Quantcast
inRetail

O consumidor já mudou. Por isso, há que mudar de ‘mindset’. O inRetail volta em 2021!

inRetail_2020_destaque_3

Reuniu mais de 220 pessoas online naquela que foi a sua 10.ª edição. Com uma organização conjunta da Distribuição Hoje e da IFE Abilways, o evento terminou com emas relacionados com a sustentabilidade, os pagamentos, a motivação das equipas, a urgência do Big Data e o e-commerce.

A tarde do segundo dia do inRetail começou com a apresentação “Liderança, cultura organizacional, formação, mensagens alinhadas” da autoria de Susana Silva, diretora de pessoas El Corte Inglés. A oradora sublinhou a importância e o desafio de manter equipas motivadas. “Pessoas mais felizes são mais produtivas”, sublinhou. Na empresa, os seniores sentem orgulho em passar o seu conhecimento aos mais novos. “Todos aprendemos com todos”. Com o foco de tratar os colaboradores como tratam os clientes, já são quatro as gerações a colaborar na empresa.

Como aspetos positivos retirados da pandemia, Susana Silva referiu o facto de a empresa investir mais na transformação digital que foi necessário ter, de um dia para o outro. Por outro lado, confessou que passou a haver maior confiança nas equipas a trabalhar em teletrabalho, tema que lhe era caro pois desde há algum tempo que tentou implementar essa modalidade, mas sem sucesso. “Havia alguma resistência em apostar no teletrabalho”, referiu, elogiando a abertura de decisão que foi preciso agilizar na altura da pandemia.

“Todos aprendemos com todos” – Susana Silva, El Corte Inglés

Miguel Serrão, managing partner da DBI Data Business Intelligence, Nuno Oliveira, business intelligence manager da Makro, Gaspar D’Orey, CEO da Dott e Luís Graça, senior business development manager da SAS subiram ao palco digital desta conferência para a mesa redonda dedicada ao tema do “Big Data – Âncora digital na tomada de decisão”. O responsável pela DBI foi bastante crítico relativamente ao atraso de Portugal relativamente a outros países europeus no que respeita ao investimento no Big Data. “Ninguém estava preparado para o confinamento, mas em termos tecnológicos, os nossos clientes tiveram quebras pequenas. O maior desafio que ainda temos de enfrentar é ao nível da automatização dos processos”, referiu Miguel Serrão que comparou o digital a uma maratona “em que é necessário correr mais depressa do que os outros países”. A solução? Pode passar por apostar mais em recursos humanos, tecnologia e know-how.

Gaspar D’Orey representa uma empresa que já nasceu digital e partilhou da necessidade de praticamente duplicar a equipa durante a pandemia para dar resposta “ao tsunami de encomendas” que receberam. Apesar da alta fasquia internacional da concorrência, o CEO considera que as soluções nacionais têm como “vantagens comparativas, a proximidade e a experiência com o cliente final”.

“O consumidor já mudou, já está no e-commerce e já não volta atrás” – Miguel Serrão, DBI

O SAS é uma empresa especializada em inteligência artificial que tem clientes na área do retalho desde há muitos anos. “Há a necessidade de analisar os dados para tomar decisões inteligentes com impacto no negócio”, referiu Luís Graça. “A covid-19 veio reforçar a necessidade analítica de perceber o momento atual e antecipar o futuro”, sublinhou, destacando ainda a lacuna que existe no nosso País no que respeita a pessoas especializadas em termos de data Science. “É preciso criar ferramentas que sejam facilmente utilizáveis e é fundamental democratizar este tema.”

Nuno Oliveira partilhou com a audiência que a Makro apostou na análise de dados e no desenvolvimento de websites na área de apoio ao cliente. “Trabalhamos com alguns modelos preditivos que permitem antecipar as tendências dos nossos clientes e acompanhar a evolução de compra. Verificámos que os algoritmos mudaram com a pandemia.” Além da clara aposta no digital, houve também a necessidade por parte do retalhista em ter um consultor que acompanhasse o cliente do Canal Horeca através de um serviço gratuito que lhe permita ter retorno mesmo com a crise que vivemos.

“É preciso criar ferramentas que sejam facilmente utilizáveis e é fundamental democratizar este tema” – Luís Graça, SAS

“O consumidor já mudou, já está no e-commerce e já não volta atrás”, realçou Miguel Serrão. “Não é admissível que um retalhista demore três a cinco dias a entregar um produto. O e-commerce é mais forte em sites internacionais porque há melhores prazos de entrega e melhor logística… Temos de mudar de mindset”, alertou.

