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Produção

O Benefício: “Ninguém sabe o que é, mas vai ser incrível”

O Benefício: "Ninguém sabe o que é, mas vai ser incrível"

Ricardo Nunes e Paulo Fernandes fizeram de uma frase um negócio. ‘O Benefício’ é uma editora, dizem, que coloca em prática ideias de produtos exclusivos, de qualidade e com um preço acima da média. O mercado, segundo os autores da ideia, quer. E eles pensam, refletem, criam e vendem.

Como surgiu ‘O Benefício’?

 

Paulo Fernandes: Entre nós usávamos o termo «O Benefício» quase como uma hashtag, sobretudo o Ricardo para caracterizar as coisas boas da vida, as reuniões e jantares com amigos, etc.  Chegámos à conclusão que o melhor era registar uma marca com esse nome e fazer alguma coisa com isso.

Ricardo: Trabalhávamos em multinacionais, aliás, eu ainda trabalho, e achamos que a forma de abordar a produção é quase insana, com tudo a ser produzido em grande escala e com tantos descontos – qualquer dia há descontos de 100%. Isso levou-nos a pensar que poderia ser interessante criarmos uma empresa que tivesse como fundo uma vertente mais humana dos negócios. Ou seja, que não havia exploração de nenhum dos parceiros e fornecedores. Assim, qualquer produto de O Benefício tinha que criar progresso para todos, seja a nível económico, cultural ou da parceria para que o rendimento fosse distribuído por todos de forma justa. Ou seja, que exista «O Benefício» para todos.

 

O primeiro produto que lançaram foi um azeite. E como foi esse lançamento?

Ricardo: Fomos pensando a marca e descobrimos que o produto mais simples para termos era o azeite. Falámos com os responsáveis da Herdade da Tojeira e depois foi acontecendo de forma muito natural. O azeite é percecionado como uma coisa barata, mas testamos um bom produto com um valor mais elevado. Tudo isso serviu como teste à capacidade da empresa. Se há produto difícil de vender é o azeite, porque todos temos uma tia ou avó que nos dá umas garrafas de azeite. Por isso, quisemos elevar o preço ao máximo para que todos os envolvidos do projeto pudessem ganhar. Foi um beta test do próprio negócio, daí colocamos o preço de 50€ nas 100 unidades e na sua personalização. E vendemos desde o primeiro dia! Sobretudo para o estrangeiro. Percebemos que os nossos produtos têm de ser ótimos e temos recebido muito feedback a indicar que o produto valia o dinheiro.

Foi um beta test do próprio negócio, daí colocamos o preço de 50€ nas 100 unidades e na sua personalização. E vendemos desde o primeiro dia! Sobretudo para o estrangeiro.”
 

E escoaram o produto só para o estrangeiro?

Paulo: Para o estrangeiro e para Portugal. Não só online mas também porque temos uma vertente de business to business. Houve uma grande perceção de ser um presente original. Apesar do gifting não ser o nosso mercado, embora não o negamos.

 

Ricardo: O nosso mercado é encontrar 100 pessoas que numa primeira fase achem que o nosso produto vale a pena, por ser exclusivo e ter uma qualidade acima da média. E entretanto, descobrimos que somos uma editora, e descobrimos isso só passados alguns meses. O nosso mote é: ninguém sabe o que é, mas vai ser incrível! Ou seja, permite-nos partir do vazio e sem receios. Tanto podemos fazer o azeite, como um licor de ginja ou uma mochila. Somos multiproduto e multidimensional. E a nossa abordagem ao mercado tem a ver com parcerias. E dou o exemplo no licor de ginja. O preço da bebida no mercado é muito baixo. A “guerra” dos preços é toda feita na Distribuição. E nós em parceria com a Opidum, fizemos uma parceria, para apresentar ao mercado a diferenciação deste produto. O produto é de grande qualidade e redesenhamos a garrafa para ser mais próxima do que se faz para o Gin, com serigrafia no vidro, contamos a história que está por detrás da Opidum e fizemos uma ilustração. Conclusão, esgotámos o produto em seis dias e descobrimos que o mercado quer produtos deste género.

E os próximos passos?

Depois desta experiência, vamos editar um licor de ginja «O Benefício» que vai ter uma receita própria, não a da Opidum. Vamos criar um blend O Benefício e vamos passar a fazer séries de 100. Como as serigrafias. E vamos escolher lojas novas, estamos assim à procura de um mercado que não está a ser explorado.

E no meio disto tudo, destes produtos alimentares, surgiu uma mochila…, como é que ocorreu?

Paulo: Uma ideia de um dos nossos parceiros, que na altura em descobriu que os cintos de segurança nos veículos descontinuados eram queimados. E e um dia veio ter connosco com a ideia de fazermos umas mochilas com aquele material.

Ricardo: Temos um grande carinho por este produto. Tem uma vertente incrível porque o material da mochila é combustível para queima e podemos mostrar que uma coisa que é para queimar pode tornar-se uma coisa para a vida. Uma mochila para a vida. Isso permitiu-nos montar um produto com outras pessoas. Somos a favor da distribuição justa do trabalho e este é um exemplo de um produto que cria valor e que cria mercado. E tal como está a ser o licor de ginja, pode ser um tipo de produto que pode ter muito potencial, e até colecionável…

Paulo: …e abriu-nos para o mercado de fashion que não tínhamos pensado fazê-lo num tão curto prazo.

Mas isso não vos desfoca do propósito do vosso negócio? Um dia estarem a fazer um mel e noutro estar a construir uns sapatos?

Ricardo: não, porque essa é a nossa filosofia!

Acreditam que que voltar a comprar produtos que perduram no tempo é uma tendência de consumo?

Paulo: Sim, tem a ver com o que vamos ouvimos, o planeta não aguenta mais.

Ricardo: Não quer dizer que sejamos fundamentalistas, mas há um regresso ao antigamente. Antes comprava-se um frigorífico para a vida…, e agora…

Isto faz parte da nossa estratégia, de sermos uma marca tão forte e tão diferenciadora e com produtos tão fiáveis que se vendem em pré-venda, mesmo antes de se saber o que é.”

Já estão com um quarto produto na calha! O que é?

Ricardo: Antes uma nota. «O Benefício” vende desde o primeiro dia. Exporta desde o primeiro mês, e demorou dez meses e 14 dias até que um cliente comprasse um produto que “ninguém sabe o que é, mas vai ser incrível”. Isto faz parte da nossa estratégia, de sermos uma marca tão forte e tão diferenciadora e com produtos tão fiáveis que se vendem em pré-venda, mesmo antes de se saber o que é.

Paulo: Daí dizermos que o quarto já está à venda. E assim vai acontecer sucessivamente. E estamos a dar-nos bem com isso.

E qual o preço desses produtos?

Ricardo: Pomos a 25€ mas depois quando o produto for lançado terá o seu valor real. Já houve quem comprasse a mochila e o licor de ginja, e outros clientes que ficam com esse valor para abaterem no preço do próximo produto.

E o que vai ser o quarto produto?

Ricardo: Ainda não podemos revelar. Mas a ideia é querer acelerar produtos e mercados e dividir o Benefício com quem produz e cria connosco. Acreditamos sim no poder das boas ideias. Aliás, quem tiver boas ideias, que venha ter connosco.

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