Localizada em Viana do Castelo, a Nunex aposta desde sempre em tecnologia. Com uma produção de um milhão de fraldas por dia, a marca quer continuar apostar no mercado internacional mas também ampliar a sua gama de produtos. Com um investimento de mais de 17 milhões de euros, até 2017, pensos higiénicos, tampões e toalhitas farão parte do seu portfólio. O diretor geral da Nunex, Marco Silva, recordou como a empresa nasceu mas também adiantou os projetos e a estratégia para o futuro.
Como nasce a Nunex e de que forma se posiciona no mercado atualmente?
A Nunex foi um projeto que nasceu em 2012 no seguimento de um grupo económico que tem mais de 20 anos na área de produtos de higiene. Verificou-se a necessidade de apresentar ao mercado uma solução global aos clientes, neste caso à grande distribuição, por isso decidiu avançar com um projeto de fraldas de criança em Portugal, até porque não existia nenhum produtor nacional.
Foi fácil encontrar mão-de-obra que correspondesse ao que a empresa pretendia?
Foi muito difícil encontrar mão-de-obra com experiência na área, mas contratamos pessoas com uma grande capacidade de adaptação e de aprendizagem rápida, o que em conjunto com alguma pesquisa e contacto com consultores internacionais da área, facilmente adquiriram conhecimento necessário para o desenvolvimento da atividade.
Quantos colaboradores são?
Neste momento, 53. Depois de a Nunex ser criada foi feito um projeto de investimento para compra de equipamento e uma análise de mercado para se perceber qual seria a melhor tecnologia. Falamos de um investimento na ordem dos sete milhões de euros global para lançar a produção de fraldas de criança. O objetivo foi com a melhor tecnologia do mercado fazer um produto igual ou melhor ao produto líder com um preço mais acessível. Sempre focados na qualidade, pois queremos sempre fazer o melhor produto.
Que valor tem o preço para o cliente neste tipo de produto?
O preço é sempre determinante. Mas quando falamos da marca Nunex a competir com a marca de fornecedor é sempre muito difícil e nesta área de negócio há marcas realmente muito fortes. Temos de ter sempre a mesma ou melhor qualidade porque o cliente vai sempre assumir que é um produto de qualidade inferior. Nós exportamos 90% do que produzimos e exportamos sobretudo para a Europa Ocidental.
Qual o valor de facturação no ano passado?
Em 2015, faturamos 16 milhões e 295 mil euros. Não temos muito negócio em Portugal precisamente porque os clientes que conseguimos são estrangeiros. 90% do nosso negócio é private label, ou seja, fazemos marcas da Grande Distribuição. Mas sempre para cadeias internacionais, não conseguimos ainda fazer private label para cadeias portuguesas.
Mas o objetivo é reverter esses números?
Sim, continuamos a lutar por isso. Temos negociações constantes e acreditamos que vamos lá chegar. É preciso os players portugueses apostarem no que é português. Porque às vezes não há a audácia de trocar um fornecedor francês ou inglês que não tem melhor qualidade, nem melhor preço do que nós por uma empresa portuguesa.
A produção é em Viana do Castelo?
A produção é 100% em Viana do Castelo. Estamos muito focados no private label e temos muito trabalho nessa área e portanto nunca conseguimos apostar nas duas vertentes [marca própria e private label] pela dimensão da empresa e pela dificuldade de penetração no mercado. Em 2014, decidimos avançar para produção de fraldas de adulto. Fizemos da mesma forma. Vimos quais os melhores produtos de mercado e aproveitamos o melhor do que existe na área de incontinência. Compramos a melhor tecnologia a nível mundial. Avançamos com as fraldas para adulto já com a ideia de nos tornarmos um fornecedor global. Neste momento a marca Intimus já está no mercado. Estamos a preparar a distribuição. Em 2015, foi aprovado um projeto no âmbito do Portugal 2020 com um investimento de mais sete milhões de euros na compra de uma máquina de pensos higiénicos, resguardos e mais uma máquina para produzir fraldas de criança e uma outra máquina para fazer toalhitas de bebé e de adulto. Até junho de 2017 o projeto tem de estar concluído. Vamos assim ser um fornecedor global, pois vamos ter a maior parte dos produtos de higiene.
