alguma mais-valia para os consumidores. Assim sendo, acabamos por sentir mais os efeitos da recessão”, João Pedro Paiva dos Santos, Neosanté

Ainda que também o setor se possa ter ressentido da conjuntura económica adversa, o dinamismo marca presença, alavancado pelo lançamento de novos produtos com regularidade. Para a commercial director da Kantar Worldpanel, Blandine Meyer, «o que se verifica, desde que a crise acabou, é que a reposição do gasto em higiene e beleza tem sido uma prioridade para os compradores portugueses. O crescimento do gasto tem sido superior ao gasto em FMCG (e 2017 não foi exceção) e mais especificamente ao setor de alimentação e bebidas. Este mercado não está a recrutar novos compradores, mas o tipo de compra mais valiosa que estão a fazer está a impulsionar o mercado».

Opinião distinta tem o presidente da Neosanté, João Pedro Paiva dos Santos, que tem assistido a alguma retoma nos últimos anos, mas que denota que o mercado já não é o que era. «A crise fez‑se sentir, os consumidores mudaram os seus hábitos de consumo e estabeleceram novos paradigmas. Hoje em dia, exigem qualidade com o preço muito mais baixo. Para tal, é necessário usar embalagens comuns a outros produtos, ou plásticos em vez de vidros, ou mesmo usar matéria‑prima mais corrente e vulgar do que matéria-prima e ingredientes inovadores e mais caros», defende. E acrescenta que a empresa que lidera se recusa a fazê-lo. «Recusamo-nos a fazer produtos banais, similares a qualquer outro que se encontre na prateleira. Os nossos produtos são sempre únicos e inovadores, têm sempre alguma mais‑valia para os consumidores. Assim sendo, acabamos por sentir mais os efeitos da recessão».

A Clarins adotou uma estratégia em contracorrente, e aumentou o investimento em pessoas, formação, serviço e animação e merchandising em ponto de venda. Como resultado, a empresa teve um crescimento consistente de vendas e quota de mercado”, Cristina Sagaio, Clarins

A Kantar, no entanto, considera que existe mais potencial para crescer, até porque a variedade de oferta é grande e a categoria inclui produtos de vários segmentos. «Vivemos num período em que os produtos de higiene básica, ainda que fortemente promocionados e sempre com novas fórmulas, como os shampoos, desodorizantes ou sabonetes, já não são um atrativo, nem uma fonte de recrutamento para a maioria das marcas. Os compradores portugueses procuram cada vez mais produtos especializados de beleza, como cremes de rosto, maquilhagem ou perfumes. O aumento da procura pelos mesmos fez com que os compradores procurassem mais além do mass market, ou seja, no canal especializado, como, por exemplo, farmácias e parafarmácias, lojas monomarca e perfumarias», explica Blandine Meyer.

O facto de as lojas também se terem ajustado e tornado mais acessíveis ao bolso dos portugueses, também tem dinamizado a categoria. «Como resposta à atratividade das farmácias e parafarmácias, a estratégia da grande distribuição assenta na criação/relançamento de marcas próprias de beleza com qualidade e mais acessíveis. Outra das grandes tendências deste mercado é o que se pode chamar “natural beauty”, que cresceu bastante em 2017, e cuja tendência é para se manter em 2018. Muitas marcas lançaram novos produtos em resposta a essa tendência», explica.

Jorge Gama, partner e diretor comercial da GBSO [distribuidora e agente de marcas internacionais], considera que a conjuntura económica abriu oportunidades a novos canais e novas marcas para se instalarem no mercado, mas fazem uma análise daquilo que foi o negócio nesta fase. «Em termos de consumo, houve uma crise, sobretudo porque passou a vender-se quase em exclusivo em promoção, ou seja, o preço médio de venda baixou. A pouco e pouco, tem-se vindo a recuperar, mas pensamos que os preços de venda ao público não voltam mais para os níveis de 2008/2010», salienta.

