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Consumo

51,3% dos portugueses lê os rótulos no momento da compra

Mais transparência e melhor prevenção de riscos na segurança alimentar

A importância atribuída pelos consumidores portugueses aos rótulos alimentares está a crescer em quase todo o tipo de produtos. A conclusão é de um estudo do IPAM, realizado com a colaboração de uma investigadora da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, para a Direção Geral de Saúde (DGS), e indica que 42% dos portugueses já consulta os rótulos alimentares de forma regular e que 17% já o faz sempre.

“Unicamente 11% dos inquiridos no estudo do IPAM refere não ler os rótulos alimentares (nunca ou quase nunca), destacando como principal razão o hábito, na medida em que compram sempre o mesmo tipo de produtos. As mulheres, os consumidores com qualificações mais elevadas e os mais preocupados com as questões nutricionais são quem mais frequentemente lê os rótulos alimentares. Esta conclusão é, contudo, relativizada em comparação com os resultados obtidos nos focus groups. Efetivamente, os testemunhos em grupo vieram demonstrar que o uso real dos rótulos alimentares parece ser menor. Unicamente os consumidores mais preocupados e informados sobre as questões nutricionais referem usar a rotulagem nas suas escolhas alimentares, nomeadamente quando compram produtos pela primeira vez”, explica o estudo.

 No que diz respeito à ocasião em que os portugueses consultam os rótulos, o documento revela que a maioria dos inquiridos o faz apenas no momento de compra (51,3%), com os consumidores a atribuírem uma elevada importância ao uso de rótulos alimentares em quase todo o tipo de produtos, salientando-se os alimentos para crianças, cereais de pequeno-almoço e refeições pré-embaladas.

O estudo identificou ainda as duas principais barreiras à compreensão da informação fornecida nos rótulos alimentares, como é o caso do formato dos rótulos, uma vez que o ponto de venda é o principal local onde os consumidores consultam os rótulos alimentares e a falta de informação nutricional na frente da embalagem é considerada uma dificuldade acrescida ao acesso à informação, e os baixos níveis de literacia da população portuguesa, que são um preditor da dificuldade de compreensão da informação nutricional.

“Os portugueses referem ter conhecimento sobre a informação nutricional dos alimentos que compram e consomem, mas este conhecimento não é efetivo. Consideram compreender a informação que consta dos rótulos alimentares, mas na verdade esse nível e compreensão é inferior às suas perceções. Assim, por exemplo, os consumidores portugueses revelam falta de conhecimento sobre os limites diários recomendados de sal e açúcar. Relativamente ao consumo máximo de sal diário recomendado, 25% dos inquiridos não têm qualquer ideia. A maioria (56%) considera que é inferior ao defendido pela OMS, sendo que destes, 38% refere que o máximo recomendado é de 2 gramas, o que denota um desconhecimento sobre a composição nutricional dos alimentos que consomem”, conclui o estudo.