Podemos aí sim ser um concorrente assumido e uma opção para as grandes cadeias que trabalham com fornecedores globais.
O que significa esse aumento de portefólio em termos de custos?
Há sempre poupanças de sinergias de custos. As grandes superfícies quando fazem uma encomenda o facto de poderem encomendar um camião com toalhitas, pensos higiénicos, fraldas de adulto e de criança é muito mais simples. Em termos de eficiência logística, traz sempre sinergias de custos.
Os vossos clientes mostram-se interessados neste portfólio?
Os nossos clientes estão muito interessados em que consigamos oferecer um maior número de produtos.
Poderá haver um aumento dos recursos humanos?
Pensamos chegar às 100 pessoas até finais de 2017.
Como tem corrido este ano em termos de vendas?
Tem corrido bem dentro do que aconteceu o ano passado. Ainda não conseguimos materializar o investimento que fizemos na fralda de adulto, pois ainda estamos a lançar o produto. Em volume de vendas estamos, neste momento, na ordem dos dez milhões de euros. A expetativa para este ano é manter os 16 milhões de euros do ano passado.
Ao nível da exportação, a estratégia passa pela entrada em novos mercados?
Estamos a trabalhar vários mercados. Centramo-nos muito em Portugal, Espanha e França. Mas também estamos a trabalhar com Inglaterra. A grande aposta dos próximos anos da Nunex vai ser França e Inglaterra. Estamos também a vender para a China, África e América Latina. Na China vendemos para um segmento médio-alto há um nicho de mercado muito grande para o nosso produto. O nosso produto está a ter boa aceitação na China e estamos a vender bem.
A fralda é um produto em que o custo de transporte tem alguma relevância mas ainda consegue ser um produto competitivo para mercados longínquos. Conseguimos ser competitivos em mercados como a China, a América Latina, porque ainda conseguimos colocar num contentor uma grande quantidade de fraldas. O nosso nível de eficiência é mesmo bastante elevado, conseguimos ter custos de produção bastante interessantes e conseguimos ser competitivos. O custo com a logística não é impeditivo de chegarmos a esses mercados.
Que importância tem a tecnologia no setor em que atuam?
A tecnologia é quase tudo. Neste momento produzimos 750 fraldas por minuto. A nova máquina de criança que compramos vai produzir a partir de junho de 2017 mil fraldas por minuto.
A qualidade é tudo para o cliente. No setor de atividade em que estamos só conseguimos trabalhar os nossos clientes, se de facto nos for reconhecida qualidade.
A matéria-prima é comprada sobretudo na Europa e alguma coisa no Canadá. Curiosamente são os mesmos fornecedores que fornecem as grandes cadeias, ou seja, é um nicho de mercado.
Quando fala em crescer no mercado português fala mais em cativar o consumidor ou o canal de distribuição?
Quando falamos em private label temos de cativar o canal de distribuição. Quando falamos na nossa marca Nunex temos de cativar o consumidor. A nossa estratégia passa sempre por cativar o consumidor e este levar a provocação ao distribuidor.
- 1 milhão de fraldas por dia
- Volume de negócios do Grupo em 2014 cerca de 50 milhões de euros
- 32 milhões de euros de exportação em 2014
A marca portuguesa de fraldas para criança recebeu recentemente um prémio europeu de inovação no salão Wabel, que se realizou em Paris.
O júri da edição de 2016 do salão atribuiu à Nunex Worldwide o prémio Inovação, na categoria “Baby Care”, pela conceção da fralda “Active Dry”.
Para o diretor-geral, este prémio significa o “reconhecimento do empenho e espírito de sacrifício de todos, no desenvolvimento de novos produtos e no objetivo diário de fazer sempre mais e melhor”. A empresa pertence ao grupo Ghost, que tem ainda a Suavecel e a Fortissue, do mesmo ramo, da higiene pessoal.
Artigo publicado na edição de dezembro/janeiro 2017 da revista DISTRIBUIÇÃO HOJE