Temos um serviço de aconselhamento personalizado a cada uma das suas clientes, através do chat, no site da marca ou via Facebook”, Margarida Condado, L’Oréal Paris

A Clarins tem como perfil de consumidoras, mulheres com mais de 30 anos, «cosmopolitas e que se preocupam com o seu bem-estar» e está disponível em «perfumarias seletivas, dentro do mercado de perfumaria de prestígio», avança a general manager Cristina Sagaio. A linha mais extensa de oferta da marca responde a necessidades específicas de rosto e corpo, podendo ser encontrada em cadeias nacionais, internacionais e perfumarias locais. «A Clarins adotou uma estratégia em contracorrente, e aumentou o investimento em pessoas, formação, serviço e animação e merchandising em ponto de venda. Como resultado, a empresa teve um crescimento consistente de vendas e quota de mercado [que a marca pretende continuar a obter este ano], bem como o aumento de consumidores fiéis à marca», explica a responsável.

Inovação em várias frentes

Foi isso que tentámos saber junto de algumas das principais marcas de cosmética no país e, também, no mundo. Que lançamentos aconteceram nos últimos anos? Que novidades estão a ser preparadas para este ano? O que está previsto em termos de inovação e o que representa essa aposta no negócio? «Para 2018, a Estée Lauder vai focar o seu investimento nos três grandes pilares da marca. Entre estes, estão o nosso sérum best-seller Advanced Night Repair, o inovador creme hidratante Revitalizing Supreme+ e a base de maquilhagem Double Wear. A nossa aposta, para este ano, passa por uma estratégia diferenciada para cada um destes produtos, tanto nos meios de comunicação tradicionais, como nos canais digitais, e, ainda, através do reforço da comunicação no ponto de venda, sempre orientada para o consumidor», garante a marketing manager.

Cosmética: setor pretende melhorar a saúde e a autoestima dos consumidores

Para criar uma maior proximidade com o público, a marca conta com a presença de modelos e influenciadoras internacionais de várias etnias e faixas etárias na publicidade ao longo do ano. O objetivo passa por criar «uma experiência memorável e personalizada para cada mulher, recomendando os produtos que mais se adequam ao seu tipo de pele, para que se sintam bonitas e bem consigo próprias», adianta.

Além da aposta na comunicação e publicidade, a Estée Lauder desenvolve algumas iniciativas ao longo do ano, como, por exemplo, a aplicação local da campanha internacional da Companhia – Breast Cancer Awareness – «cuja missão é vencer o cancro da mama através da educação e da investigação médica».

A venda direta irá permanecer. Para já, não nos sentimos ameaçados pela concorrência que integra a Grande Distribuição”, Susana Pereira, Avon

No que respeita às metas de faturação, e ainda que a responsável não avance números, a meta é crescer, sobretudo na categoria de cuidados da pele.

Também a Garnier tem uma parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro com a marca «Ambre Solaire, líder no segmento de proteção alta e em variedades para crianças», através de um projeto educacional de prevenção do cancro da pele, explica Margarida Condado.

«A Clarins sempre teve, no seu ADN, a relação com o consumidor como uma prioridade. O seu fundador, há 60 anos, fez questão de continuar a ouvir as sugestões das consumidoras, através do CRM, que se fazia através de um leaflet existente em cada uma das embalagens de todos os produtos existentes em linha», conta Cristina Sagaio, general manager da empresa no nosso país. Através deste feedback, formularam-se muitos dos produtos que foram sendo lançados no mercado. Para 2018, o objetivo passa por continuar a envolver as consumidoras e aumentar o investimento em CRM.

Cristina Sagaio, da Clarins

Conforme tem acontecido nos últimos anos, a GBSO tem um plano de lançamentos muito ambicioso, ainda neste primeiro semestre de 2018. «Vamos ter cinco extensões de linha de marcas existentes e vamos lançar três novas marcas na área dos depilatórios, cabelo e cosmética orgânica», explica Rita Palma, partner e diretora de marketing.

O destaque maior vai para o começo do trabalho da marca no segmento de cosmética orgânica. «Em Portugal, ainda é um nicho,mas em países com a França ou a Alemanha já representa mais de 1/3 do mercado total. Em termos de aproximação com os consumidores, a fórmula é simples: estudar as suas necessidades, ver o que há no mercado internacional e que é relevante para o consumidor português e trazer para Portugal o produto que nos ofereça a melhor relação qualidade/preço», sublinha. A comunicação com o consumidor faz-se no ponto de venda, havendo ainda «bastante investimento em social media», explica.

