A consultora internacional Middlebank Consulting Group (MCG) identificou as principais tendências tecnológicas que deverão transformar as cadeias de abastecimento em 2026, num contexto marcado por elevada incerteza, mudanças nos fluxos comerciais e exigências crescentes por parte dos clientes.
“As equipas de supply chain estão a enfrentar um dos períodos mais imprevisíveis dos últimos anos”, afirmou Alan Win, fundador e CEO da Middlebank Consulting Group.
E continua: “os fluxos comerciais estão a mudar, novas tecnologias estão a emergir e os clientes exigem um serviço mais rápido e transparente. As empresas que terão sucesso não serão apenas as que reagem, mas as que experimentam, se adaptam e, por vezes, aprendem da forma mais difícil quando as premissas não se confirmam.”
Entre as principais tendências destacadas está a evolução da inteligência artificial (IA). Segundo a consultora, a IA está a passar de uma função meramente consultiva para um papel mais autónomo nas operações, com sistemas capazes de ajustar rotas de entrega, gerir inventários e sinalizar estrangulamentos com intervenção humana mínima.
Ainda assim, a MCG sublinhou que estas ferramentas não são infalíveis e que as organizações que combinarem a IA com monitorização operacional no terreno deverão tomar decisões mais rápidas e informadas.
A eficiência dos armazéns é outra área em rápida transformação, enfatizou a Middlebank Consulting Group, explicando que o uso de gémeos digitais permite simular alterações antes da sua implementação, enquanto robots autónomos assumem tarefas repetitivas.
Apesar disso, as equipas humanas continuam a ser essenciais para questionar recomendações automáticas e testar melhorias, num modelo híbrido que promete aumentar a precisão, reduzir erros e melhorar o desempenho global.
De acordo com a MCG, a escolha de parceiros logísticos também ganha um peso estratégico acrescido. Para além da tecnologia e da experiência, a capacidade de resposta em situações de pressão, a comunicação aberta e a flexibilidade serão fatores determinantes para garantir a continuidade operacional e responder a exigências em constante mudança.
 No que toca ao comércio eletrónico, a otimização de custos continua a ser uma prioridade, mas sem comprometer a experiência do cliente. Ajustes simples, como a adequação dos tamanhos de embalagem ou a otimização dos percursos de picking, podem gerar impactos significativos, melhorando a rapidez, a fiabilidade e a rentabilidade das operações.
A MCG destacou ainda a importância de redes logísticas flexíveis. Estratégias como dual sourcing, nearshoring e cadeias de abastecimento modulares deixaram de ser opcionais. Num cenário em que as disrupções são inevitáveis, a capacidade de adaptação rápida será crucial para manter a confiança dos clientes.
De acordo com a consultora, a sustentabilidade assume igualmente um papel central. A redução de emissões, do consumo energético e do desperdício de embalagens passou de uma opção desejável para uma exigência operacional. Medidas práticas, como rotas mais eficientes, embalagens mais sustentáveis e instalações energeticamente conscientes, contribuem de forma cumulativa para cadeias de abastecimento mais sustentáveis e competitivas.
Já no plano dos recursos humanos, a tecnologia surge como um facilitador, frisou a Middlebank Consulting Group, ao libertar as equipas de tarefas repetitivas, a IA permite maior foco na tomada de decisão, coordenação e melhoria contínua dos processos, potenciando o envolvimento e a capacidade de resolução de problemas.
Por fim, no transporte e na última milha, ferramentas como o encaminhamento dinâmico e o acompanhamento em tempo real estão a transformar as entregas, esclareceu a MCG. Ainda assim, a supervisão humana continua a ser indispensável para lidar com imprevistos, sobretudo nos cenários mais complexos da distribuição final.
Assim, a Middlebank Consulting Group concluiu que a tecnologia continuará a ser uma vantagem competitiva, mas o seu verdadeiro valor dependerá das pessoas que a utilizam. As cadeias de abastecimento que conseguirem combinar inteligência artificial, automação, equipas adaptáveis e parcerias sólidas estarão mais bem posicionadas para enfrentar a mudança e moldar o futuro do setor.

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