Quantcast
Produção

Pedro Queiróz, diretor-geral da Federação da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA)

Pedro_Queiroz-FIPA

Quais foram os maiores desafios que o setor agroalimentar enfrentou no ano 2019?
Como maior setor industrial da nossa economia e em resultado da sua presença no dia-a-dia dos consumidores, a indústria alimentar e das bebidas tem sido muito desafiada ano após ano e 2019 não foi exceção. A par das permanentes demandas ao nível da qualidade e segurança alimentar e da experiência sensorial, este setor tem vindo a enfrentar enormes desafios, tais como a adaptação nutricional às novas exigências do mercado e a proatividade no sentido de uma economia mais circular.

Numa perspetiva de cadeia de valor, são as novas tecnologias que impõem uma adaptação rápida a desafios como a digitalização, a inteligência artificial ou o big data, em áreas tão diversas como a produção, a logística ou o marketing. Numa perspetiva competitiva e de conquista de novos mercados, destaca-se ainda a permanente necessidade de inovação. Existe, no entanto, hoje um desafio transversal que envolve a reputação desta indústria, em particular no que respeita às perceções deformadas e desinformadas do processamento alimentar.

E que soluções foram encontradas para resolver esses mesmos desafios?
Na perspetiva associativa, a FIPA tem sabido promover os principais eixos de competitividade do setor. Deu início à implementação de um plano de comunicação para desmistificar o tema dos alimentos processados, assumiu publicamente, com o Governo, um amplo compromisso de reformulação nutricional e passou a integrar a procura de soluções para a melhoria do desempenho ambiental das embalagens. Teve ainda uma permanente intervenção nos debates com os mais variados parceiros e decisores, com vista a afirmar os desígnios da indústria alimentar e das bebidas.

Do lado do tecido empresarial, temos assistido a um foco permanente nos desafios colocados pelas diferentes gerações, implicando a inovação de produtos e processos, tendo presente os eixos da saúde e bem-estar, da preservação ambiental, da comodidade, da conveniência e das experiências.

Como antecipa o ano de 2020 para o setor e que novos desafios poderão ser lançados?
Para além da imperativa necessidade de crescer de forma sustentável numa perspetiva económica, vamos ter um setor focado na inovação, quer ao nível da adequação nutricional dos produtos quer ao nível da economia circular e da proteção do planeta. Teremos de continuar a trilhar o caminho da exportação e da internacionalização numa conjuntura de risco ao nível das “guerras comerciais”.

Por outro lado, uma conjuntura parlamentar mais multifacetada e um contexto europeu e internacional muito incertos, deixam antever uma maior dificuldade na previsibilidade e antecipação das políticas públicas o que naturalmente trará igualmente novos desafios ao nível do relacionamento institucional. A evolução dos canais de distribuição e das tecnologias de informação, implicarão a necessidade de adaptação continua numa perspetiva de cadeia de valor.

Não menos importante é a urgência de se pensar o capital humano, quer na perspetiva da formação e recrutamento quer na perspetiva da retenção de talento.