Jorge Gama, partner e diretor comercial, defende que «uma marca sem história, não é uma marca. As nossas marcas contam uma história». No objetivo de envolver os consumidores, a GBSO tem um projeto na área de depilação em casa. «Com a marca Body Natur, num mercado maduro que perde vendas e volume de forma acelerada, queremos trazer aos consumidores novas emoções e formatos que até aqui não existiam. Na marca Soft&Co, que é a nossa marca própria, vamos entrar em três novos segmentos, sempre a pensar no conceito do uso em família e para a família», explica Jorge Gama. Especificamente para o mercado português, e pensando também nos homens, a marca lançou produtos específicos para a barba. «O homem consome cada vez mais produtos de cosmética, e não gosta de ir ao linear de senhora comprar os produtos que necessita ou que tem curiosidade de experimentar. Assim, fomos pioneiros no lançamento, em Portugal, dos produtos para tratamento da barba ou acessórios de beleza específicos para homem», explica Rita Palma. Esperam-se novidades para este ano, também neste segmento.

«O mercado português anda sempre a reboque de mercados mais maduros, como o francês, italiano ou inglês. A consumidora portuguesa é cada vez mais exigente, mas, ao mesmo tempo, mais pragmática nas suas escolhas e a relação qualidade/preço assumiu uma nova dimensão no consumo. O “marquismo” perde importância nas novas gerações e isso tem a virtude de abrir espaço a novas marcas e novos canais de distribuição», defende Jorge Gama. Para Rita Palma, a fidelização é cada vez menor e as novas gerações são mais influenciáveis, sobretudo pelas tendências e inovações de curta duração. «Mudam de marca muito mais rapidamente», diz-nos. Para tal, tem contribuído a possibilidade de experimentação, a maior acessibilidade a produtos em novos canais e o impacto do “passa a palavra”».

A aposta no digital e a presença online da marca L’Oréal Paris é uma das formas que a marca encontra de «massificar e aumentar a proximidade junto dos consumidores. Temos um serviço de aconselhamento personalizado a cada uma das suas clientes, através do chat, no site da marca ou via Facebook», explica Margarida Condado.  Dada a diversidade de marcas e produtos que a marca detém, é possível chegar a públicos de todas as idades e de diferentes gostos e perfis.

Carolina Korth‑Brandão, da Estée Lauder

As consumidoras da Estée Lauder procuram «produtos de beleza de prestígio, tendo como inspiração outras mulheres. Estão em busca constante por dinamismo, jovialidade, resultados imediatos e visíveis. Na nossa marca, acreditamos existirem três tipos de consumidoras: as que procuram beleza aspiracional, as que procuram beleza intemporal e as que procuram beleza sem idade. Neste sentido, a marca continua, todos os dias, a inspirar as diferentes clientes, desde a beleza e sofisticação dos seus produtos a todo o legado e história emocional associados à Sra. Estée Lauder», explica Carolina Korth‑Brandão.

Conquistar os mais jovens

O foco no consumidor faz, também, parte da estratégia da Clinique, seja através de produtos e conceitos que a marca considera inovadores, como através da comunicação dos mesmos. Assim, para 2018, o investimento da empresa contempla «a presença em ponto de venda, PR, comunicação offline e um enorme foco no digital, tanto nas redes sociais, como através de influencers para abordar uma geração mais jovem, que está a acabar a universidade ou a entrar no mercado de trabalho, e que começa a preocupar-se com o tratamento e a saúde da pele e a expressar-se através da maquilhagem. Recrutar novas gerações para a marca é um dos grandes objetivos para 2018», revela Cláudia Mateus, brand & marketing manager da Clinique.

Em breve, a marca vai lançar uma nova linha dedicada a mulheres que praticam desporto, ou que têm uma vida muito ativa, «com produtos que vão proporcionar bem-estar antes, durante e depois da prática de exercício físico. Será um lançamento bastante interessante para o portefólio da marca e do mercado nacional, uma vez que irá responder às necessidades de hidratação das mulheres que têm vindo a adotar, cada vez mais, um estilo de vida desportivo», explica a responsável.

A criação de parcerias estratégicas e o lançamento de campanhas e produtos inovadores permitirão reforçar o posicionamento da Clinique «na categoria de luxo associado à distribuição em perfumaria», tendo como desafio permanente o crescimento. «Estamos muito atentos ao mercado nacional e internacional».