O que é estar online?
A 10.ª edição do inRetail terminou com a mesa redonda: “O que significa hoje estar online?”. Pedro Santos, head of e-commerce da Sonae MC considera que “estar online é mais uma oportunidade de acrescentarmos a camada de conveniência à proposta de valor já muito forte que a Sonae tem”. Adriano Medeiros, diretor de marketing da Hôma defende o online como uma parte da transformação do omnichannel. “É estar disponível e acessível. Estar online de forma integrada significa ter de estar adaptado ao ADN da marca. O desafio é saber quem somos e refletir o nosso ADN em todos os canais onde estamos.”

“Estar online é ir ao encontro das necessidades dos clientes” – Nuno Serradas Duarte, 360hyper

Nuno Serradas Duarte, CEO do supermercado online 360hyper começou por dar a conhecer este marketplace que surgiu em plena pandemia. “Estar online é ir ao encontro das necessidades dos clientes”, defendeu. Apesar de não terem nenhum canal físico, o objetivo passa replicar o que as pessoas fazem no supermercado, mas de forma digital.

“Notámos um perfil de compras diferente na pandemia. A nossa principal preocupação foi a segurança e quisemos garantir que fazíamos as coisas bem feitas num momento de grande incerteza. Fizemos crescer a nossa operação, mas os nossos modelos de formação e de integração tiveram de ser repensados para serem realizados à distância”, salientou Pedro Santos. Foi preciso implementar novos processos de trabalho para uma capacidade muito superior à que a empresa tinha no começo da pandemia sempre com consciência de preparar o futuro próximo. “A essência do retalho continua a ser o cliente independentemente das tecnologias e das novas soluções”, concluiu.

“A essência do retalho continua a ser o cliente independentemente das tecnologias e das novas soluções” – Pedro Santos, Sonae MC

Adriano Medeiros resume a pandemia a “uma vida de aventura” e partilhou que a Hôma vive “um ritmo alucinante de transformação” desde março. “Criámos uma estratégia de guerra desde o fecho das lojas e ainda continua. Queremos integrar cada vez mais o online no todo do negócio: o e-commerce continua a crescer se comparado com os tempos antes da pandemia. O marketing participa neste desenvolvimento de task force para se adaptar a estes novos processos e a logística foi fortemente repensada.” Foi preciso deixar preconceitos de lado e agir.

A 10.ª edição ficou ainda marcada pelo lançamento da revista SUSTENTÁVEL, a nova publicação especializada da IFE Abilways, numa espécie de joint venture entre a DISTRIBUIÇÃO HOJE, a VIDA RURAL e a LOGÍSTICA&TRANSPORTES HOJE e terminou com votos de que o próximo evento já possa ser realizado nos moldes habituais, de forma presencial, assim permita a pandemia de covid-19.

Pagamentos e sustentabilidade
O tema dos pagamentos também esteve presente durante a tarde do segundo dia do inRetail com a apresentação “O less nos pagamentos de intervenção” comandada pelo CEO da Oney Bank Portugal, Dario Coffetti que realçou os três aspetos mais valorizados pelos consumidores no momento de pagar: a segurança, a rapidez e o preço.
Seguiram-se duas apresentações dedicadas à sustentabilidade do retalho alimentar e não alimentar da responsabilidade de Núria Ramirez, diretora de sustentabilidade ibérica da H&M e Vanessa Romeu, diretora de comunicação corporativa e sustentabilidade do Lidl. Ambas partilharam a visão e os projetos sustentáveis dentro das empresas que dirigem. “O futuro da moda sustentável depende da colaboração entre todos”, concluiu Núria Ramirez. Vanessa Romeu deu a conhecer algumas das iniciativas mais revelantes nesta área confirmando a ambição do retalhista em dividir o negócio sustentável em três grandes eixos: promoção de estilos de vida sustentáveis, proteção do planeta e desenvolvimento de comunidades locais. “Os nossos colaboradores têm sempre uma palavra a dizer”, garantiu. “A sustentabilidade é transversal a todas as áreas de negócio do Lidl”, acrescentou.


Não perca a próxima edição da DISTRIBUIÇÃO HOJE com uma reportagem alargada sobre a 10.ª edição do inRetail onde poderá conhecer algumas das conclusões mais importantes de todas estas apresentações.