O Guia Hays 2026 antecipou um ano de “aceleração digital, expansão de mercados e crescente dificuldade em atrair e reter talento” nos setores de Bens de Consumo (FMCG) e Retalho & Grande Distribuição em Portugal, com o FMCG a entrar num mercado “Hot” e o retalho a manter-se num patamar “Warm”, apesar de desafios comuns.
Segundo a análise, a digitalização, a omnicanalidade e a sustentabilidade vão afirmar-se como motores comuns aos dois setores, mas a resistência dos candidatos à mudança e a escassez de profissionais qualificados, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, vão colocar desafios estruturais relevantes.
A pressão para acelerar o recrutamento e a forte concorrência por perfis digitais e comerciais deverão traduzir-se num aumento salarial generalizado, avançou o relatório.
“No FMCG, a pressão pela internacionalização e pela rapidez de resposta ao mercado torna o talento comercial e digital um ativo estratégico. Em 2026, as empresas que conseguirem combinar flexibilidade, propostas de valor atrativas e capacidade de inovação estarão claramente em vantagem”, sublinhou Diana Machado, Senior Consultant na Hays Portugal.
Já para Patrícia Machado, Senior Consultant na Hays Portugal, “a digitalização está a mudar o retalho, mas o sucesso continua a depender da qualidade das equipas no terreno e da capacidade de atrair talento para um setor cada vez mais competitivo”.
Tendências de consumo
De acordo com o Guia Hays 2026, três tendências vão marcar o futuro do consumo em Portugal.
A digitalização e a expansão de mercados ganham peso, com o FMCG a apostar na internacionalização e no reforço das equipas comerciais e de exportação, enquanto o retalho acelera a integração de inteligência artificial (IA) no e-commerce e a entrada de marcas internacionais no mercado nacional.
Além disso, a sustentabilidade afirmar-se-á como um requisito estrutural, deixando de ser um fator diferenciador. No FMCG, impacta diretamente a cadeia de abastecimento; no retalho, traduz-se na adoção de práticas de economia circular.
A flexibilidade e os modelos de trabalho híbridos continuam a influenciar as decisões dos candidatos, sobretudo no FMCG, onde funcionam como vantagem competitiva. No retalho, esta prática é menos comum, com maior enfoque no reforço do salário base.
Segundo a análise, a procura por perfis comerciais e digitais vai manter-se elevada em ambos os setores, embora as funções mais requisitadas reflitam prioridades estratégicas distintas. Em 2026, no FMCG, destacam-se perfis como Key Account Manager, eCommerce Manager, Brand Manager e Business Developer. Já no Retalho & Grande Distribuição, a maior procura incide sobre Store Manager, eCommerce Manager, Marketing Manager e Category Manager.
As competências mais valorizadas para o sucesso nestes setores dividem-se entre técnicas e comportamentais. Ao nível das hard skills, ganham destaque as competências digitais, a gestão omnicanal, as estratégias de pricing, o conhecimento de mercado e, cada vez mais, a IA.
Nas soft skills, a comunicação, a liderança, a inteligência emocional e a gestão do tempo são determinantes. A fluência em inglês será essencial, sendo o espanhol e o francês competências cada vez mais valorizadas.
Perspetivas salarias
Para 2026, ambos os setores antecipam aumentos salariais, impulsionados pela escassez de talento. Ainda assim, a estratégia de benefícios difere, enaltece o relatório.
No FMCG, a aposta recai em pacotes mais atrativos, com maior peso da flexibilidade e dos modelos de trabalho híbridos. No retalho, os benefícios deverão manter-se mais contidos, com a valorização a concentrar-se sobretudo no reforço do salário base.
O que surpreendeu no mercado?
Segundo o Guia Hays 2026, no balanço recente, destacou-se no FMCG a elevada resistência dos candidatos à mudança, mesmo perante propostas atrativas. Já no Retalho, surpreenderam o crescimento mais moderado do segmento alimentar, abaixo das expectativas, e a persistente escassez de profissionais qualificados fora dos grandes centros urbanos.

iStock