Para o presidente da Neosanté, marca que comercializa o conhecido “Leite de Colónia”, o setor cosmético é «muito competitivo, sendo muito difícil de entrar com novas marcas e ideias, quando não suportado por enormes orçamentos de marketing. Por outro lado, trata-se de um setor onde existem nichos que são verdadeiras oportunidades para produtos diferenciadores».

Para o ano de 2018, a aposta da empresa vai no sentido de aproximar a marca “Leite de Colónia” aos mais jovens, reforçando o posicionamento junto desse mercado. «São poucas as marcas que podem afirmar que acompanham várias gerações e que são ainda jovens e inovadoras», explica. Mas os objetivos passam, também, pela entrada na Grande Distribuição, mais concretamente, nas grandes superfícies e perfumarias. «É algo que temos tentado, mas que ainda não conseguimos, por não ter havido interesse das mesmas neste produto», lamenta o responsável.

A empresa está, também, a desenvolver «uma gama de cosmética muito completa – a Dermosanté – para a qual procura encontrar representantes e distribuidores em Portugal. «Queremos, ainda, investir no desenvolvimento e fabrico de produtos para terceiros, sejam pequenos clientes ou grandes superfícies», foca. A previsão da empresa é de aumentar a faturação, em 2018, «na ordem dos 20%», sobretudo alavancada pelo posicionamento no nicho de «mercado da saudade, junto da população mais jovem. Esperamos começar a sentir os efeitos desta aposta no segundo semestre de faturação», diz-nos João Pedro Paiva dos Santos.

Sandra Silva, Mary Kay Portugal

A marca foi adquirida pelo empresário quando atravessava uma crise muito complicada. «Este investimento visava salvar uma marca portuguesa icónica. Hoje em dia, a marca “Leite de Colónia” mantém o seu produto-estrela e desenvolve outras atividades, procurando o desenvolvimento de fórmulas para produtos e gamas para terceiros; fabrico e fornecimento de todo o tipo de cosméticos para terceiros, sejam pequenos clientes ou grandes superfícies», explica.

O que diferencia a Well’s

Já referimos, ao longo deste artigo, a importância do canal farmácia neste setor. E se juntarmos uma parafarmácia a uma insígnia muito conhecida dos consumidores? As lojas Well’s, inseridas no Continente, não se dedicam apenas a medicamentos não sujeitos a receita médica ou outros produtos na área da saúde. «Atualmente, a Well’s tem a oferta de produtos de cosméticos mais alargada em Portugal. Dada a dimensão das nossas lojas, muito acima da média do mercado, conseguimos, na sua grande maioria, oferecer aos clientes todos os produtos das principais marcas e sermos, muitas vezes, os primeiros a lançar as inovações destas marcas no mercado», salienta Eduarda Taveira, diretora comercial da marca.

Mais recentemente, a Well’s apostou numa gama alargada de marca própria, em especial de hidratação de corpo e higiene do bebé. «Estes produtos são testados dermatologicamente, em comparação com as melhores marcas, e permitem aos nossos clientes obter cosméticos de topo a um preço muito mais acessível», explica.

Ao longo do ano, a empresa desenvolve um leque de iniciativas que pretendem tornar as marcas e os produtos mais acessíveis aos consumidores. Recentemente, e até ao passado dia 25 de março, esteve em vigor uma campanha de beleza em 12 lojas espalhadas pelo país, que contou com a presença de especialistas da área de dermocosmética a fazer um serviço de personal shopper, com um aconselhamento individualizado, utilizando instrumentos de diagnóstico de pele e identificando as necessidades de cada cliente. «E ainda, todas as sextas e sábados de março, tivemos uma profissional a fazer sessões de maquilhagem com as nossas marcas Essence e Catrice e com as marcas exclusivas Well’s Make up Revolution e Gosh», explica Eduarda Taveira.

Com 227 lojas em Portugal, temos uma capacidade de chegar a todos os cantos do país, permitindo assim desenvolver e comunicar estas campanhas a nível nacional, e apoiar os nossos clientes com um atendimento especializado em todas elas”, Eduarda Taveira, Well’s

Durante os restantes meses do ano, uma equipa de especialistas em loja, com 70 farmacêuticos a nível nacional, apoia os clientes que privilegiam uma compra informada.

