Portugal registou em 2025 o maior crescimento de vendas no retalho na Europa no que toca ao imobiliário comercial, com o índice médio a fixar-se em 115,3 pontos, mais 5% do que no ano anterior.
A conclusão é da WORX Real Estate Consultants, que atribui o desempenho à recuperação do consumo interno, a níveis de poupança ainda elevados e ao contributo do turismo, no relatório WMarket Review Year-end 2025–2026 sobre o imobiliário comercial em Portugal.
De acordo com a análise, este contexto tem favorecido a entrada de novas insígnias e formatos no retalho físico e contribuído para a atividade do setor em vários segmentos. Como resultado, as rendas prime já superaram os níveis pré-pandemia: 145,0 €/m²/mês no comércio de rua em Lisboa, 115,0 €/m²/mês nos centros comerciais e 13,0 €/m²/mês nos retail parks.
Segundo o relatório, a subida das localizações prime mantém-se suportada pela escassez de espaços de qualidade e pela procura, fatores que sustentam o retalho como um dos segmentos mais resilientes do mercado.
O setor industrial e logístico registou em 2025 uma quebra de 39% na procura, após um 2024 particularmente forte, com 485.000 m² absorvidos, numa evolução que reflete um ajustamento num contexto de maior incerteza económica e política.
Apesar disso, as rendas prime continuaram a subir, fixando-se em 5,65 €/m²/mês no eixo Castanheira–Azambuja e em 7,00 €/m²/mês em Lisboa, sinalizando o peso crescente da proximidade ao consumidor final.
Para 2026, o WMarket aponta para uma recuperação da procura para níveis próximos da média dos últimos anos, apoiada sobretudo por processos de nearshoring e reshoring e por investimento ligado ao setor da defesa.
Para Pedro Rutkowski, CEO da WORX, “em 2025, o mercado português mostrou-se dos mais resilientes e com melhor performance no quadro internacional, confirmando o regresso consistente do capital apesar das incertezas globais”.
E continua: “o investimento em imobiliário comercial poderá regressar à casa dos 3 mil milhões de euros em 2026, caso se mantenham as condições de estabilidade e confiança”.
O relatório assinalou ainda várias macro tendências estruturais com impacto no imobiliário nos próximos anos, nomeadamente a integração de tecnologia e de inteligência artificial (IA), que está a acelerar a digitalização de edifícios e cidades, enquanto a experiência humana ganha peso na criação de valor.
Neste cenário, a combinação de usos, a versatilidade e a flexibilidade dos espaços, com capacidade de responder às necessidades em tempo real, surgem como fatores centrais da transformação urbana.

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