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Investimento imobiliário comercial em Portugal cresce mais de 60%, com o retalho a liderar

Investimento imobiliário comercial em Portugal cresce mais de 60%, com o retalho a liderar iStock

O investimento em imobiliário comercial em Portugal atingiu 1,8 mil milhões de euros até ao final do terceiro trimestre de 2025, registando um crescimento de 60% face ao mesmo período do ano anterior. De acordo com o relatório Market Outlook Q3 2025 da Savills, os setores do retalho e da hotelaria lideraram a captação de investimento.

Após um período de ajustamento das expectativas provocado pela subida das taxas de juro, começam a emergir “sinais claros” de estabilização do mercado, sublinhou o relatório, que indicou ainda que, no terceiro trimestre, o investimento totalizou 572 milhões de euros, um aumento de 50% face ao período homólogo.

 

De acordo com a análise, nos primeiros nove meses do ano, o volume médio por transação aumentou 47%, refletindo uma maior concentração de capital por operação. Em comparação com a média dos últimos três anos, o volume acumulado registou um crescimento de 35%, confirmando uma trajetória consistente de expansão do investimento imobiliário em Portugal.

Para Pedro Figueiras, Head of Capital Markets, “o ano de 2025 tem revelado uma performance sólida, marcada pelo crescimento consistente dos níveis de investimento em todos os setores, o que nos permite antecipar que poderá encerrar como o terceiro, ou mesmo o segundo melhor ano de sempre”.

 

E continua: “à semelhança do dinamismo da economia nacional, o mercado imobiliário comercial português continua a captar a atenção de uma base cada vez mais diversificada de investidores globais, com diferentes perfis de capital. Paralelamente, é notório o aumento da liquidez e do apetite por parte dos investidores nacionais”.

Retalho e hotelaria lideram investimento

 

Entre janeiro e setembro de 2025, os setores do retalho e da hotelaria concentraram, em conjunto, mais de metade do volume total investido, registando crescimentos homólogos de 99% e 21%, respetivamente.

Segundo o relatório, no retalho, os centros comerciais afirmaram-se como a classe de ativos mais dinâmica, ao captar mais de 500 milhões de euros e ao reforçar a atratividade e maturidade do segmento junto de fundos institucionais e de private equity.

 

O segmento de escritórios voltou a ganhar relevância, apoiado por níveis de ocupação estáveis e pela escassez de produto de qualidade em localizações centrais.

Perfil dos investidores
Entre janeiro e setembro de 2025, os fundos de investimento e as sociedades de gestão de ativos imobiliários concentraram mais de metade do volume transacionado. Os investidores institucionais mantiveram uma presença ativa no mercado, com maior enfoque nos segmentos de escritórios e retalho.

As prime yields estabilizaram na maioria dos segmentos no terceiro trimestre, com compressão em ativos como supermercados e residências de estudantes (PBSA), num contexto de forte procura, oferta limitada e rendas estáveis.

Setor Industrial & Logística
O setor industrial e logístico (I&L) registou um investimento acumulado de 148 milhões de euros até setembro, superando já os volumes totais de 2023 e 2024. O pipeline de intenções de investimento indica que o setor está a caminho de alcançar o maior volume de desenvolvimento de sempre.

Apesar da escassez de instalações modernas, o stock logístico nacional cresceu 7% em termos homólogos. A absorção total recuou 30% face ao mesmo período de 2024, fixando-se em cerca de 368.000 m², mas acelerou no terceiro trimestre, com um crescimento de 65% em cadeia, apontando para um final de ano mais dinâmico, ainda que abaixo dos mais de 700.000 m² transacionados em 2024.

As operações em pré-arrendamento representaram 46% da absorção total, um aumento de 171% face a 2024, reforçando a existência de uma procura ativa e a necessidade urgente de disponibilizar no mercado produto logístico de qualidade.

Na Grande Lisboa, o stock logístico cresceu 8% em termos homólogos, enquanto a taxa de desocupação registou apenas uma subida marginal de 0,69 pontos percentuais, fixando-se em 3,66%, o que confirma a forte pressão entre a procura e a oferta.

Já no Grande Porto, o stock aumentou 6%, alcançando 1,3 milhões de m², impulsionado pela conclusão de novos projetos. Ainda assim, a absorção acumulada recuou 41% face ao período homólogo, refletindo a escassez de oferta adequada.

 

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