Também nesta área, a atividade promocional tem o seu impacto. «Estamos sempre empenhados em garantir grandes promoções, durante os períodos que definimos como core para aquela área de negócio. É uma das estratégias que usamos para angariar novos consumidores para este mercado de cosméticos de farmácia/parafarmácia. Acreditamos que o impacto que a utilização destes produtos tem na beleza e na saúde da pele é muito relevante, por isso, tentamos, através destas campanhas, dar a experimentar, crescendo assim a base de clientes para todo o mercado», explica a responsável.

O facto de a Well’s pertencer a uma empresa de grande dimensão, como a Sonae MC, traz vantagens diárias, na sua opinião. Desde logo, «a capacidade de trabalhar com preços mais baixos e oferecer promoções muito relevantes aos nossos clientes». Mas há mais. «Com 227 lojas em Portugal, temos uma capacidade de chegar a todos os cantos do país, permitindo assim desenvolver e comunicar estas campanhas a nível nacional, e apoiar os nossos clientes com um atendimento especializado em todas elas». A proximidade com o Continente é também vantajosa para os clientes, ao aumentar a conveniência e ao permitir horários de funcionamento mais alargados, sobretudo em zonas mais rurais.

Os novos lançamentos são também uma das bandeiras da marca. «Apenas nos últimos três meses, lançámos já mais de 130 artigos em dermocosmética», explica Eduarda Taveira.

O impacto da venda direta

A Avon Portugal e a Mary Kay continuam a apostar na venda direta, tendo como protagonistas os revendedores. E assim pretendem continuar.

«Desenvolvemos o nosso próprio negócio através da venda de produtos da marca aos seus contactos, a partir das brochuras impressas (catálogos), amostras, produtos de demonstração, experiência pessoal com os produtos, da partilha da brochura online ou, agora, através do novo site», explica Susana Pereira, da Avon Portugal. Os revendedores são os representantes da marca e fazem a ligação com o cliente final. «Dão-nos uma cobertura impressionante, impulsionando as vendas da Avon para todos os pontos do país e todos os estratos sociais. A venda direta irá permanecer. Para já, não nos sentimos ameaçados pela concorrência que integra a Grande Distribuição», assegura a responsável.

Presente em cerca de 40 países, a Mary Kay também tem na venda direta, em Portugal e no mundo, a sua aposta, considerando também as consultoras que queiram ter carreiras independentes, a juntarem-se ao negócio que fatura anualmente «vários biliões de dólares», explica Sandra Silva, diretora-geral da Mary Kay Portugal. «A companhia fornece‑lhe os produtos e toda a formação e apoio necessário ao desenvolvimento e crescimento do seu negócio», explica.

Somos uma marca com mais de 1200 patentes, que faz anualmente mais de meio milhão de testes e investe vários milhões em investigação e desenvolvimento”, Sandra Silva, Mary Kay

O site da Avon é, atualmente, «100% e-commerce» e veio reforçar a tradicional abordagem de venda direta porta a porta. «Quisemos estabelecer uma melhor proximidade entre os nossos revendedores e os seus consumidores e também chegar mais perto do target jovem, que está sobretudo na esfera online», explica Susana Pereira. Este ano, a marca conta com uma nova embaixadora, a atriz Filipa Areosa, que dará também apoio ao nível da comunicação de recrutamento e de produto, nomeadamente à «linha de maquilhagem Mark». O objetivo é «continuar a crescer e reforçar a posição de líder no mercado de venda direta», sublinha a responsável. Também nos últimos anos, o número de revendedores tem aumentado substancialmente.

«A AVON tem um crescimento único, estabelecendo novos recordes, com um share de mercado muito relevante em categorias, como maquilhagem e fragrâncias».

A Mary Kay comemora, este ano, o seu 55.º aniversário a nível mundial, e reforçou a sua aposta em inovações impactantes para os cuidados da pele. «Vamos continuar a apostar na ciência do cuidado da pele e reforçar ainda mais este eixo e a sua comunicação. Pretendemos aproximar-nos dos consumidores através das cerca de 5500 consultoras de beleza independentes em Portugal, bem como com a campanha global “Beleza com Confiança”, que tem como principal objetivo ajudar as mulheres a terem confiança e a sentirem-se confiantes e a aceitarem elogios», explica Sandra Silva.

