O Bloco Logístico de Almeirim recebeu, a 25 de setembro, o 4.º Encontro do Comité Científico da Mercadona, uma iniciativa que reuniu especialistas, académicos e responsáveis da empresa para discutir autenticidade, sustentabilidade e segurança alimentar.
O evento consolidou a imagem da Mercadona como uma empresa que alia ciência aplicada, inovação e rigor técnico à distribuição.
O debate como motor do encontro
O programa foi dominado por duas mesas-redondas, que promoveram um diálogo aberto sobre alguns dilemas que hoje desafiam o setor: a autenticidade dos produtos, a proteção do consumidor e os desafios éticos da sustentabilidade.
No debate dedicado à autenticidade e segurança alimentar, numa mesa-redonda moderada por Paula Teixeira, Professora e investigadora na área da Microbiologia alimentar, analisou-se a ligação entre autenticidade e segurança. Sandra Chaves, especialista em Biologia Molecular e Genética, defendeu que a autenticidade deixou de ser apenas uma questão económica: “A falta de autenticidade pode comprometer a segurança e até a sustentabilidade”.
Inês Pádua, Nutricionista e especialista em alergénios, por seu lado, alertou que “a mínima presença de um alergénio pode ser fatal”, apontando lacunas na regulamentação sobre vestígios e contaminação cruzada.
Alexandra Silva, Farmacêutica e especialista na área dos cosméticos e dispositivos médicos, ampliou o debate ao setor não alimentar, defendendo rotulagem mais clara e formação do consumidor.
Os participantes convergiram num ponto: é essencial investir em métodos analíticos, prevenção e comunicação transparente. A legislação europeia, embora sólida, “nem sempre acompanha a evolução tecnológica”, sublinhou Sandra Chaves.
A mesa terminou com um apelo à responsabilidade partilhada entre fabricantes, distribuidores e consumidores.
A Sustentabilidade e ética no consumo também foram a debate. Numa mesa-redonda conduzida também por Sandra Chaves, analisaram-se os dilemas éticos e científicos da sustentabilidade alimentar.
O investigador Duarte Torres alertou para o risco ambiental do atual padrão de consumo: “Se nada mudar até 2050, ultrapassaremos os limites do planeta”. O especialista defendeu, assim, três eixos estratégicos: redução do consumo de carne, diminuição do desperdício e aumento da eficiência produtiva.
Porém, Duarte Torres advertiu que muitos produtos vegetais ultraprocessados, criados para imitar carne, “apresentam riscos nutricionais e microbiológicos que exigem estudo e regulação”.

Inovação nas embalagens e riscos emergentes
Fernanda Vilarinho, investigadora na área das embalagens e dos materiais em contacto com alimentos, destacou os avanços, mas também as fragilidades, na transição para soluções biodegradáveis e recicláveis. Segundo a investigadora, alguns biopolímeros ainda não garantem o mesmo nível de proteção que os plásticos de origem fóssil. A investigadora lembrou que certos materiais inovadores acabaram por não chegar ao mercado devido à migração de compostos para os alimentos. “A inovação tem de vir acompanhada de testes de migração e estabilidade”, sublinhou, defendendo o desenvolvimento de embalagens ativas que prolonguem a vida útil dos alimentos – desde que devidamente validadas do ponto de vista científico.
Sustentabilidade e circularidade: entre o ideal e o risco
A economia circular, pilar da estratégia da Mercadona, também foi a debate. O comité reunido em Almeirim alertou, contudo, para o perigo de reaproveitar indiscriminadamente subprodutos. Alegando-se que alguns resíduos podem concentrar metais pesados ou dioxinas, comprometendo a segurança alimentar, lembrou-se, por isso, que EFSA já classificou a migração de glúten em embalagens biodegradáveis como risco emergente.
A conclusão foi clara: a sustentabilidade deve avançar sem comprometer a saúde pública.
Assim, a confiança e transparência foram descritas como o futuro da alimentação. Para encerrar o debate o consenso foi estabelecido entre os participantes de que nunca houve alimentos tão seguros como hoje, mas a segurança exige vigilância contínua.
Como resumiu Duarte Torres, “a Europa tem o sistema alimentar mais sólido do mundo; mantê-lo é responsabilidade de todos”.
Os membros do comité da Mercadona reforçaram, desta forma, que educação, transparência e cooperação entre ciência e indústria são as ferramentas que garantirão essa confiança.
Um compromisso que ultrapassa a distribuição
O diálogo entre especialistas e gestores permite antecipar crises, melhorar processos e reforçar a confiança pública.
O papel do Comité Científico: ciência aplicada à distribuição
Criado em 2021, o Comité Científico da Mercadona funciona como estrutura consultiva para qualidade, segurança alimentar, cosmética, biotecnologia, embalagens e alergénios.
Os seus membros – Paula Teixeira, Alexandra Silva, Duarte Torres, Fernanda Vilarinho, Sandra Chaves e Inês Pádua – apoiam a empresa na antecipação de riscos emergentes e na interpretação legislativa europeia.
A missão é clara: prever desafios futuros na cadeia agroalimentar, assegurando que a Mercadona mantém o equilíbrio entre segurança, inovação e informação ao consumidor.
Combater a desinformação com ciência
Um dos eixos do trabalho do comité é o combate à desinformação alimentar.
A Mercadona desenvolveu um plano de comunicação científica, com vídeos curtos nas redes sociais em que os especialistas explicam boas práticas, que vão desde lavar corretamente alimentos até escolher protetor solar adequado.
O objetivo é reforçar a credibilidade científica da marca e combater as fake news que circulam nas redes.