Todos os trimestres são lançados novos produtos e, em 2018, a tendência irá manter-se. Apesar de não desvendar qual, a marca antecipa que o último trimestre deste ano será o momento para um “grande lançamento”. O sucesso da marca tem sido alavancado pelo crescimento. «A Mary Kay Portugal duplicou o tamanho do negócio nos últimos cinco anos, crescendo mesmo no meio da mais severa crise dos últimos 30 anos no nosso país. Este sucesso é explicado pelo posicionamento único da Mary Kay, através do serviço personalizado e profissional das suas consultoras de beleza independentes, que têm na marca o seu negócio independente e a possibilidade de ter uma carreira flexível e ilimitada, e que, até aos nossos dias, continua a ser um estudo de caso pela Universidade de Harvard», sublinha a diretora-geral.

Relativamente ao perfil de cliente das duas marcas, no caso da AVON, Susana Pereira explica que os clientes procuram «produtos de qualidade e de inovação constante, mas acima de tudo preço apelativo». No caso da Mary Kay, são sobretudo jovens e mulheres que gostam de se cuidar, «que procuram produtos de alta qualidade, inovadores e que valorizam o tratamento personalizado. Somos uma marca com mais de 1200 patentes, que faz anualmente mais de meio milhão de testes e investe vários milhões em investigação e desenvolvimento», explica Sandra Silva.

A GBSO decidiu apostar, este ano, numa linha vegan e lançou, no passado mês de janeiro, uma marca exclusiva de farmácias, supermercados biológicos e lojas de produtos naturais em higiene oral. «Lançámos a marca Himalaya, que inclui pastas de dentes naturais, vegan e orgânicas», avança o diretor comercial, Jorge Gama. Para abril próximo, está previsto o lançamento de uma gama completa de produtos biológicos e naturais ao nível do tratamento de rosto, com a marca «So Bio Etic, líder na Europa e que chega agora a Portugal, pelas nossas mãos», explica.

O diretor comercial conta-nos o que levou a este investimento: «O mercado do natural, vegan e orgânico é dos mais dinâmicos neste momento, no entanto, tem ainda pouca expressão em Portugal. Achamos que, nos próximos 10/15 anos, vai crescer sempre a dois dígitos. Tal como aconteceu noutros mercados, os preços destes produtos, com o aumento de consumo, vão descer e ganhar novos consumidores. As novas gerações olham para este segmento, muitas vezes, como a única alternativa. É um caminho sem retorno, e por muito que a indústria das grandes marcas FMCG não o veja como um bom negócio, é uma tendência imparável», explica.

No que respeita à marca própria “Soft & Co”, 100% portuguesa, Rita Palma explica que é constituída por «um creme hidratante 1 L hipoalergénico, um gel 100% aloé vera e óleos de coco e urucum». Para maio deste ano, está planeada uma extensão da linha em novos segmentos, mas a pensar num consumo familiar.

Cosmética: setor pretende melhorar a saúde e a autoestima dos consumidores

Os produtos desta marca são facilmente encontrados na Grande Distribuição. «Neste momento, trabalhamos cerca de 20 marcas em oito categorias, quase exclusivamente na área da cosmética/cuidado pessoal. É bastante fácil encontrar as nossas marcas em todas as insígnias, embora umas tenham uma distribuição mais alargada do que outras», afirma Rita Palma. «De todas as cadeias, só não trabalhamos com o Lidl e o Aldi», acrescenta Jorge Gama. No que respeita ao relacionamento com o setor, o responsável considera que é bom, apesar de um pouco desigual. «Na realidade, não nos podemos queixar. Sabemos o que procuram nos produtos, nas marcas e nos fornecedores, e temos noção que, em termos de margens e rentabilidade, temos de ser cuidadosos e realistas. A grande distribuição em Portugal não é diferente da existente noutros países. Temos de dimensionar a nossa estrutura e os nossos custos às margens libertadas neste canal. Existe um fator muito relevante neste tipo de clientes: o risco financeiro é reduzido, podemos trabalhar com menos margens, mas não temos faturas não pagas», explica o diretor comercial. A estratégia da GBSO passa, agora, por entrar e aumentar a presença noutros canais, como as perfumarias, as farmácias, as drogarias, as gasolineiras e o livre serviço.